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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 279

"Julian"

Depois que eu tirei as garotas de vila no sábado, eu coloquei alguém de consiança de olho no lugar e eu estava certo, o Carlos Eduardo estava de olho no lugar. Ele nunca se contentaria, aqueles cinquenta mil que ele pediu eram apenas o seu primeiro movimento para testar até onde a Lorena chegaria e se ela pagasse, ele nunca mais a deixaria em paz.

O Érick estava surtando. Depois que eu deixei a Lorena e a Marcelina no meu apartamento eu voltei para a holding e ele exigiu saber o que estava acontecendo. Eu contei a ele que o Carlos Eduardo havia voltado e estava ameaçando a Lorena. Ele ficou ainda mais nervoso e só se acalmou um pouco quando eu expliquei o que ia fazer. Ele não estava nem um pouco satisfeito com a Lorena servindo de isca para prisão daquele bandido, mas era o melhor que tínhamos para eliminar de vez aquela sombra do passado dela. Então o Érick me deixou agir do meu jeito, até porque ele estava lidando com os ataques da Victória e a insistência dela em não dar o divórcio e isso era desgastante. Além do mais, ele ainda queria respostas que levavam tempo para conseguir.

Pelo menos a Lorena e a Marcelina estavam seguras no meu apartamento, mas eu estava tão atolado nos problemas da holding e nos arranjos que eu precisava fazer, que eu mal as vi e isso me irritava porque eu ainda não tinha tido realmente um tempo com a Marcelina.

Mas no final da tarde de terça feira, quando eu peguei a Lorena na casa onde ela estava trabalhando, eu já tinha um plano. Depois de resolver aquela situação com a Lorena, eu daria um jeito de manter a Marcelina no meu apartamento.

- Nervosa? - Eu perguntei quando a Lorena entrou no carro.

- Um pouco. Eu acho que ele não vai querer colocar a cara na rua, Julian. E se eu for obrigada a entrar? - A Lorena me perguntou ansiosa.

- Lô, fica tranquila, o pessoal da polícia vai colocar uma escuta em você antes de te colocar num taxi. Assim que você estiver cara a cara com o Carlos Eduardo eles entram. Só... não fique muito perto dele, mantenha uma distância que te permita correr antes que ele te pegue, se necessário. - Eu avisei.

Nós fomos até o local marcado com a equipe da polícia, eles colocaram a escuta na Lorena e a colocaram num taxi dirigido por um policial. Era questão de tempo até aquele canalha do ex dela ser preso.

O planejamento de segurança daquela operação estava perfeitamente desenhado, não havia como dar errado. O Carlos Eduardo achou que a Lorena estava desprotegida, mas ele não fazia a menor ideia de que ela tinha uma rede de proteção ao redor. Eu estacionei o carro a um quarteirão de distância da casa da Leilane. De longe eu observei a Lorena sair do taxi e tocar o interfone. O policial ao meu lado estava segurando a tela do tablet para que eu visse o que a escuta captava. O portão foi aberto e uma mulher extravagante encarou a Lorena e depois olhou para todos os lados.

- Minha nossa, bem que o Cadu disse, você continua sendo a mesma cachorra que faz tudo o que ele manda. - A perua falou para a Lorena.

- Eu sou a cachorra, Leilane? Acho que a cachorra é a mulher casada que colocou o homem com quem estṕa transando debaixo do teto do marido. - A Lorena respondeu no melhor estilo Scarlat e eu sorri, ela era corajosa sob pressão. - Mas isso é só o que eu penso. Agora chama aquele cretino, o taxi está me esperando.

- Vê lá como fala comigo, Lorena. Não sou eu quem vai ter um bastardinho. - A perua falou e numa fração de segundo a mão da Lorena explodiu na cara dela.

- Não fala do meu filho, cachorra! - A Lorena rosnou para ela com uma ferocidade que eu entendi finalmente o que o Érick viou quando ela defendeu a Alice na escola.

- Sua...

- LEILANE, MANDA ELA ENTRAR LOGO! - Uma voz masculina gritou de dentro da casa. Só podia ser aquele bandido.

- Ela vai entrar. - Eu comentei nervoso com o policial ao meu lado.

- O perímetro está totalmente cercado pelos meus homens. Ela está segura. - O policial respondeu tranquilamente.

Eu teria que acompanhar pela escuta, felizmente o equipamento era bom o suficiente para entregar um áudio e imagem descentes. A Lorena passou pelo portão, caminhou até a porta e entrou. Aquele idiota estava de pé no meio da sala.

- Pontual como sempre, Loris... trouxe o meu bônus? - A voz do golpista me dava náusea, ele era confiante demais e igualmente burro. - Vejo que você foi inteligente e resolveu não bancar a esperta com o filhinho do seu amante rico.

- Está aqui o dinheiro, Carlos Eduardo. Agora me deixa em paz e suma da minha vida. - A Lorena respondeu num sussurro tenso, fingindo o pânico de forma magistral.

- Você demorou, Julian. Como foi? Como ela está? - Ele perguntou agirado.

- Deu tudo certo, Érick. Ela está bem e segura e aquele bandido preso. - Eu avisei.

- Eu quero detalhes, Julian. - O Érick vociferou com a sua habitual arrogância.

- Cale a boca e ajeite o paletó, Érick. Nós não temos tempo para isso. Você também Andrey. - Eu respondi jogando as chaves do meu carro na mesa de com um estalo ruidoso. - Vamos, nós temos um programa de emergência com a Scarlat da internet para daqui a trinta minutos em um hotel discreto aqui perto.

O Érick congelou na cadeira e virou o rosto devagar para mim, com a expressãod e fúria em seu rosto.

- Que porra de brincadeira de mau gosto é essa, Beaumont? - Ele rosnou, levantando-se num ímpeto. - Eu já te disse que aquela Scarlat virtual é uma impostora, uma cópia barata que roubou a marca da minha fada! Eu não quero ver aquela vulgar de novo! E não quero nenhum de vocês brincando com ela e com a minha Fada na cabeça.

- Mas eu quero, Albelini! - Eu o desafiei sem recuar um único milímetro. - Acorda, idiota! Aquela cópia barata com certeza trabalhou na Infernal no mesmo período em que a Lorena dominava o Trono. De que outra forma ela roubaria a "persona" dela? Se a Adelaide conseguiu montar aquele dossiê de mentiras com fotos que não pertencem à Lorena, essa falsa Scarlat deve ter algo a ver com isso, ela deve saber como as imagens foram forjadas.

- Ele tem razão, Érick. - O Andrey comentou sentado tranquilamente em frente ao Érick.

- Claro que tenho! - Eu respondi. - Nós três vamos até aquele hotel e vamos tirar a máscara da falsa Scarlat. Vamos prensar aquela impostora contra a parede até arrancar cada resposta dela. É assim que nós vamos saber como a Adelaide armou tudo. Não é isso o que você quer, saber a verdade? - Eu encarei o Érick que me encarou de volta pesando as minhas palavras. - Vamos ou você vai continuar aqui sendo um babaca com a cabeça enfiada no próprio rabo?

O Érick Albelini engoliu em seco, ele sabia que eu estava certo. O Andrey se levantou com o semblante sério, ajustyando a sua gravata, e finalmente o Érick concordou. Nós marchamos em sincronia em direção ao elevador. Eu sabia que estávamos prestes a desmascarar a Adelaide, mas também sabia que seria um golpe terrível para o Érick confirmar por si mesmo que havia cometido o maior erro da sua vida.

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