"Julian"
Depois que eu tirei as garotas de vila no sábado, eu coloquei alguém de consiança de olho no lugar e eu estava certo, o Carlos Eduardo estava de olho no lugar. Ele nunca se contentaria, aqueles cinquenta mil que ele pediu eram apenas o seu primeiro movimento para testar até onde a Lorena chegaria e se ela pagasse, ele nunca mais a deixaria em paz.
O Érick estava surtando. Depois que eu deixei a Lorena e a Marcelina no meu apartamento eu voltei para a holding e ele exigiu saber o que estava acontecendo. Eu contei a ele que o Carlos Eduardo havia voltado e estava ameaçando a Lorena. Ele ficou ainda mais nervoso e só se acalmou um pouco quando eu expliquei o que ia fazer. Ele não estava nem um pouco satisfeito com a Lorena servindo de isca para prisão daquele bandido, mas era o melhor que tínhamos para eliminar de vez aquela sombra do passado dela. Então o Érick me deixou agir do meu jeito, até porque ele estava lidando com os ataques da Victória e a insistência dela em não dar o divórcio e isso era desgastante. Além do mais, ele ainda queria respostas que levavam tempo para conseguir.
Pelo menos a Lorena e a Marcelina estavam seguras no meu apartamento, mas eu estava tão atolado nos problemas da holding e nos arranjos que eu precisava fazer, que eu mal as vi e isso me irritava porque eu ainda não tinha tido realmente um tempo com a Marcelina.
Mas no final da tarde de terça feira, quando eu peguei a Lorena na casa onde ela estava trabalhando, eu já tinha um plano. Depois de resolver aquela situação com a Lorena, eu daria um jeito de manter a Marcelina no meu apartamento.
- Nervosa? - Eu perguntei quando a Lorena entrou no carro.
- Um pouco. Eu acho que ele não vai querer colocar a cara na rua, Julian. E se eu for obrigada a entrar? - A Lorena me perguntou ansiosa.
- Lô, fica tranquila, o pessoal da polícia vai colocar uma escuta em você antes de te colocar num taxi. Assim que você estiver cara a cara com o Carlos Eduardo eles entram. Só... não fique muito perto dele, mantenha uma distância que te permita correr antes que ele te pegue, se necessário. - Eu avisei.
Nós fomos até o local marcado com a equipe da polícia, eles colocaram a escuta na Lorena e a colocaram num taxi dirigido por um policial. Era questão de tempo até aquele canalha do ex dela ser preso.
O planejamento de segurança daquela operação estava perfeitamente desenhado, não havia como dar errado. O Carlos Eduardo achou que a Lorena estava desprotegida, mas ele não fazia a menor ideia de que ela tinha uma rede de proteção ao redor. Eu estacionei o carro a um quarteirão de distância da casa da Leilane. De longe eu observei a Lorena sair do taxi e tocar o interfone. O policial ao meu lado estava segurando a tela do tablet para que eu visse o que a escuta captava. O portão foi aberto e uma mulher extravagante encarou a Lorena e depois olhou para todos os lados.
- Minha nossa, bem que o Cadu disse, você continua sendo a mesma cachorra que faz tudo o que ele manda. - A perua falou para a Lorena.
- Eu sou a cachorra, Leilane? Acho que a cachorra é a mulher casada que colocou o homem com quem estṕa transando debaixo do teto do marido. - A Lorena respondeu no melhor estilo Scarlat e eu sorri, ela era corajosa sob pressão. - Mas isso é só o que eu penso. Agora chama aquele cretino, o taxi está me esperando.
- Vê lá como fala comigo, Lorena. Não sou eu quem vai ter um bastardinho. - A perua falou e numa fração de segundo a mão da Lorena explodiu na cara dela.
- Não fala do meu filho, cachorra! - A Lorena rosnou para ela com uma ferocidade que eu entendi finalmente o que o Érick viou quando ela defendeu a Alice na escola.
- Sua...
- LEILANE, MANDA ELA ENTRAR LOGO! - Uma voz masculina gritou de dentro da casa. Só podia ser aquele bandido.
- Ela vai entrar. - Eu comentei nervoso com o policial ao meu lado.
- O perímetro está totalmente cercado pelos meus homens. Ela está segura. - O policial respondeu tranquilamente.
Eu teria que acompanhar pela escuta, felizmente o equipamento era bom o suficiente para entregar um áudio e imagem descentes. A Lorena passou pelo portão, caminhou até a porta e entrou. Aquele idiota estava de pé no meio da sala.
- Pontual como sempre, Loris... trouxe o meu bônus? - A voz do golpista me dava náusea, ele era confiante demais e igualmente burro. - Vejo que você foi inteligente e resolveu não bancar a esperta com o filhinho do seu amante rico.
- Está aqui o dinheiro, Carlos Eduardo. Agora me deixa em paz e suma da minha vida. - A Lorena respondeu num sussurro tenso, fingindo o pânico de forma magistral.

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