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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 281

"Érick"

Eu fui manipulado, enganado, mas o que eu fiz com a Lorena, isso tinha sido totalmente minha culpa, porque eu deixei a minha raiva, a impulsividade e o meu orgulho tomar conta de mim. Eu me deixei envenenar e agora eu tinha que saber de tudo saber de cada coisa, cada detgalhe e eu rastejaria aos pés da Lorena pelo resto da vida se fosse preciso para ela me perdoar. O Andrey e o Julian notaram o choque no meu rosto, se misturando com a raiva, enquanto um turbilhão de pensamentos e a verdade me atingia como um trem desgovernado.

- Eu quero toda a verdade. Eu preciso saber. - Eu sibilei, ainda tentando formular as perguntas certas. Então o Andrey se antecipou.

- E porque você começou a espalhar a mentira? Isso só incentivou o interesse dos homens. - O Andrey comentou com uma lógica inegável.

- Eu a odeio! Eu perdi os meus melhores clientes por culpa dela, todos a queriam. Aí eu ouvi ela e a Pandora conversando e descopbri que ela tinha dormido com você, Albelini. E ela estava com raiva porque você insistia em pagá-la... otária! Então eu tive a idéia, espalhei a fofoca de que ela estava cobrando caríssimo pelo programa, pensando que os clientes acabariam desistindo ou ela faria alguma bobagem que insultasse alguém e acabaria demitida. - Ela sorriu, começando a relaxar, ela não se arrependia do que tinha feito. - Mas aí um dia ela saiu, simplesmente foi embora. Eu pensei que tudo voltaria a ser como antes, mas os clientes continuavam procurando por ela, oferecendo dinheiro para quem tivesse informação.

- E você com certeza deu muitas informações, mas nenhuma verdadeira. - Eu a encarei furioso. - Por quê?

- Money, gato! Tinha muito dinheiro rolando para quem desse qualquer pista. Ninguém sabia nada, ninguém teria como saber se a informação que eu dava era falsa. - Ela sorriu. - Ganhei um bom dinheiro. Até aparecer aquele detetive do ricaço e me oferecer uma grana alta por provas.

- E o que você fez? - Eu perguntei.

- Consegui as provas, na sala do Barão. Fiz cópia de algumas imagens das câmeras de segurança. Ela saindo e chegando sem maquiagem. Era tudo o que tinha. O Barão não usa o nome verdadeiro de ninguém dentro da boate, nem o dele mesmo. Lá dentro, é como se todas as mulheres fossem fantasmas, simplesmente não existem. - Ela declarou. - Depois eu avisei ao Barão que estava fora, o cara me pagou uma boa grana e eu sabia que era questão de tempo até ele ver as câmeras e descobrir que eu estive xeretando o escritório dele e ele acabaria com a minha raça.

- Esse era o detetive do Simão. Eu peguei as imagens e destruí. E paguei uma grana maior ainda para o detetive informar ao Simão que não tinha nada contra a Fada. - O Julian confessou e eu estava prestes a perguntar, mas ele foi mais rápido. - Depois te explico.

- Se foi só isso o que você conseguiu, porque chegou às minhas mãos um arquivo enorme, com documentos da boate, fotos da Scarlat com outros homens, um relatório detalhado? - Eu perguntei, o meu tom mais ameaçador.

- Porque depois que eu entreguei as imagens para o detetive do ricaço, um outro que sempre está na boate me chamou. Eu era informante dele. Ele é tipo o detetive oficial das mulheres traídas que os maridos frequentavam a boate. - Ela deu uma risada. - O cara é gente boa, mas trabalha para gente que não paga muito bem. E ele é meio preguiçoso e um picareta que gosta de umas malandragens. Ele tinha ouvido a minha conversa com o outro detetive e quis saber o que eu dei para ele. Ele me deu um dinheiro só para saber isso. Eu contei. - Ela deu de ombros. - Mas ele disse que era pouco, que isso não impressionaria a cliente dele, a mulher queria provas que a Scarlat fazia programas e ele já tinha cobrado porque ela parecia ter dinheiro. Eu disse para ele que a Scarlat nunca havia se vendido, que não existiam provas reais de prostituição. Aí ele teve a ideia de fazer aqueles documentos e me perguntou quanto eu queria para fazer umas fotos vestida de Scarlat.

- Filhos da puta! - Eu grunhi. - Você o ajudou.

- O que você quer dizer com isso, Andrey? Você acha que eu vou permitir que ela continue arrastando a Scarlat na lama? - Eu o encarei, o peito arfante.

- Pense como um empresário, Albelini. - O Andrey explicou com um meio sorriso inteligente e me puxou para longe daquela mulher, abaixando a voz. - É excelente para ê, para a Lô e para o Grupo Albelini que a Meduza continue operando como a Scarlat ativa no mercado de luxo da internet. Enquanto essa garota assumir publicamente a persona da Scarlat, ninguém na alta sociedade poderá incriminar, associar ou caçar o rastro da Lorena no futuro... nem no passado. A Lorena fica eternamente blindada e limpa de qualquer mancha ou qualquer perseguição. Deixe a cópia barata no mercado. A grife da Scarlat agora serve como o escudo invisível da sua Fada. Entende?

Eu estreitei os olhos para o Andrey, ele tinha razão. A Lorena estava acima de qualquer suspeita agora.

- Está certo. Você tem razão. - Eu concordei. - Façam essa mulher se tornar a Scarlat para sempre e nunca mais falar da minha Fada. Eu preciso sair daqui. Espero por vocês na recepção.

Eu virei as costas, bati a porta do quarto com um estrondo violento que fez as paredes tremerem e marchei pelo corredor em um rompante perturbado, culpada, insano. Eu estava com medo de ter acordado tarde demais para a verdade. A Lorena, a mulher da minha vida não era uma prostituta vulgar, mas por que ela escondeu de mim que era a Scarlat? Por que ela não me contou? Eu precisava saber, precisava falar com o Julian, porque ele sabia muito mais do que eu, precisava falar com a minha Lorena.

Mas, agora que o Carlos Eduardo estava trancado na cadeia, e eu faria de tudo para que ele não saísse tão cedo, e a farsa da Meduza havia sido desmascarada, agora eu precisava acertar as contas com a Adelaide e colocá-la para fora da minha casa outra vez. E isso me fez lembrar que eu ainda precisava acabar com aquele casamento estúpido no qual eu me meti por puro despeito.

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