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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 282

"Érick"

Eu estava completamente abalado com tudo o que ouvi naquele quarto de hotel. Como eu pude estar tão cego? Depois de tudo, o Julian, o Andrey e eu voltamos para o Grupo Albelini em um silêncio mortal, mas a confissão da Meduza parecia ser um grito dentro da minha cabeça, estraçalhando a minha sanidade. Eu me joguei na minha cadeira, parecendo só uma sombra de mim mesmo, sem ter ideia de como resolver toda a injustiça que eu cometi. Eu precisava procurar a Lorena, precisava pedir perdão, mas antes eu precisava limpar aquele ninho de cobras que a minha casa havia se tornado e limpar a imagem da Lorena.

- Comece a falar, Julian, eu quero toda a verdade, tudo o que você sabe, como cada coisa aconteceu. Porque já está bem claro para mim que você sabe de muito mais coisa do que o que falou até agora. - Eu ordenei com a voz rouca e ríspida, engolindo o resto do meu orgulho.

O Julian, eu estava de pé perto da porta, caminhou tranquilamente e se sentou em minha frente. Ele passou a mão pelo rosto exausto e me encarou com os olhos carregados.

- Érick, você não descobriu que a Lorena era a Scarlat porque não quis. - Ele começou e eu o encarei irritado, eu não queria sermão. - Nem precisa me olhar assim, você quer saber tudo, eu vou te contar, mas você também vai ouvir sobre os seus erros.

- Está bem, é justo. Eu fui um estúpido mesmo. - Eu concordei esfregando os olhos.

- Antes de mais nada, Érick, só me responde uma coisa. - O Andrey se levantou, foi até o armário e voltou com uma garrafa de whisky e três copos. Se sentou calmamente e serviu a bebida. - Realmente faria diferença para você se a lorena fosse garota de programa? Porque eu nunca imaginei que você fosse do tipo puritano.

Eu virei a bebida e bati o copo na mesa, pensei por um momento e perguntei a mim mesmo: faria diferença? Eu sabia a resposta de estalo.

- Não, Andrey, não faria diferença. O que fez diferença foi a mentira, foi ela não confiar em mim. Foi ela esconder quem ela realmente era. Eu odeio mentiras e o fato dela mentir me fez acreditar em todas as coisas que falaram sobre ela. E acabei cometendo uma grande injustiça. - Eu respirei fundo e continuei. - Mas eu fui um idiota, porque obviamente eu a magoei e eu não consigo esquecê-la.

- Você é um idiota! - O Julian levantou o copo como se oferecesse um brinde. - Você reconheceu imediatamente que a Meduza não era a Scarlat, mas não reconheceu a Lorena na Scarlat. O que me diz que você só enxerga o que quer.

- Julian, a Lorena se comportava de maneira totalmente diferente da Scarlat. Quando nós... quando nós estávamos em momentos íntimos, eu ficava confuso, porque não tirava a Scarlat da cabeça. Algumas coisas que ela falava ou alguns gestos... mas eu... eu não quis ver. Você tem razão, eu sou um idiota!

- Ótimo! Agora que já estabelecemos o principal, deixa eu te dizer, havia algo na Lorena que me fazia pensar que ela escondia algo. Era mais uma sensação. Então eu conheci a Marcelina e eu fiquei como você, ela me lembrava a Pandora, mas eu não queria ver. Até que no dia em que ela se despediu, na primeira estadia na sua casa, uma coisa que ela falou... uma única palavra e eu tive certeza de quem elas eram, ou como nós as conhecíamos antes. - O Julian começou a contar.

- Mas e o dossiê da Adelaide? - Eu trinquei o maxilar, eu estava furioso só de pensar naquela maldita governanta. - Como você, com todos os seus recursos, sabendo que eles estavam armando, não conseguiu rastrear que a minha governanta estava operando com um picareta para forjar as montagens contra a Lorena?

- Porque eu não dei a Adelaide crédito, Érick! Eu não pensei que ela fosse capaz de ir tão longe. - O Julian desabafou com um riso ríspido, jogando as mãos para o alto. - A Lorena desconfiou que tinha algo errado, ela me alertou. Eu investiguei, mas cada ligação que eu monitorava dava em um beco sem saída. Eu não consegui chegar ao outro detetive. Mas agora, com o que a Meduza contou sobre o detetive picareta das traídas, eu deduzi o meu erro. Aquele malandro forja provas. Ele precisa desaparecer antes que seja descoberto pelas suas mentiras. Ele usa celulares descartáveis, comprados sem rastro digital no mercado paralelo, trocando de chip a cada transação com a Adelaide. Havia dois números, duas ligações que duraram menos de dez segundos, e a única coisa que eu consegui sobre elas é que foram feitas de algum lugar perto do escritório do detetive do Simão, eu deduzi que era ele.

- Mas não era. E você pensou que a Adelaide estivesse em contato com o detetive do Simão para pegar as provas e me entregar. - Eu concluí e ele fez que sim.

- Eu fui enganado por um truque barato de celulares descartáveis. - O Julian admitiu.

- E por ter subestimado a Adelaide. - O Andrey frisou. - Érick, acho que você percebe que precisa tirar essa mulher da sua casa, não é? Ela é um perigo. É o tipo de pessoa que não podemos prever.

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