"Érick"
Eu estava completamente abalado com tudo o que ouvi naquele quarto de hotel. Como eu pude estar tão cego? Depois de tudo, o Julian, o Andrey e eu voltamos para o Grupo Albelini em um silêncio mortal, mas a confissão da Meduza parecia ser um grito dentro da minha cabeça, estraçalhando a minha sanidade. Eu me joguei na minha cadeira, parecendo só uma sombra de mim mesmo, sem ter ideia de como resolver toda a injustiça que eu cometi. Eu precisava procurar a Lorena, precisava pedir perdão, mas antes eu precisava limpar aquele ninho de cobras que a minha casa havia se tornado e limpar a imagem da Lorena.
- Comece a falar, Julian, eu quero toda a verdade, tudo o que você sabe, como cada coisa aconteceu. Porque já está bem claro para mim que você sabe de muito mais coisa do que o que falou até agora. - Eu ordenei com a voz rouca e ríspida, engolindo o resto do meu orgulho.
O Julian, eu estava de pé perto da porta, caminhou tranquilamente e se sentou em minha frente. Ele passou a mão pelo rosto exausto e me encarou com os olhos carregados.
- Érick, você não descobriu que a Lorena era a Scarlat porque não quis. - Ele começou e eu o encarei irritado, eu não queria sermão. - Nem precisa me olhar assim, você quer saber tudo, eu vou te contar, mas você também vai ouvir sobre os seus erros.
- Está bem, é justo. Eu fui um estúpido mesmo. - Eu concordei esfregando os olhos.
- Antes de mais nada, Érick, só me responde uma coisa. - O Andrey se levantou, foi até o armário e voltou com uma garrafa de whisky e três copos. Se sentou calmamente e serviu a bebida. - Realmente faria diferença para você se a lorena fosse garota de programa? Porque eu nunca imaginei que você fosse do tipo puritano.
Eu virei a bebida e bati o copo na mesa, pensei por um momento e perguntei a mim mesmo: faria diferença? Eu sabia a resposta de estalo.
- Não, Andrey, não faria diferença. O que fez diferença foi a mentira, foi ela não confiar em mim. Foi ela esconder quem ela realmente era. Eu odeio mentiras e o fato dela mentir me fez acreditar em todas as coisas que falaram sobre ela. E acabei cometendo uma grande injustiça. - Eu respirei fundo e continuei. - Mas eu fui um idiota, porque obviamente eu a magoei e eu não consigo esquecê-la.
- Você é um idiota! - O Julian levantou o copo como se oferecesse um brinde. - Você reconheceu imediatamente que a Meduza não era a Scarlat, mas não reconheceu a Lorena na Scarlat. O que me diz que você só enxerga o que quer.
- Julian, a Lorena se comportava de maneira totalmente diferente da Scarlat. Quando nós... quando nós estávamos em momentos íntimos, eu ficava confuso, porque não tirava a Scarlat da cabeça. Algumas coisas que ela falava ou alguns gestos... mas eu... eu não quis ver. Você tem razão, eu sou um idiota!
- Ótimo! Agora que já estabelecemos o principal, deixa eu te dizer, havia algo na Lorena que me fazia pensar que ela escondia algo. Era mais uma sensação. Então eu conheci a Marcelina e eu fiquei como você, ela me lembrava a Pandora, mas eu não queria ver. Até que no dia em que ela se despediu, na primeira estadia na sua casa, uma coisa que ela falou... uma única palavra e eu tive certeza de quem elas eram, ou como nós as conhecíamos antes. - O Julian começou a contar.

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