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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 285

"Érick"

As palavras confiantes da governanta foram disparadas contra mim como uma saraivada de tiros. Eu havia colocado o inimigo na minha própria casa e agora teria que lutar contra ele. Eu encarei a Adelaide, eu estava praticamente rosnando. Eu queria arrancar a cabeça dela.

- EU NÃO POSSO FAZER NADA? COMO VOCÊ OUSA? DENTRO DA MINHA CASA? - Eu gritei na cara dela. - Você está aqui porque a Victória é outra cobra manipuladora da qual eu estou me livrando, mas quem paga o seu salário sou eu! Então, Adelaide, eu posso e vou te colocar para fora. Suma da minha casa em dez minutos, Adelaide, ou eu mesmo esqueço os meus princípios e te arrasto pelos cabelos até a calçada! Saia!

A governanta desabou em tremores, dando passos vacilantes para o lado em direção ao corredor de serviço, totalmente chocada com a minha explosão de fúria.

Mas o som dos meus gritos na sala de jantar foi interrompido pelo ruído ríspido de saltos altos batendo contra os degraus da escada e passos apressados vindos do corredor de serviço. Eu olhei para a porta do corredor e vi o Alberto entrando apressado. Girei os calcanhares lentamente, minha respiração acelerada como o meu pulso, tamanha a raiva que me consumia. Atrás de mim, a Victória entrava num rompante na sala de jantar, a máscara de calma e compreensão rachada e os olhos injetados de raiva que eu duvidava que pudesse ser maior que a minha.

Eu mantinha os meus olhos fixos na Victória, a mulher que eu não fazia ideia de quem realmente era. O meu peito subindo e descendo rápido enquanto a adrenalina ainda queimava nas minhas veias. A minha fúria era real, mas a ganância que transparecia em seus traços me dava asco. Eu não estava nem aí que legalmente aquela mulher fosse minha esposa, ela sairia junto com a Adelaide, eu colocaria todos os demônios para fora da minha casa.

- Alberto. - Eu chamei sem desviar a atenção da mulher vestida de bege na minha frente, a minha voz saindo num tom frio. - Acompanhe a Adelaide até o quarto, pegue as malas dela e coloque essa traidora para fora do meu portão agora mesmo. Você já foi expulsa uma vez, Adelaide, sabe como funciona, passe na holding amanhã para assinar os papéis.

- Sim, senhor. - O Alberto respondeu de imediato, a postura profissional impecável. Ele indicou a porta para a Adelaide, que ainda tremia encolhida contra a parede.

- Você não pode fazer isso, Érick! Ela é minha funcionária. - A Victória falou irritada.

- Ah, enquanto eu pago o salário dela e ela está na minha casa, eu posso fazer o que eu quiser. Mas não se preocupe, Victória, você também está de saída e vai poder acolher a sua empregada sob o teto do seu apartamento e pagar o salário dela. Bem longe de mim!

A porta bateu depois que o Alberto levou a Adelaide para fora. O silêncio que desabou sala de jantar foi mortal. Ficamos apenas A victória e eu nos encarando, duas forças em colisão.

A Victória deu dois passos firmes em direção a mim, e jogou um calhamaço de papéis em cima da mesa de café da manhã com um baque violento. Era a notificação prévia do divórcio litigioso que o advogado havia preparado sob a supervisão do Andrey.

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