"Érick"
O eco daquela gargalhada odiosa continuava reverberando entre as paredes, mas o choque que me congelou durou apenas um milésimo de segundo. Eu não ia me deitar e aceitar aquele golpe como um idiota manipulavel. Eu já tinha me deixado fazer de bobo demais.
O ódio mais primitivo despertou em mim, eu estava a um passo de um surto psicótico de fúria que começava a coçar debaixo da minha pele. A audácia daquela sonsa havia cruzado a linha do suportável. Eu queria apertar o pescoço dela, fazê-la engolir as próprias palavras e morrer engasgada com o próprio veneno. Mas eu não podia dar um passo em falso e agir errado, por isso eu engoli o desespero à força e recuperei a frieza necessária para o gerenciamento de crises.
- Você diz que está grávida. Eu não acredito. - Eu comecei, a minha voz fria e cortante. - Você vai subir para o quarto agora mesmo, Victória, vai pegar os seus trapos sem cor e sem graça, fazer a sua mala e vai entrar no carro do Alberto. - Era um ultimato feroz. Eu dei um passo na direção dela. - Grávida ou não, você sai da minha casa agora. E daqui, nós vamos a um laboratório da minha confiança fazer um teste de gravidez e se já for possível um teste de DNA. Eu exijo um exame de sangue coletado na minha frente. Se essa gravidez for outra mentira sua, Victória, pode ter certeza que você não vai apenas sair da minha vida sem nada, mas eu vou acabar com você! Vamos agora!
A Victória recuou dois passos lentamente e sustentou o meu olhar com um cinismo descarado e inabalável.
- Eu não vou a lugar nenhum, Érick. E eu não vou a um laratório, eu não sou obrigada a fornecer nenhuma prova de sangue para os seus caprichos. Eu estou grávida e a minha palavra basta. - Ela se negou friamente, soltando um riso sádico que quase arrancou a minha frágil estabilidade. - Você não pode me forçar a nada de forma física, nem mesmo um juiz pode, Érick. Você vai ter que sentar e esperar a minha barriga crescer mês a mês, vai ver o bebê nascer. Ah, e isso serve para o DNA também, eu nunca vou permitir. Então, meu querido, vai por mim, é melhor deixarmos as coisas como estão, ou eu vou arrancar a metade de tudo o que você tem. Ah, e sobre sair da casa, o meu advogado já está informando ao juiz que eu carrego o seu herdeiro. Eu duvido muito que o juiz permita que uma mulher grávida seja jogada na rua. - Ela passou a mão na barriga com um sorriso diabólico.
- Você sabe que não é assim, Victória! O processo de divórcio vai continuar. Eu vou te colocar para fora e se você se negar a esse DNA, o juiz pode declarar que eu não sou o pai. - Eu respondi friamente. Por mais protegida que ela estivesse pela lei, eu também não estava tão exposto assim. Mas o sorriso cínico dela deixou claro que seria uma batalha sangrenta.
- Sim, Érick, o juiz pode declarar que você não é o pai, mas considerando a complexidade da nossa situação, isso pode levar meses ou anos. Mas será, Érick, que você vai conseguir dormir com a dúvida para o resto da sua vida? E só para te lembrar, imagine o escândalo quando eu colocar nos jornais e na internet. Se a notícia do nosso casamento já causou um frisson... imagine uma gravidez.
- Foi você quem divulgou o casamento. - Eu finalmente tinha a confirmação para a publicação daquilo.
- Claro que fui eu! Você tirou todo o glamour de uma cerimônia, mas eu providenciei para que o mundo soubesse que eu sou a Sra. Albelini! - Ela sorriu e virou os calcanhares com total arrogância. - Nos vemos à noite, meu querido! Ah, pode expulsar a inútil da governanta, eu não me importo. Não preciso mais dela.
Eu fiquei estático no centro da sala de jantar vazia, com os punhos cerrados e completamente sufocado. Eu estava louco de ódio, mas no meio daquele mar de confusão, as palavras que o Julian Beaumont havia dito começaram a latejar na minha cabeça me deixando encurralado: "você vai se arrepender... espero que não seja tarde demais... nem adianta ir atrás da Lorena com a aliança de outra no dedo... você precisa se esforçar." Eu estava casado de papel passado, encurralado por uma gravidez que eu tinha certeza que era falsa, e eu sentia que estava começando a colapsar.


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