"Lorena"
Depois de me livrar do Carlos Eduardo eu me sentia muito segura e bem mais tranquila. Eu ainda esperava o Dr. Mariano me orientar sobre o que eu deveria fazer para resguardar os meus direitos de mãe quando contasse ao Érick sobre a gravidez, mas ele ainda não tinha me dado nenhuma resposta. Não que eu tivesse pressa, e com o passar dos dias, na tranquilidade do meu trabalho, eu acabei deixando o assunto de lado, eu também não estava ansiosa para ser chamada de prostituta interesseira outra vez.
Os dias se desdobravam em um ritmo calmo como os pontos de tricô que eu aprendia com a D. Cecília. A D. Débora e o marido viajaram de novo e o Lucas havia se tornado um bom amigo, sempre preocupado com o meu bebê e com o meu bem estar. Eu via a minha barriga crescer com total saúde entrando no sexto mês de gestação. A saliência já era perfeitamente redonda e nítida sob o uniforme confortável que eu usava.
Eu estava sentada no jardim, enquanto a D. Cecília tirava um cochilo depois do almoço e percebi o Lucas marchar pelo pátio de pedras até o portão onde havia o alvoroço de um homem tentando forçar a entrada. Curiosa, eu me levantei e fui caminhando na mesma direção. Quando os meus olhos focaram no intruso, o ar sumiu dos meus pulmões por um milésimo de segundo.
Era o Osório. O advogado, amigo íntimo e cúmplice do Carlos Eduardo. O homem que me atolou em processos, ajudou a limpar as minhas economias e ainda debochou de mim, fazendo questão de dizer que não me suportava. O que ele queria aqui? Ele estava pálido, com o colarinho suado, o cabelo bagunçado, o semblante carregado e as mãos trêmulas.
- Lorena... - Ele gritou ao me ver me aproximar. - Lorena... por favor, você precisa me escutar!
- Ela não vai recebê-lo e o senhor, por favor, se retire da minha casa. - O Lucas falou calmamente.
Na noite em que o Carlos Eduardo foi preso, eu contei tudo para o Lucas. Era no mínimo justo que ele soubesse, ele tinha passado dias preocupado comigo e cuidando do meu bem estar. E eu não suportava mais ter segredos na minha vida. Ele foi compreensivo, gentil e me garantiu que eu contava com a amizade dele. E ele se mostrava um bom amigo, respeitando o meu silêncio sobre o pai do meu filho e garantindo que o meu passado na boate não tinha a mínima importância para ele.
- Lorena, o Carlos Eduardo e a Leilane foram presos por sua culpa! você precisa me ouvir. - O Osório insistiu.
- Não foi minha culpa eles serem presos, Osório. Eles foram presos porque tentaram me extorquir. Ah, e porque o seu amigo é um ladrão. - Eu respondi e me aproximei do Lucas. O portão estava fechado, mas o Osório não se importava de estar no meio da rua.
- Tudo bem, Lorena, mas você precisa fazer alguma coisa. Os advogados do Érick Albelini não vão parar por aí. Eles estão me acusando de lavagem de dinheiro e eu vou perder a minha carteira jurídica, eu vou perder tudo! Deus, eu nem sabia que o Carlos Eduardo tinha dado um golpe em algum parceiro do Grupo Albelini. Mas eu tenho certeza que isso tem a ver com você, Lorena, porque você trabalhou na casa do Érick Albelini por meses, eu sei. Eu imploro, Lorena... interceda por mim, eu tenho filhos para criar. Fale com o Albelini! Peça para ele retirar os processos criminais contra nós. Você sabe que eu só ajudei o Carlos Eduardo porque...
- Chega, Osório! - Eu o interrompi com a voz firme e um sorriso sutil e vitorioso no rosto ao sentir o puro gosto da justiça sendo feita. - Quando o seu amigo me destruiu e me abandonou na sarjeta, eu implorei a sua ajuda e você se lembra do que fez? Você riu de mim e me aconselhou a contratar um bom advogado. Eu não tenho obrigação de fazer nada por nenhum de vocês. E sendo bem sincera, eu espero que vocês sejam todos presos e paguem pelos crimes e canalhices que cometeram.
- Você não pode fazer isso! - O Osório protestou agarrado as grades do portão.
- Olha, Osório, eu vou fazer uma coisa por você. - Eu falei e um sorriso esperançoso se abriu no rosto dele. - Eu vou te devolver aquele conselho que você me deu. Então, contrate um advogado para garantir que vocês tenham um julgamento justo e organizar todas as dívidas que vocês vão passar a vida inteira pagando e ainda morrerão devendo. - Eu devolvi as mesmas palavras que um dia ele usou para me humilhar e acrescentei: - Mas contrate um bom advogado, porque você é medíocre! A culpa é de vocês, vocês me roubaram tudo.
O Osório sacudiu o portão violentamente, esticando o braço em minha sireção como se quisesse me agarrar, cego de desespero. Mas o Lucas se colocou na minha frente.
- Afaste-se agora mesmo. Suma daqui e nunca mais a procure. Esqueça que a Lorena existe. Ou eu chamo a polícia e você sai daqui preso agora mesmo! - O Lucas deu a ordem com uma autoridade que fez o Osório congelar. - A Lorena está sob a minha proteção. Se você pisar perto dela mais uma vez, eu te coloco na cadeia com mais algumas acusações e vou garantir que você vai apodrecer lá. Saia!
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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite