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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 308

"Verônica"

O ar do escritório do Barão parecia ter se esvaziado de todo o oxigênio. Assisti, paralisada os braços do Simão serem torcidos para trás e as algemas travarem nos seus pulsos. Ele gaguejou, desabando em tremores e fúria impotente, sob os olhos de deboche daqueles homens. E eu, estava tomada pelo desespero, aquilo era a nossa ruína financeira completa.

- Não! Simão! Pelo amor de Deus, faça alguma coisa! Você não pode ser preso assim e perder tudo. Como eu fico? - Eu gritei de forma estridente, o pânico tomando conta de mim. - O meu dinheiro! Eu não posso ficar sem dinheiro, Simão! Eu sou uma dama da elite dessa cidade.

- Você não é nada, Verônica! É apenas a minha amante! - O Simão respondeu irritado, com aquela pose de quem ainda tinha poder. - Fale com o advogado. Diga para ele dar um jeito e apareça com ele na delegacia.

- Eu não vou colocar os meus pés numa delegacia. - Eu gritei. - Me dê o cartão do banco e a senha, Simão. Eu vou mandar o advogado e te esperar no hotel.

- Você ainda não entendeu, Verônica? O Simão não tem mais nada, está tudo bloqueado. Vocês não tem mais acesso a nem um centavo. - O Julian sorriu.

- Não! Não pode ser! Eu não posso ficar sem dinheiro! - Eu me desesperei completamente e comecei a chorar de forma histérica. O tal Barão se aproximou a passos lentos.

- Olhe, senhora... eu sou um homem de bons sentimentos e não gosto de ver uma mulher passando necessidade. - O Barão ofereceu um sorriso para mim. - Eu tenho duas vagas abertas na boate. Duvido que você saiba preparar drinques elaborados, mas eu posso te dar um emprego de garçonete. O serviço é duro, mas o Barão paga direitinho suas meninas. Embora a senhora não seja tão menina assim mais.

Eu dei um salto para trás, as minhas pupilas dilatando de puro ódio. Quem aquele homem pensava que eu era? Eu agarrou as alças da minha bolsa e sequei as lágrimas.

- GARÇONETE? VOCÊ FICOU LOUCO, SEU VELHO NOJENTO? - Eu gritei com ele, a minha voz trêmula de fúria e humilhação. - Eu sou uma mulher de classe! Uma dama! Herdeira de uma família respeitada! Este antro de perdição e de vadias sem berço não é o meu lugar! Eu nunca vou me rebaixar a servir os seus clientes! Nunca! E você, Simão, se vire para resolver os seus problemas, sem dinheiro você não me serve para nada!

Eu virei nos calcanhares, deixando o Simão para trás, sozinho com a sua sujeira, mas antes de passar pela porta ainda ouvi aquele asqueroso do Barão rir e olhei furiosa para ele por cima do ombro.

- Como diria a minha santa mãezinha, que Deus a tenha, "a necessidade entra pela porta e o amor salta pela janela"! - O Barão deu dois t***s nas costas de um Simão derrotado. - Acho que ela te deixou, Simão.

- Pode apostar que sim! - Eu decretei e disparei pela porta.

Eu que não ia ficar ali para lamentar por um velho falido! Eu ia voltar para o hotel e pegar tudo o que era meu, o dinheiro que eu sabia que o Simão tinha no cofre e ia para outro lugar. E eu já sabia o que fazer, eu ia para a casa do Albelini, minha prima estava morando lá e ela ia me receber gostando ou não. Pelo menos a estúpida da Victória estava mantendo a farsa da gravidez e nós arrancaríamos um bom dinheiro do Albelini com isso. Ela que não pensasse em me deixar de fora, a ideia tinha sido minha!

Eu desci as escadas correndo, precisava sair daquela boate sem ser vista. Eu precisava manter a minha reputação e começar a caçar outro velho rico para me sustentar. De jeito nenhum eu cairia de nível. Eu não podia ser vista ali.

No entanto, assim que pisei no último degrau da escada, os meus olhos focaram no cubículo do caixa debaixo das luzes vermelhas do salão, a figura sentada ali destoava completamente do restante do ambiente e foi por isso que me chamou a atenção. Meus pés travaram.

Capítulo 308: Uma vaga de garçonete 1

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