"Simão"
Já fazia meses que eu não pisava nesse país. Mas as informações que aquela mercenária da Victória me mandou cinco dias atrás eram tão boas que eu precisava vir fazer o negócio pessoalmente. Além do mais, assim que eu me tornasse sócio do Grupo Albelini de novo, o que seria ainda esta noite, e com as informações que eu tinha em mãos, eu enterraria qualquer investigação sobre os meus negócios questionáveis e ainda arrancaria a presidência do Albelini sob a ameaça de denúnciá-lo por manipulação de mercado e uso de informação privilegiada. Eu tinha o Grupo Albelini nas mãos!
- Não sei por que você me trouxe de volta para esse lugar, Simão. - A Verônica reclamou mais uma vez.
- Porque você não vai ficar na Europa torrando o meu dinheiro, Verônica! - Eu respondi.
- Mas eu preciso mesmo ir com você nesse lugar? - Ela reclamou.
- Sim, Verônica, precisa. O homem com quem vamos nos encontrar é um idiota e talvez, se você for encantadora o suficiente, ele negocie comigo sem que eu precise ameaçá-lo. Então sorria e seja simpática. Agora vamos!
- Esse lugar não é para uma dama como eu, Simão! - Ela reclamou novamente olhando para a fachada da Boate Infernal e eu apenas ri, de dama a Verônica não tinha absolutamente nada.
Eu ajeitei as mangas do meu paletó, o queixo rígido e erguido, enquanto a Verônica caminhava ao meu lado segurando a bolsa de grife olhando para tudo com desdém.
Eu olhei em volta e não vi o Barão no salão, então marchei a passos rápidos e determinados direto para as escadas da área VIP, ignorando as garçonetes que a Verônica fazia questão de fuzilar com a sua arrogância habitual. Um segurança me abordou no alto da escada, mas o Barão, que saía do escritório nos fundos se aproximou rapidamente, estreitando os olhos ao me reconhecer.
- Simão? Eu soube que você estava exilado. Não me diga que deixou o exílio só para se divertir no meu estabelecimento? - O Barão me encarou com um ar zombeteiro. - Você foi escorraçado da holding pelo Albelini, não é mesmo?!
- Cale a boca e nos leve para o seu escritório privado, Barão. Estou aqui para tratar de negócios. - Eu ordenei num tom firme.
- Bem, eu sou um homem de negócios! - Ele exalou com uma cordialidade que eu não esperavaz. - Vamos, final do corredor.
O Barão nos conduziu para a sala dele. Assim que me sentei, peguei o celular e exibi os arquivos que a Victória havia me enviado.
- Como você pode ver, Barão, eu já sei que você é o sócio oculto que comprou as ações do Grupo Albelini e usa o Balthazar De La Vega como seu procurador!
- Puxa! Eu sou?! - O Simão olhava para a tela com aquele jeito simplório.
- Barão, eu vou ser direto com você. Eu quero essas ações. Eu sei que você não gosta de perder dinheiro...
- Não gosto mesmo. - Ele sorriu.
- E por isso eu estou te dando uma chance de não sair disso preso. Eu quero as ações e você vai vendê-las para mim pelo valor que eu quiser pagar.
- E se eu disser não? - Ele se recostou e me encarou com toda a tranquilidade.

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