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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 312

"Heloísa"

A Alice engoliu em seco, apertando o ursinho com mais força contra o peito, mas sustentou o meu olhar. Havia uma lealdade impenetrável na postura dela.

- Vovó, o papai disse que era o nosso segredo exclusivo, é o meu primeiro segredo com o meu papai e eu sou muito boa em guardar segredos. - A menina confessou com a sua risadinha travessa. - Ele só me deu um beijo e prometeu que vai voltar para o nosso castelo assim que a mágica estiver pronta de verdade. Só isso.

- Quando foi que o seu pai te deu esse beijo, querida?

- Antes de viajar! Ele foi lá na minha escola me contar que precisava viajar e ia demorar um pouco. Mas que quando a mágica estivesse pronta, ele ia voltar. E a mágica está quase pronta, não é, vovó?

Por um momento eu fiquei sem reação. No entanto, se o Érick foi ver a filha antes de partir, ele devia estar mantendo contato com ela de alguma forma, ou pelo menos alguém deveria saber como contactá-lo no caso de uma emergência. Mas eu sabia que a Alice não ia entregar o pai e talvez eu devesse começar a procurar quem era o contato do Érick. Mas tinha outra coisa no que a Alice disse que me chamou a atenção.

- Alice, exatamente o que o seu pai falou sobre a mágica?

- Vovó, o papai disse que precisava viajar e ia demorar. Então eu perguntei se ele ia voltar só quando a mágica estivesse pronta e nós pudessemos voltar para a nossa casa e viver todos felizes para sempre. Ele disse que sim, me prometeu que nós seríamos felizes para sempre. Agora, vovó, a mágica está quase pronta e o papai vai voltar logo.

Eu sabia perfeitamente que a mágica que a Alice se referia era o nascimento do filho da Lorena, mas eu também sabia que o Érick foi embora justamente porque pensava que aquele bebê era de outro homem. Mas o Érick esteve com a Alice depois de deixar a carta para mim no escritório, então havia uma chance da Alice ter contado que teria um irmãozinho. E foi esse pensamento que fez uma pergunta começar a latejar na minha cabeça: o que o Érick sabia sobre a mágica?

- Alice, como o seu pai vai saber que a mágica está pronta?

- Não sei. Mas se precisar eu... - Ela colocou a mãozinha na boca, como se impedisse a si mesma de falar.

- Querida, você sabe como falar com o seu pai? - Eu perguntei e a Alice me olhou impassível, como se eu não tivesse dito nada. - Você contou a ele que nós temos visto a Lolô? - Ela fez que não. - Você falou sobre o seu irmãozinho? - Ela fez que não outra vez.

Eu sabia que a Alice não diria mais nada, porém agora eu olhava para aquele ursinho com outros olhos, eu tinha certeza de que a razão para ela estar tão agarrada a ele era que ele guardava algo importante. Mas até conseguir colocar as mãos naquele brinquedo, eu iria começar tendo uma conversa com o Alberto e, se ele não soubesse de nada, eu iria até a escola. E talvez, depois que a Alice dormisse, eu conseguisse ver o brinquedo. De alguma forma eu precisava descobrir onde o Érick estava.

- Vá brincar, Alice. Pode levar o seu ursinho, nós não vamos tentar tirá-lo de você de novo.

Ela se levantou e quando já estava chegando à porta se virou para mim.

- Vovó, falta muito para o meu irmãozinho chegar? - Ela perguntou com uma seriedade que não lhe era habitual.

- Não querida, falta menos de um mês. Você está ansiosa?

- Muito! Eu quero ver logo como ele é. Mas eu também estou com saudade do papai, quero que ele volte logo. - Ela abaixou a cabeça e saiu da sala.

- Ah, Érick, quando você voltar eu vou lhe dar um belo puxão de orelha. - Eu bufei e me levantei. Saí da sala arrumando o meu blazer e encontrei a Dalva saindo da cozinha. - Dalva, não tente pegar o ursinho de novo. Acho que eu entendi o motivo do apego.

Eu expliquei à Dalva rapidamente sobre a minha desconfiança. Ela apenas sorriu, já sabia que a minha neta não descuidaria do brinquedo. Depois de falar com a Dalva, eu fui para o jardim. O Alberto estava lá, tirando ervas daninhas do meu canteiro de margaridas.

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