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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 313

"Lorena"

O sol da manhã de sábado iluminava o patio da vila ainda vazio e silencioso, mas eu sabia que não tardaria para as crianças estarem ali com suas brincadeiras e suas conversas de risadas eufóricas. Eu sorri olhando o lugar vazio, parecia exatamente a calmaria sa minha vida, prestes a ser invadida por um bebê que traria barulho e preencheria o meu coração com um afeto que nunca poderia ser tomado de mim.

- Senhorita, venho buscá-la na segunda pela manhã. - A voz mansa e baixa ao meu lado era do motorista da D. Débora. Eu o agradeci e ele se retirou, deixando a minha mala junto à porta. Era quase sempre ele quem me trazia e me buscava e algumas vezes o Lucas tomou o seu lugar, mas dessa vez o lucas estava muito preocupado que a Morgana fosse ensinar a D. Cecília a dançar com espadas. Eu sorri com a lembrança da discussão deles no dia anterior e acariciei a minha barriga.

Eu já estava no meu nono mês de gestação e me sentia como uma estrutura imensa, pesada e lenta, praticamente eu era uma grande barraca com o meu vestido de algodão, longo, branco com estampa de borboletas coloridas e mangas três quartos. Mesmo assim eu me sentia linda. Ou como dizia o meu bom amigo Lucas, eu estava radiante.

Assim que eu abri a porta de casa eu senti o cheiro de café e de confusão. Encontrei o Julian e a Marcelina se encarando no centro da sala, em mais uma daquelas disputas intermináveis. Mas assim que eles me viram parada na porta esqueceram o que quer que estivessem discutindo e se precipitaram em minha direção.

- Lô! Você chegou cedo. - A Marcelina correu para me abraçar. - Não fica aí parado, Beaumont, traz a mala dela para dentro.

- Não tão cedo, lina, o Julian chegou antes de mim. - Eu ri. - Nao teve tempo de colocar o seu terninho elegante hoje, Julian? - Eu apontei para o homem de jeans e camisa polo puxando a minha mala.

- Eu estou de folga hoje, Lolô, assim como você. E os meus ternos não impressionam a sua amiga. - Ele piscou para mim e se sentou ao meu lado. - Como está o nosso garoto?

- Pode ser uma garota! - A Marcelina o corrigiu enquanto tocava a minha barriga e dizia para o bebê não ligar para o Julian.

O Julian estava pronto para dar uma resposta irônica, mas uma batida na porta fez com que a Marcelina apenas olhasse para ele, sem precisar dizer nada, e ele foi atender.

- Lolô! - A Alice cruzou a porta num rompante determinado, correndo direto para os meus braços. Atrás dela, a Dona Heloísa entrou exalando a sua elegância, acompanhada pela Dalva e pelo Alberto. De repente aquela casa parecia pequena demais.

- Cuidado com a barriga da Lolô, Alice. - A D. Heloísa repreendeu de forma mansa.

- Minha menina! Eu conto os dias e as horas para poder te ver, sabia?! Eu falei a enchendo de beijos e rindo alto enquanto a apertava contra o meu peito, sentindo uma satisfação inestimável por aquele abraço.

- Eu estou tomando muito cuidado, vovó! - A Alice respondeu com os olhinhos azuis brilhando e acariciou delicadamente a minha barriga. - Lolô, eu quero muito, muito que a nossa mágica fique pronta logo.

- Alice, eu estou quase me convencendo de que é uma menina e eu vou ter que chamá-la de "mágica". - Eu declarei rindo.

- Não seja boba, Lolô. Se for menina vai ter nome de princesa. Ai, falta muito, Lolô? - A Alice me perguntou sem tirar os olhos da minha barriga.

- Só um pouquinho. E fique tranquila, se for menina ou menino, você vai me ajudar a escolher o nome. - Eu passei a mão pelo seu rostinho e ela se aconchegou debaixo do meu braço, mantendo a mãozinha possessiva sobre a minha barriga.

- Eu quero que a mágica fique pronta de uma vez para a nossa família voltar para o castelo e viver feliz para sempre! E eu estou com tanta saudade do meu papai... mas ele prometeu na escola que só vai voltar para casa quando a mágica estiver pronta de verdade pra gente ser feliz para sempre.

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