"Lorena"
Um mês inteiro havia se passado desde aquela manhã de sábado bombástica na sala da minha casa. Quando eu fechava os olhos, as memórias daquele dia ainda eram vívidas e eu ainda podia sentir cada segundo, o choque com todas as revelações, o medo sem saber onde o Érick estava, a bolsa rompendo, a dor física, a emergência, a minha pressão alta demais, o parto de risco, o medo e o desgaste emocional. Tudo isso ainda fazia o meu coração disparar.
Durante a gestação eu passei por tantas emoções difíceis, que depois que eu passei mal por culpa do Carlos Eduardo, o Lucas fez questão de monitorar cada detalhe para evitar que tivesse mais problemas. Meu bebê se desenvolveu saudável e em segurança. Mas naquela manhã de sábado, o mundo virou de ponta cabeça para mim, eu senti o meu peito sendo esmagado pelas revelações da D. Heloísa, um choque destruidor ao descobrir que o Érick havia fugido para o exterior por me flagrar com o Lucas, e a minha bolsa rompendo inesperadamente, tudo me levou a um colapso emocional que fez a minha pressão arterial disparar. Meu filho estava em risco.
O nascimento do meu bebê no hospital havia sido um milagre de dor e redenção de alma. Ele nasceu forte e saudável, apesar de todo o sufoco. E assim que os médicos me estabilizaram e todo o caos passou, eu pude receber as visitas da Dalva e da Marcelina. Ambas emocionadas e preocupadas de que eu estivesse magoada por elas terem escondido aquela história de mim. Mas como eu poderia ficar magoada com a Dalva ou a Marcelina? Aquelas mulheres se moveram para cuidar de mim e me fazer bem desde o dia em que nos conhecemos. Eu sabia que ao guardar o segredo da D. Heloísa, elas tinham os meus melhores interesses no coração.
Elas me contaram que a D. Débora e a família toda estavam no hospital, até a Morgana e a D. Cecília, que estavam deixando o Lucas louco, pois estavam levantando plaquinhas improvisadas quando os médicos passavam dando notas como se fosse um concurso de beleza. E a D. Cecília não foi embora enquanto não pode me ver. Ela e o Lucas entraram no quarto, emocionados e cautelosos, prometendo que eu não me livraria deles.
Mas a Dalva e a Marcelina também me contaram que a D. Heloísa, o Andrey, O Julian, o Alberto e a Alice estavam lá fora muito preocupados. Um a um, por poucos minutos, cada um deles entrou para me ver. O Alberto trouxe uma cesta de maçãs, vermelhas e verdes, dizendo que não tinha ideia se eu podia comer chocolate, então preferiu levar uma fruta que eu gostasse. A Alice quase não ficou no quarto, estava empolgada demais e queria ficar olhando para o bebê mais lindo que ela já tinha visto e arastou o Julian e o Andrey com ela.
E a D. Heloísa ficou tempo suficiente para que eu soubesse que ela só queria que as coisas não tivessem sido tão difíceis e que foi para me preservar que eles não contaram a verdade antes, que fariam isso depois que o bebê nascesse, mas eu fui apressada demais. Eu comecei a rir, eu amava aquela mulher e a forma como ela deixava todo mundo pensar que era só uma mulher sem ocupações além do chá, mas que na verdade comandava o próprio império.


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