"Lorena"
Enquanto eu tomava chá com a D. Heloísa, aquele pensamento que me acompanhava dia e noite e a pergunta que eu fazia a ela todos os dias saiu dos meus lábios.
- Nenhuma notícia dele ainda, D. Heloísa? - Eu perguntei, minha aflição pelo Érick estava aumentando e eu começava a me preocupar que algo ruim tivesse acontecido.
- Nada ainda! A agência que eu contratei não encontrou rastro dele em nenhuma parte ainda. - A senhora respondeu desanimada, sua mão tremeu sutilmente, o coração de mãe dela também estava angustiado.
-D. Heloísa, eu não quero preocupá-la ainda mais, mas... e se aconteceu algo ruim? Um acidente ou... coisas assim acontecem. - Eu perguntei aflita.
- Se fosse assim, querida, nós já saberíamos. A primeira coisa que a agência fez foi disparar um alerta e checar mortos, presos e doentes pelo mundo. Ele está bem, só está isolado.
- Ele já fez isso antes? - Eu perguntei sentindo o meu coração se apertar cada vez mais.
- Não! O Érick tem um senso de responsabilidade muito grande, isso foge completamente do que se pode esperar dele. Mas quando ele voltar, nós vamos colocar um chip de localização, o que você acha? - Ela sugeriu bem humorada.
- Eu vou ba'ter naquela cabeça dura até ele entender que não se resolve nada fugindo. - Eu bufei.
Mas não éramos apenas nós que estávamos preocupadas, a Alice andava amoada pelos cantos, nem o bebê a alegrava mais, embora ela fosse uma irmã mais velha protetora. Ela entrou na sala de cabeça baixa e se enrolou na poltrona de canto, fazendo biquinho e suspirando.
- O que houve, minha menina? - Eu perguntei docemente e abri os braços, ela veio para o meu colo e eu acariciei os seus cabelos.
- Eu estou muito chateada com o meu papai, Lolô! - A garotinha confessou, os olhinhos azuis brilhando magoados. - A mágica ficou pronta e ele não voltou para nos levar para casa. O papai prometeu na escola que ia voltar logo! Ele está quebrando a promessa!
A D. Heloísa e eu trocamos um olhar ansioso.
- Lorena, nós precisamos considerar a sugestão do Julian. - A Dona Heloísa interveio com seriedade. - Talvez seja hora de dar publicidade total a tudo o que aconteceu. Vamos anunciar o nascimento do bebê, informar que é um Albelini, que você é a futura Sra. Albelini e anunciar a sua posse oficial no Conselho do Grupo Albelini perante o mercado internacional. Se essa notícia de transição explodir na internet, o Érick sai do esconderijo e pega o primeiro vôo de volta para casa. Talvez seja a única forma de trazê-lo de volta.
- Eu não sou a futura Sra. Albelini, D. Heloísa. - Eu a corrigi. - O Érick e eu temos muita coisa para resolver.
- Você não quer mais ser a minha mamãe, Lolô? - A Alice me olhou assustada e com as lágrimas brilhando nos olhos.
- Minha menina, eu sou a sua mamãe e nada muda isso. - Eu dei um beijo em sua testa e a puxei para o meu peito afagando o seu cabelo.
- Mas nós deveríamos anunciar o resto, Lorena. E incluir que ele tirou conclusões precipitadas. - A D. Heloísa insistiu.
- Eu tenho medo, Dona Heloísa... o Érick não gosta de exposição. A senhora já tentou isso, dando publicidade à anulação do casamento dele com a Victória e a falsa gravidez. Não deu resultado. - Eu desabafei num sussurro rouco, as lágrimas queimando os meus olhos. Apoiei o queixo no topo da cabeça da Alice, sentindo o meu peito apertar. - Já se passaram semanas. E se o Érick entrou em um colapso tão grande que decidiu não...
- Ele pelo menos buscaria a Alice, querida. Disso eu não tenho dúvida. - A D. Heloísa captou o meu medo do Érick não voltar mais. Mas a ansiedade cresceu no meu peito.
- E se... e se ele tiver encontrado outra pessoa no exterior e refeito a vida com outra mulher por achar que eu tinha refeito a minha? - Eu perguntei sem pensar, num fio de voz.
A Alice deu um sobressalto no meu colo no mesmo milésimo de segundo. Ela se virou rápido, as pupilas azuis dilatando em estado de choque e pânico ao compreender o que eu disse.

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