O tufão castigara a cidade durante um dia inteiro. A chuva torrencial não dera trégua em momento algum.
O condomínio estava em completo caos. Árvores recém-plantadas e até as mais antigas, grossas e cheias de galhos, encontravam-se tortas, quebradas, algumas arrancadas do chão.
Ruas mais baixas e garagens subterrâneas haviam sido tomadas pela água.
O condomínio também não escapara da tragédia.
Logo cedo, Henrique recebeu uma notificação da administração informando que o estacionamento subterrâneo fora inundado.
Ele permaneceu tranquilo.
Desde o meio-dia do dia anterior, já tinha retirado o carro dali e o estacionado em um prédio alto, a dois quilômetros de distância.
O vento estava um pouco mais fraco, mas a chuva seguia firme. Do lado de fora, tudo parecia escuro e pesado, e o nível da água subia pouco a pouco.
O relógio biológico de Henrique sempre fora preciso. Ele acordava cedo, fazia a higiene matinal e ia direto preparar o café da manhã.
Abriu a geladeira e tirou ovos, macarrão, verduras… E cebolinha.
Ela não comia cebolinha.
Henrique hesitou por alguns segundos e, então, devolveu a cebolinha à geladeira.
No quarto.
Carolina foi despertada pelo toque insistente do telefone.
Na verdade, nem chegou a acordar direito. Com os olhos semicerrados, tateou até encontrar o celular, atendeu e o encostou ao ouvido.
Do outro lado da linha, a voz do diretor veio em tom de cobrança, carregada de irritação contida:
— Carolina, o que foi que você fez? A parte envolvida naquele caso de infração de marca ligou para reclamar de você. Disse que seu atendimento foi pouco profissional, que você teve um temperamento péssimo e uma atitude extremamente grosseira. Chegou a dizer que você foi vulgar e exagerada. O que, afinal, você fez com essa mulher? Ela já avisou que não vai mais entregar o caso para o escritório. Quero uma explicação convincente.
Carolina não estava nem um pouco disposta a se justificar. Com a voz calma, sem pressa alguma, respondeu:
— Felipe, ela provavelmente nem tem uma empresa registrada no próprio nome. Não existe infração de marca nenhuma. Isso é pura hostilidade pessoal. Ela só estava procurando confusão comigo.
— Então é isso. — Disse o diretor Felipe, compreendendo de repente. — Não é à toa que ela fez questão de chamar você pelo nome. Estava procurando encrenca desde o começo.
— Sim. — Carolina esfregou os olhos, ainda sonolenta.
— Está tudo bem, então. O tufão acabou de passar. Cuide da sua segurança.
— Pode deixar. Você também.
Depois de desligar, Carolina se levantou. Abriu a cortina e olhou para fora, através do vidro.
Bastou um olhar para o coração afundar.
O vento havia cessado, mas as ruas do condomínio estavam alagadas. A água não parecia muito profunda. Lá embaixo, funcionários do prédio, vestindo capas de chuva, limpavam os bueiros entupidos.
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