Eles estavam sentados em silêncio, tomando café da manhã juntos.
Era como se tivessem voltado a cinco anos atrás, à época em que moravam juntos.
Henrique ficava responsável por cozinhar, lavar a louça, varrer e passar pano no chão. Todo trabalho pesado, cansativo ou que machucasse as mãos ficava sempre por conta dele.
Ela cuidava das tarefas leves, como colocar as roupas sujas na máquina, estendê-las, dobrá-las depois de secas e levar o lixo para fora.
Às vezes, quando a preguiça batia, ela fazia charme, dizia que não queria se levantar. Henrique acabava fazendo tudo por ela.
Agora, tudo tinha mudado.
Mesmo sentados à mesma mesa, tomando o mesmo café da manhã, o estado de espírito e a relação entre eles já não eram os mesmos.
Henrique terminou primeiro. Limpou a boca, pousou os talheres e ficou ali, em silêncio, esperando por ela. O olhar, turvo e indecifrável, recaía sobre Carolina.
Ela percebeu aquele olhar, mas não teve coragem de encará-lo. Apurou o ritmo, terminou de comer e se levantou para recolher a louça.
— Deixa aí. — Disse Henrique, num tom neutro.
Carolina pousou os pratos de volta à mesa.
— Obrigada por me acolher essa noite. O tufão já passou… Então vou indo.
— A rua está alagada.
— Não está tão fundo. Dá pra passar.
— Vai a pé?
— Eu conferi. O metrô já voltou a funcionar.
Henrique puxou o canto da boca num sorriso frio. Virou o rosto em direção à janela e soltou um suspiro pesado, como se algo estivesse entalado na garganta.
Carolina se levantou, empurrou a cadeira para o lugar e voltou ao quarto. Arrumou a cama com cuidado, pegou a pasta de trabalho e o celular, e saiu.
Henrique permanecia na mesma posição, sentado à mesa de jantar, o rosto de lado, olhando para fora.
Ao redor dele, parecia pairar uma solidão difícil de descrever, como se nuvens densas estivessem se acumulando em silêncio.
Carolina atravessava a sala quando não conseguiu evitar parar. Virou o rosto e olhou para ele.
O coração apertava, ácido de saudade. Ela não queria se despedir e, ainda assim, desejava que não se vissem mais.
Porque cada encontro doía. E não levava a lugar nenhum.
— Posso pegar sua sombrinha emprestada? — Perguntou, por fim.
Henrique não a olhou. A voz saiu grave, baixa:

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