Sempre que Carolina soltava um único gemido de dor, aquele homem ficava aflito, sofria mais do que ela.
Mas havia exceções.
Na primeira vez em que fizeram amor, Henrique fora surpreendentemente bruto.
Não importava o quanto ela o empurrasse, pedisse para parar ou chorasse de dor, ele simplesmente não a soltava.
Henrique não fazia ideia do quanto estava sendo intenso.
Por pouco, não a deixara completamente exausta, à beira de desmaiar.
Depois, ele explicara. Não tinha experiência alguma e aprendera tudo assistindo àqueles filmes.
Na cama, não conseguia distinguir se ela estava sofrendo ou sentindo prazer.
Aquela também fora a vez em que ele pedira desculpas por mais tempo.
E com mais culpa.
A lembrança atravessou o coração de Carolina como lava incandescente, deixando uma dor surda e persistente.
Quando Henrique terminou de passar a pomada, ergueu o rosto para encará-la.
No instante em que seus olhares se encontraram, o rosto dela esquentou. Carolina puxou os pensamentos de volta às pressas, desviou o olhar, constrangida, e recolheu a própria perna.
— Obrigada. — Levantou-se, recuando um passo, rígida. — Já está tarde. Termina o café e vai pra casa.
Henrique pegou a xícara e deu um gole leve.
— Ainda está quente.
— Quer que eu coloque gelo?
— Não precisa.
— Então fica à vontade. Quando terminar, deixa a xícara aqui. E, ao sair, não esquece de fechar a porta.
Depois de dizer o que precisava, Carolina entrou no quarto, deixando Henrique sozinho na sala.
O relógio marcava exatamente uma e quarenta e cinco da madrugada.
Poucos minutos depois, ela já havia removido a maquiagem. Saiu do quarto com a roupa de dormir nos braços e entrou no pequeno banheiro ao lado para tomar banho.
A luz do banheiro se acendeu.
O som contínuo da água correndo preencheu o apartamento.
Henrique se recostou no sofá e, quase por instinto, virou o rosto na direção do banheiro.
Era melhor não ter olhado.
Bastou um segundo para o corpo inteiro pegar fogo.
O vidro fosco não permitia ver com nitidez, mas deixava passar luz e sombras.
A iluminação amarelada desenhava o contorno do corpo de Carolina numa silhueta escura, projetada sobre o vidro.


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