— Ela não gosta de suco de laranja. — Disse Henrique, numa calma que só tornava tudo mais irritante. — Pede um de manga.
Cláudio mal tinha pegado o copo e já o devolveu. O rosto escureceu na hora.
— Rick, vamos conversar em outro lugar.
— Tudo bem.
Henrique se virou e seguiu para a saída dos fundos do salão. Cláudio foi logo atrás.
Do lado de fora, o jardim estava coberto por uma névoa fina.
Os dois atravessaram um caminho estreito, cercado por arbustos altos, deram a volta por um trecho mais afastado e chegaram a um gazebo banhado por uma luz branca e fria.
O som dos insetos se espalhava pelo jardim, como uma melodia baixa e contínua. A brisa da noite roçava o rosto e trazia o perfume suave das flores.
Henrique parou junto ao corrimão, ergueu os olhos e encarou o céu distante, onde as estrelas mal apareciam. Cláudio se apoiou de lado em uma das colunas arredondadas do gazebo, tirou do bolso um maço de cigarros e um isqueiro, puxou um cigarro e o estendeu para Henrique.
Henrique recusou.
— Parei faz tempo.
Cláudio não respondeu. Prendeu o cigarro entre os lábios, baixou a cabeça, acendeu-o, puxou a fumaça e a soltou devagar no ar.
— Rick, eu sei que vocês namoraram a faculdade inteira. Também sei que já reataram uma vez. Mas, no meu caso, é sério. Eu quero disputar isso com você de forma justa.
Henrique virou o rosto para encará-lo. Um sorriso quase imperceptível, amargo, surgiu no canto da boca.
— Justa? Entre nós dois, isso nunca vai ser justo.
Cláudio franziu a testa.
— Por quê?
Henrique sustentou o olhar dele.
— Porque eu e ela sempre fomos um só. Se você insistir nisso, no máximo vai acabar virando o terceiro da história.
Cláudio soltou um riso de deboche e deu uma tragada funda no cigarro.
— Vocês terminaram. O que ficou para trás, ficou. Daqui pra frente, quem combina mais com ela sou eu.
Henrique o encarou sem desviar. Quando falou, sua voz saiu baixa, mas firme:


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