O rosto de Cláudio se fechou de vez, e o sorriso preso em seus lábios ficou rígido, quase impossível de sustentar.
Um lampejo discreto de satisfação passou pelos olhos de Henrique. Então ele se virou, foi até Carolina e disse:
— Vamos.
Carolina fez um leve aceno para Cláudio e saiu com Henrique.
Observando os dois se afastarem, Cláudio cerrou os punhos com força. Rangeu os dentes, tomado pela irritação, e deixou escapar um palavrão entre dentes.
Lílian abriu a boca, hesitante:
— Mano, eu...
— Cala a boca. — Cláudio se virou de repente para encará-la. O peito subia e descia, pesado de raiva. Em voz baixa, mas afiada, falou pausadamente, marcando cada palavra: — Lílian, escuta bem o que eu vou te dizer. Você pode odiar a Carolina. Pode até tentar impedir que Henrique e Carolina fiquem juntos. Mas, se se meter, nem que seja um pouco, na minha tentativa de conquistar a Carolina, eu corto todo o seu dinheiro. E, a partir daí, nem pense em me chamar de irmão.
Lílian abaixou a cabeça.
O ressentimento ainda queimava dentro dela, mas a ameaça de perder o apoio financeiro bastou para fazê-la ceder na mesma hora.
— Desculpa, irmão. Eu sei que errei. Prometo que vou te ajudar a conquistar a Carolina.
— Ainda bem que você entendeu.
Depois disso, Cláudio se afastou, ainda tomado pela irritação, e voltou para o meio dos convidados.
Já era tarde da noite, e a cidade brilhava sob o reflexo intenso dos letreiros e das luzes de néon.
O carro avançava em meio ao fluxo interminável do trânsito, cercado pelo vermelho dos freios, enquanto no interior reinava um silêncio pesado.
Henrique tinha bebido, então chamou um motorista para dirigir por ele.
Carolina estava sentada a seu lado, no banco de trás.
O leve cheiro de álcool, misturado ao perfume limpo e agradável de Henrique, preenchia o carro e se insinuava aos poucos na respiração dela.
Encostada na janela, Carolina mantinha o rosto voltado para a paisagem noturna da cidade.
Ela não sabia quanto tempo tinha passado quando Henrique finalmente quebrou o silêncio sufocante.
— Carolina, você está linda esta noite.
O olhar dele pousou nela por inteiro, franco, direto, carregado de uma admiração que ele nem se preocupava em esconder.
O coração de Carolina falhou por um instante.
Ela sentiu o rosto aquecer levemente e, por sorte, a penumbra dentro do carro escondia bem o breve descontrole que tomou conta dela.
— Obrigada. — Ela baixou os olhos, quase num sussurro.
O olhar dele continuava quente, intenso, e mesmo assim Henrique mantinha a distância de um cavalheiro.
No ar, pairava uma intimidade contida, silenciosa, cada vez mais densa.
Foi logo depois que ele disse aquilo que o motorista, sem falar nada, ligou o som do carro.

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