No instante em que a porta se abriu, o ar da sala pareceu gelar.
Os quatro entraram um atrás do outro.
O primeiro a entrar foi Saulo, pai de Henrique. Vestia um terno preto sob medida, impecável, e cada vinco do tecido parecia exalar uma autoridade que não admitia contestação.
Seu olhar, afiado como o de uma águia, pousou direto em Carolina.
Logo atrás vinha Vanessa, a mãe de Henrique. Usava um vestido branco longo, e o colar de pérolas em seu pescoço refletia um brilho discreto e elegante. Nos lábios, trazia o desenho exato de um sorriso perfeitamente educado.
Em seguida entraram os outros dois: o tio mais velho, Victor, e a esposa, Tainá. Tão imponentes quanto os primeiros.
Juntos, os quatro tinham uma presença esmagadora. A pressão que carregavam caiu sobre Carolina como uma muralha invisível. O peito dela apertou, e até respirar pareceu exigir mais esforço do que o normal.
Carolina não os cumprimentou um por um. Apenas inclinou levemente a cabeça e disse, com educação:
— Olá.
Eles responderam do mesmo jeito, com um simples aceno.
Ao vê-los entrar, a expressão de Henrique também se fechou na mesma hora. O olhar dele foi até Carolina, como quem media a reação dela.
E estava claro: ela estava desconfortável. E assustada.
— Pai, mãe, tio, tia... O que vocês vieram fazer aqui?
Henrique perguntou, com uma tensão quase imperceptível na voz.
Vanessa sorriu de leve.
— Chegamos em má hora. Interrompemos o jantar de vocês.
Henrique respondeu:
— Não tem problema. Vão pra copa tomar um café primeiro. Eu termino de jantar e já vou.
Os mais velhos concordaram e seguiram para a copa.
— Carolina, vem comer.
Ao ouvir Henrique chamá-la, Carolina enfim saiu do torpor em que tinha entrado.
Os mais velhos já haviam ido para a copa. No salão, restavam só os dois.
Carolina voltou depressa para a mesa e se sentou. Olhou para a comida diante dela, mas não tinha o menor apetite. O peito estava tão apertado que ela simplesmente não conseguia engolir nada.
Lançou um olhar discreto para Henrique. Ele parecia calmo, firme, como se nada daquilo o abalasse.
Mas também, eram parentes dele. Era natural que não sentisse medo.

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