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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 312

No instante em que a porta se abriu, o ar da sala pareceu gelar.

Os quatro entraram um atrás do outro.

O primeiro a entrar foi Saulo, pai de Henrique. Vestia um terno preto sob medida, impecável, e cada vinco do tecido parecia exalar uma autoridade que não admitia contestação.

Seu olhar, afiado como o de uma águia, pousou direto em Carolina.

Logo atrás vinha Vanessa, a mãe de Henrique. Usava um vestido branco longo, e o colar de pérolas em seu pescoço refletia um brilho discreto e elegante. Nos lábios, trazia o desenho exato de um sorriso perfeitamente educado.

Em seguida entraram os outros dois: o tio mais velho, Victor, e a esposa, Tainá. Tão imponentes quanto os primeiros.

Juntos, os quatro tinham uma presença esmagadora. A pressão que carregavam caiu sobre Carolina como uma muralha invisível. O peito dela apertou, e até respirar pareceu exigir mais esforço do que o normal.

Carolina não os cumprimentou um por um. Apenas inclinou levemente a cabeça e disse, com educação:

— Olá.

Eles responderam do mesmo jeito, com um simples aceno.

Ao vê-los entrar, a expressão de Henrique também se fechou na mesma hora. O olhar dele foi até Carolina, como quem media a reação dela.

E estava claro: ela estava desconfortável. E assustada.

— Pai, mãe, tio, tia... O que vocês vieram fazer aqui?

Henrique perguntou, com uma tensão quase imperceptível na voz.

Vanessa sorriu de leve.

— Chegamos em má hora. Interrompemos o jantar de vocês.

Henrique respondeu:

— Não tem problema. Vão pra copa tomar um café primeiro. Eu termino de jantar e já vou.

Os mais velhos concordaram e seguiram para a copa.

— Carolina, vem comer.

Ao ouvir Henrique chamá-la, Carolina enfim saiu do torpor em que tinha entrado.

Os mais velhos já haviam ido para a copa. No salão, restavam só os dois.

Carolina voltou depressa para a mesa e se sentou. Olhou para a comida diante dela, mas não tinha o menor apetite. O peito estava tão apertado que ela simplesmente não conseguia engolir nada.

Lançou um olhar discreto para Henrique. Ele parecia calmo, firme, como se nada daquilo o abalasse.

Mas também, eram parentes dele. Era natural que não sentisse medo.

Foram só duas palavras.

E, ainda assim, bastaram para poupá-la de encarar aqueles parentes cuja presença sempre a esmagava.

Depois do acidente de Henrique, ela já tinha decidido, havia muito tempo, que dali em diante só faria o que ele dissesse. O resto não importava. Ninguém mais teria voz sobre ela.

Carolina assentiu e se virou, caminhando de volta para o quarto. Ainda olhou para trás no meio do caminho e viu Henrique entrar na copa.

Assim, toda a pressão caiu sobre ele.

E ela, em comparação, sentiu-se muito mais leve.

Mas, se Henrique acabasse cedendo à pressão da família...

"Será que ele mesmo vai mandar que eu vá embora?"

De repente, ela se lembrou daquela noite de tempestade, debaixo da chuva pesada, quando Henrique, encharcado, tinha dito em voz baixa e grave:

— Seja o que for, me conta. Deixa comigo. Você não precisa fazer nada. Só fica do meu lado... Quietinha. Sem ir embora.

A promessa de Henrique...

Ainda valia?

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