Confiança e desconfiança se alternavam dentro dela, rasgando seu peito. Carolina não tinha um segundo de paz.
A copa estava toda iluminada. A decoração tinha um ar clássico e elegante, e cada objeto parecia ter sido colocado ali com sobriedade e bom gosto.
O incenso queimava devagar, soltando no ar uma fumaça fina que se misturava ao aroma forte do café recém-passado.
Os quatro mais velhos já tomavam café. Quando viram Henrique entrar sozinho, Victor foi o primeiro a falar:
— E a Carol?
Henrique conduziu a cadeira de rodas até eles e parou diante dos quatro.
— Tio, o que tiver para dizer pode dizer pra mim.
Victor pigarreou, pousou a xícara e falou num tom sério, carregado de uma paciência obviamente forçada:
— Rick, você não é mais um menino. Já passou da hora de começar a pensar no seu casamento.
Henrique sorriu de leve e respondeu com a educação de quem, claramente, estava sendo incisivo:
— Tio, meu primo já se casou? E os seus dois afilhados, já se casaram? E o meu irmão, por acaso, já se casou? Entre os homens da família, eu sou o mais novo. Por que a cobrança caiu logo em cima de mim?
O rosto de Victor fechou na mesma hora, e ele ficou sem resposta por um instante.
Saulo entrou na conversa sem demora:
— Pelo menos seus irmãos não escolheriam uma mulher inadequada para casar. Você vai mesmo abrir mão da sua carreira por causa de uma mulher?
Henrique olhou para o pai e falou num tom sério:
— Pai, cada um de nós é um indivíduo. O melhor é cada um cuidar da própria vida. Mesmo sendo meu pai, o senhor não deveria interferir tanto assim nas minhas escolhas.
— Eu também estou pensando no seu bem. — Saulo respondeu, contendo a irritação.
Henrique esboçou um sorriso leve.
— Só dizer que é pro meu bem não basta. O senhor consegue arcar com as consequências no meu lugar?
Saulo também se calou. Pegou a xícara de café e tomou um gole.
Vendo que a tentativa de convencê-lo não estava surtindo efeito, Tainá foi ainda mais direta:
— O que é que a Carolina tem de tão especial? Ela deixou você nesse estado, e mesmo assim você ainda quer ficar com ela?
A expressão de Henrique se fechou. Ele voltou o olhar para a tia e respondeu friamente:
— Eu estar assim foi consequência das minhas próprias escolhas. O que isso tem a ver com ela? Foi ela quem me empurrou para o meio da rua? E, quanto a eu ficar com ela ou não, isso também não diz respeito a vocês.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
É possível obter o e-book completo?...