Por um instante, Carolina ficou atordoada.
Henrique… Estava preocupado com ela?
Verdade ou não, ela não teve coragem de deixá-lo ainda mais aflito.
— Acho que você entendeu errado. — Disse em voz baixa. — Eu só encontrei minha mãe perto do escritório… E ela me jogou no chão e me bateu.
Henrique congelou por um instante e afastou a mão que ela mantinha pressionada sobre o abdômen.
— Aqui embaixo também machucou?
Carolina ficou sem palavras.
Ela pressionava claramente a parte superior do abdômen.
Provavelmente, por estar toda encolhida, suja, num estado tão miserável, ele acabou se confundindo.
— É dor de estômago.
Henrique soltou um suspiro leve. O peso que esmagava seu peito pareceu aliviar um pouco. Ainda assim, a preocupação não diminuiu nem um centímetro.
— Ela machucou seus braços?
— Beliscou. — Carolina respondeu como se fosse algo banal.
Fechou os olhos, suportando a cólica espasmódica no estômago. Apesar do esforço para se manter calma, a voz saiu trêmula:
— Você tem remédio pra estômago?
— Tenho.
Henrique se levantou imediatamente. Voltou com o remédio e um copo de água morna. Sentou-se ao lado dela no sofá e colocou os comprimidos na palma da mão de Carolina.
Ela pegou a água e se preparava para tomar o remédio quando, de repente, ele segurou seu pulso.
— Você jantou?
Carolina hesitou por alguns segundos.
— Você não jantou, né? — Henrique franziu a testa.
— Jantei.
Na verdade, o estômago estava vazio demais. Fome excessiva somada ao turbilhão emocional. Era isso que tinha provocado a dor.
Mas naquele momento, ela não tinha forças nem tempo para comer algo antes.
Só queria que a dor passasse.
Assim que terminou de falar, engoliu o remédio e tomou alguns goles de água.
Quando pousou o copo, Henrique puxou o casaco dela para o lado.
Carolina se sobressaltou e o puxou de volta no mesmo instante.
— O que você está fazendo?
— Deixa eu ver onde você se machucou. — A voz dele continuava baixa, controlada. — Só isso.
— Não é conveniente.
Henrique a encarou por um segundo. Então falou num tom calmo demais, quase perigoso:
— Carolina… Tem alguma parte do seu corpo que eu já não tenha visto?
O rosto de Carolina esquentou imediatamente. Entre a vergonha e a impotência, respondeu num fio de voz:
— Nós somos só colegas de apartamento, não um casal. Preste atenção no que você diz e faz.


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