Henrique e Carolina viraram o rosto ao mesmo tempo para César.
A expressão dos dois esfriou na mesma hora.
César estreitou os olhos. O sorriso em seus lábios se aprofundou, como se tivesse acabado de assistir a uma cena divertida demais para deixar passar.
— Pelo visto, vocês estão cada vez melhor.
Henrique e Carolina simplesmente o ignoraram.
César parou ao lado dos dois, as mãos nos bolsos, com aquela postura relaxada de quem vinha só jogar conversa fora. Mas o olhar entregava outra coisa.
— Meu casamento é no mês que vem, e ainda estou precisando de um casal de padrinhos que faça bonito. Pensei bastante e, no fim, não encontrei ninguém mais adequado do que vocês dois. Afinal, uma honra dessas não se oferece a qualquer um. Melhor deixar em família, não é?
Carolina franziu a testa de leve.
O silêncio durou alguns segundos.
Então Henrique respondeu, frio:
— Agradeço a consideração, primo. Mas nós não somos as pessoas certas para isso. Procure outro casal.
O sorriso de César perdeu um pouco da naturalidade.
Ele passou a língua pelo canto da boca e soltou uma risada curta, cheia de deboche.
— Eu só queria dar a vocês a chance de sentir um gostinho de estar no altar em um casamento. E vocês recusam assim? Que pena. Afinal... Vocês dois nunca tiveram essa oportunidade.
A mão de Henrique, apoiada sobre a mesa, fechou-se de repente.
Os dedos apertaram com tanta força que as juntas ficaram pálidas. No fundo de seus olhos, uma sombra de raiva passou rápido, quase imperceptível.
César tirou uma das mãos do bolso e, sem pressa, girou a aliança no dedo. Seu olhar frio percorreu o rosto sombrio de Henrique.
— Hoje vocês estão aí, grudados um no outro. Mas cada dia que passa é um dia a menos, não é? O mundo muda rápido. Relação sem papel assinado acaba na hora em que um dos dois decide ir embora. Talvez vocês devessem pensar em oficializar também.
Henrique ergueu os olhos para ele.
A voz saiu ainda mais fria:
— E aquelas suas amantes todas, primo? Também resolveu tudo no papel ou foi encerrando uma por uma, do jeito que te convinha?
César assentiu, como se aquilo fosse motivo de orgulho.
— Claro.
— Então desejo a você e à minha futura cunhada muitos anos de felicidade. — Henrique fez uma pausa antes de completar, arrastando as últimas palavras com intenção. — Muitos mesmo.
— Obrigado.
O sorriso de César continuava educado, mas havia algo de venenoso por baixo daquela calma.
Ele se virou para sair. Antes de deixar a cozinha, porém, parou, como se tivesse se lembrado de algo, e olhou para Carolina.
— Ah, quase esqueci. Parabéns, cunhadinha. Dois processos vencidos seguidos. Dinheiro, fama, prestígio... Você está ficando importante, hein?
Depois disso, virou-se com tranquilidade e saiu.
Assim que César desapareceu, os punhos de Henrique ainda estavam cerrados. Ele baixou a cabeça e respirou fundo. As veias no pescoço saltavam discretamente, tensionadas pelo esforço de se controlar.
Carolina foi até ele depressa, segurou seu braço e falou baixinho:
— Rick, não fica assim. Ele veio aqui justamente para te tirar do sério.
Henrique se endireitou e puxou Carolina para os braços. Ergueu levemente a cabeça, o peito subindo e descendo com força.
Carolina sentiu o aperto dele ao redor de seu corpo. Era mais forte do que de costume.
A inquietação cresceu dentro dela.
— O que foi?
— Não dá mais para esperar sentado. A gente precisa atacar primeiro.
Carolina continuou encostada ao peito dele, ainda sem entender completamente.
— Rick, no processo do Grupo Nogueira Lima, eu mexi com os interesses do seu primo. Eu entendo ele querer me atingir. Mas parece que o alvo não sou só eu. Ele também está cutucando você, nosso relacionamento... Não parece meio estranho?
— Deve ser por causa da Daniela. Ela ainda não superou. Foi rejeitada no noivado e nunca engoliu isso.
Carolina ficou atônita. Afastou-se um pouco do abraço e o encarou, confusa.
— Daniela? O que ela tem a ver com o seu primo?
— Ela é uma prima distante dele. Mas esse não é o ponto principal. O ponto principal é que os dois tinham um caso escondido.
— Então por que você chegou a pensar em se casar com ela?
— Porque, na época, eu não sabia.
Henrique tomou a mão dela entre as suas, baixou os olhos e acariciou devagar seus dedos.
Carolina largou a colher e fixou os olhos nele.
— Quando foi que você viu esse tipo de filme? Depois que a gente terminou? E, depois de ver, procurava quem para resolver o problema?
— Não. Depois que a gente terminou, eu vivi feito monge. Sem desejo, sem excesso, sem nada. Assistir a esse tipo de coisa sem poder fazer nada seria tortura, não acha?
— Então foi depois que a gente voltou?
— Também não.
As orelhas de Henrique ficaram vermelhas.
Ele continuou sentado, imóvel, e desviou o olhar para a janela.
— Então quando foi?
Carolina ficou ainda mais curiosa. Apoiou o cotovelo na mesa, inclinou-se para perto dele e tentou alcançar aquele olhar que ele insistia em esconder.
— Eu simplesmente não consigo imaginar você, Henrique, assistindo a esse tipo de coisa. Você sempre foi tão certinho. Sempre teve horror a essas baixarias de sexo vulgar, jogo, droga... Sempre olhou para esse tipo de coisa como se fosse sujeira.
— Dá para não perguntar?
Henrique a encarou, tentando parecer calmo.
Carolina balançou a cabeça, firme.
— Não dá. Você está escondendo coisa de mim. Não está sendo transparente. E quem foi que disse que, entre nós dois, não haveria segredo nem privacidade? Vai voltar atrás agora?
Henrique soltou um suspiro longo, derrotado.
— Acho que eu tinha uns vinte anos. Eu não tinha experiência nenhuma e, ao mesmo tempo, queria ficar com você. Tinha medo de, na nossa primeira vez, fazer tudo errado e deixar uma lembrança horrível. Então passei uma semana... Estudando.
Ele fez uma pausa breve. As orelhas ficaram ainda mais vermelhas.
— Toda noite eu mergulhava naquele conteúdo indecente. Assistia e sofria. Quando não aguentava, resolvia sozinho. Em uma semana, foram mais de vinte vezes. Quase fiquei sem munição, sem energia e sem vontade de continuar vivo.
Carolina cobriu o rosto com as duas mãos e se inclinou sobre a mesa.
Não conseguiu segurar o riso. Seus ombros tremiam sem parar.
Henrique afastou um pouco a tigela de canja e acariciou, com ternura, os cabelos compridos na nuca dela. A voz saiu baixa, suave:
— As coisas absurdas que eu já fiz por você... Olha, não foram poucas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...