No hospital.
Depois de efetuar o pagamento, Carolina saiu com os comprovantes na mão.
Antônio a alcançou por trás e segurou seu braço.
— Sobre a proposta que eu te fiz da última vez… Já pensou melhor?
Irritada, Carolina se livrou do toque dele com força. Virou-se e o encarou, tomada pela raiva.
— Maluco!
O rosto de Antônio escureceu imediatamente. Ele rangeu os dentes, apoiou as mãos na cintura e assumiu aquela postura arrogante de quem se achava credor de tudo.
— Carolina, se você casar comigo, eu abro mão dos oitocentos mil da indenização. As despesas médicas do meu pai deixam de sair do seu bolso. Além disso, posso atender ao pedido da sua mãe. Faço um empréstimo no banco de seiscentos e sessenta mil como dote.
Ele fez uma breve pausa, como se estivesse fechando um negócio:
— Assim, as nossas duas famílias quitam essa dívida de uma vez por todas.
Carolina sequer teve vontade de responder.
Só de olhar para ele, sentia náuseas.
Ela engoliu a raiva e continuou andando.
Antônio deu passos largos e a alcançou novamente. Segurou seu braço com força. A voz saiu agressiva:
— Sua mãe já concordou, então para de se fazer de difícil…
Carolina o interrompeu. A voz foi cortante:
— Então vá se casar com a minha mãe.
O canto da boca de Antônio começou a tremer de raiva. O olhar dele ficou afiado, predatório, como se a decisão já estivesse tomada.
De repente, ele segurou a parte de trás da cabeça de Carolina e a puxou para perto com brutalidade.
— Eu ter te escolhido é a sua sorte. — A voz saiu baixa e ameaçadora. — A minha paciência é limitada. Não me force a usar outros meios… Porque, quando eu usar, tenho medo de que você não aguente.
O fundo da cabeça de Carolina ainda estava preso pela mão imunda dele. Uma onda de nojo subiu do estômago, revirando tudo por dentro, como se fosse vomitar. Ela o encarou com ódio e disse, palavra por palavra:
— Estamos em um Estado de Direito. Se você ousar encostar um fio de cabelo em mim, eu faço você passar o resto da vida na prisão.
— Ah, por favor. — Antônio zombou, cheio de desprezo. — Não vem usar a lei pra me ameaçar. Isso é dívida do seu pai com a minha família. Você pagar por ele é mais do que justo.
— Meu pai é inocente.
A voz de Carolina foi firme, inabalável.
Ela iria reverter o caso.
Não pagaria indenização nenhuma.
As despesas médicas também seriam cobradas de volta.
O pai dela havia passado cinco anos preso injustamente, e o próprio Estado teria que indenizá-lo.
Antônio soltou uma risada fria.
— Condenado a mais de vinte anos… E você ainda fala em inocência?
Carolina empurrou a mão dele com força e se afastou, sem qualquer intenção de desperdiçar mais uma palavra com aquele homem.
Seguiu em passos largos.
Atrás dela, veio o grito furioso de Antônio:
— Carolina, você é minha! Não adianta fugir!
A sensação era de que seus ouvidos tinham sido contaminados.
Ela acelerou ainda mais o passo, querendo se afastar o quanto antes.
Conversar com um ignorante que desprezava a lei era simplesmente repulsivo.
Uma semana depois, uma da madrugada.
Carolina dormia de forma leve quando o toque insistente do celular a despertou. Ainda meio sonolenta, tateou no escuro até pegar o aparelho e, por hábito, deslizou o dedo pela tela antes de levá-lo ao ouvido.
— Alô…
— Carol… — Do outro lado veio a voz de Larissa, embriagada e entrecortada por soluços. — Eu não vou mais me casar… Buá… Eu quero terminar com o Leandro…
Carolina despertou por completo naquele instante.
Sentou-se de repente na cama, o coração apertado pela preocupação.
— Onde você está? Você bebeu?
Faltavam apenas quinze dias para o casamento.
O registro civil já havia sido feito.
Os convites, enviados.
As fotos, tiradas.
O hotel, reservado.
Só faltava a cerimônia.
Não era possível simplesmente terminar assim.
Algo sério, muito sério, tinha acontecido.
Carolina jogou o cobertor de lado e se levantou às pressas.
— Lari, onde você está?
— No Bar da Esquina…
— Fica aí. Não sai de onde está. — Carolina falou rápido, já abrindo o guarda-roupa e puxando qualquer roupa. — Eu vou agora te buscar.
Com o coração em chamas de ansiedade, ela saiu de casa às pressas.
Quando finalmente chegou ao salão reservado do Bar da Esquina, o cenário que encontrou a fez parar por um instante.
Leandro também estava ali.
Os dois estavam completamente bêbados, cada um largado em uma extremidade do sofá, separados por mais de dois metros de distância, como estranhos.
O silêncio pesado entre eles dizia muito mais do que qualquer discussão em voz alta.
— Carol…
Ao ver Carolina, Larissa estendeu a mão para ela, chorando. O rosto corado pelo álcool estava coberto de lágrimas. A voz saiu embargada, cheia de mágoa:
— Eu quero terminar com ele. Me leva embora… Eu nunca mais quero vê-lo.
Carolina largou a bolsa no chão, puxou alguns lenços de papel e se sentou ao lado dela.
Com gestos suaves, enxugou suas lágrimas.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
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