Carolina estava realmente com medo.
Da última vez, em um restaurante cheio de gente, ele já fora capaz de agir com tanta brutalidade. Agora passava das duas da manhã. O corredor do prédio estava silencioso, vazio, e ela não fazia ideia do que ele poderia fazer com ela desta vez.
— Eu… Eu não sabia que você também viria.
A voz de Carolina tremeu. Ela se manteve colada à porta, como se estivesse pronta para bater e pedir socorro a qualquer segundo.
— Não foi de propósito aparecer na sua frente.
O rosto de Henrique estava sombrio.
Ele se virou, caminhou até a lixeira no canto do corredor, apagou o cigarro e o jogou fora. Em seguida, apertou o botão do elevador.
Quando a porta se abriu, ele olhou de volta para Carolina e disse, num tom indiferente:
— Não vai entrar?
Carolina puxou o ar com força. O coração batia desordenado enquanto, cheia de hesitação, caminhou lentamente até ele.
Ele não iria enlouquecer de novo?
Estava esperando por ela?
Dentro do elevador, Carolina se encostou no fundo, sem conseguir relaxar nem por um instante. O olhar permaneceu fixo nas costas de Henrique.
Ele era alto.
O cabelo curto, bem aparado.
A nuca bonita, os ombros largos, a cintura firme e definida.
Havia nele aquela elegância fria de quem parece magro quando vestido, mas é forte de verdade.
O simples contorno de suas costas transmitia uma estranha sensação de segurança.
Antes…
Ela adorava abraçá-lo por trás enquanto ele cozinhava. Encostava o rosto nas costas largas dele, em silêncio. Aquela sensação era tranquila. Confortável. Segura.
Ele costumava rir e perguntar:
— Se você ficar me abraçando desse jeito, como é que eu vou cozinhar?
— Eu não estou segurando suas mãos. Você cozinha, eu abraço. — Ela fazia charme.
Ele dizia, a voz baixa, quase colada ao ouvido dela:
— Você tem ideia de como o seu corpo é macio? Assim eu não consigo pensar em comida nenhuma. Só consigo pensar em você.
— Que coisa feia… Nem cozinhar você leva a sério. — Ela resmungava.
Henrique nunca estava brincando.
Ele largava tudo, erguia-a com facilidade e a colocava sobre a bancada da cozinha, como se o mundo inteiro pudesse esperar.
Só depois de saciado, satisfeito, é que a carregava de volta para o quarto, deixava-a descansar…
E então voltava para a cozinha, para cozinhar para ela.
As lembranças eram doces.
Mas, ao serem revisitadas, deixavam apenas um gosto amargo no coração.
Carolina abaixou a cabeça, evitando continuar a encarar as costas dele.
Quando as portas do elevador se abriram, os dois saíram sem trocar uma única palavra, um após o outro.
O carro de Henrique estava estacionado dentro do condomínio. Carolina passou ao lado dele, pronta para seguir adiante.
— Entra no carro.
A voz masculina veio por trás.
Carolina se assustou e virou a cabeça para olhá-lo.
Henrique estava diante do banco do motorista, abrindo a porta. O rosto permanecia impassível, os olhos frios; até a forma de falar não carregava emoção alguma.
— Não precisa, obrigada. Eu pego um táxi e vou sozinha.
Havia um receio instintivo dentro dela.
— Entra no carro. — O tom dele ficou mais firme.
— De verdade, não precisa. Eu…
— Não me faça repetir pela terceira vez.
Carolina ficou imóvel, atônita, olhando para ele, confusa.
O que aquilo significava?
Henrique não disse mais nada.
Entrou no carro, fechou a porta, colocou o cinto de segurança e permaneceu ali, sem ligar o motor, esperando em silêncio.
Carolina percebeu que, por mais que Henrique a odiasse, por mais que a rejeitasse, isso não mudava um fato incontestável:
Henrique era um homem íntegro.
O caráter e a educação simplesmente não lhe permitiam deixar uma mulher sozinha, às duas e meia da madrugada, pegando um táxi por conta própria.
Ela não hesitou mais.
Caminhou até a porta traseira do carro e puxou com força. Não abriu. Puxou outra vez. Continuava trancada.
De repente, Henrique se inclinou em direção ao banco do passageiro, estendeu o braço e destravou a porta da frente. Em seguida, voltou a se sentar corretamente, num movimento rápido e preciso, sem dizer uma palavra.
Diante da porta aberta, Carolina hesitou por alguns segundos. No fim, não pensou demais. Entrou no carro, sentou-se e puxou o cinto de segurança.
No espaço estreito do veículo, havia apenas ela e Henrique.
O interior estava impregnado com um suave aroma de lavanda, um cheiro de que ela gostava… e que Henrique também gostava.
Carolina ficou rígida, desconfortável. Sentia-se envolvida pela presença dele, como se o ar ao redor estivesse tomado por Henrique. A mente se confundia, e até respirar parecia exigir esforço.
As luzes internas se apagaram. Henrique deu a partida e o carro saiu lentamente do condomínio.
Ele ativou a navegação no painel e disse, sem emoção:
— O endereço.
— Ah…
Carolina estendeu a mão e digitou o destino na tela.
Henrique lançou um rápido olhar para o visor. As sobrancelhas se fecharam levemente.
Durante todo o trajeto, nenhum dos dois disse uma única palavra.
O tempo pareceu se arrastar de forma cruel. Para Carolina, cada segundo dentro daquele carro era um tormento.
Ela não teve coragem de olhar para Henrique. Virou o rosto para a janela, observando a paisagem noturna passar, enquanto o coração tremia de forma sutil e o corpo inteiro permanecia em tensão. Até o ar parecia ficar cada vez mais rarefeito.
Cinco anos depois, sentar-se novamente no banco do passageiro ao lado dele…
Ela jamais imaginara que se sentiria tão contida, tão desconfortável.
Antes, sempre que Henrique ia buscá-la na universidade para voltarem ao pequeno lar que compartilhavam, ele trazia lanches, iogurtes, coisas simples para ela comer no caminho.
Henrique era extremamente cuidadoso com limpeza, mas nunca se importava se ela sujasse o carro. Ela comia e, no meio disso, ainda o alimentava.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
É possível obter o e-book completo?...