O barulho do secador cessou.
Um instante depois, a porta se abriu.
Carolina apareceu vestindo um pijama branco de pelúcia, delicado e fofo. Os cabelos longos, recém-secos, caíam soltos sobre os ombros, negros, macios e volumosos, balançando levemente, ainda impregnados do aroma suave do xampu.
Sem maquiagem, ela transmitia uma beleza limpa e serena, quase etérea. Havia nela uma tranquilidade natural, um ar puro e distante, como se não pertencesse ao mundo barulhento lá fora. Uma aura que vinha de dentro, intacta, livre de qualquer vulgaridade.
No passado, quando ainda namoravam, ter uma namorada assim, bonita daquele jeito, deitada na mesma cama que ele… Tirando os dias do período menstrual, não houve uma única vez em que ele conseguisse se conter.
Bastava sentir o cheiro dela para perder o controle.
Henrique se perdeu por um segundo nesses pensamentos. Só quando Carolina passou por ele, deixando para trás um rastro quente de perfume de banho, foi que voltou a si.
O pomo de Adão subiu e desceu. Ele soltou um suspiro abafado, quente, e se virou para segui-la.
Para Carolina, a distância entre o sofá e a mesinha de centro era um pouco grande, então ela simplesmente se sentou no tapete, de pernas cruzadas.
Henrique ficou no sofá. Com pernas longas e braços compridos, aquela distância era perfeita para ele.
Carolina olhou em volta.
— Cadê as embalagens?
— Joguei fora. — Respondeu Henrique. — Pra que você quer isso?
— Pra ver o valor. — Ela ergueu o rosto para ele. — Quanto deu? A gente divide.
Henrique pegou uma lata de cerveja, puxou um guardanapo e limpou a tampa com cuidado antes de abrir.
— Desde quando o Henrique chama um amigo pra beber e comer e ainda faz cada um pagar a própria conta?
Ele inclinou a cabeça e tomou um gole, umedecendo a garganta seca.
— Obrigada. — Carolina não fez cerimônia. Pegou outra lata e estendeu para ele. — Abre pra mim também.
— Come alguma coisa antes. — Disse Henrique, pegando a lata, mas sem abrir.
Em vez disso, colocou-a de lado.
Como se soubesse que ela não tinha jantado, foi especialmente firme. Pegou um espetinho e colocou diretamente na mão dela.
A palma da mão dele estava quente.
Carolina sentiu o coração palpitar de leve. Os dedos tremeram quase imperceptivelmente enquanto segurava o espetinho. Ela hesitou por alguns segundos, então levou à boca e puxou um pedaço, mastigando devagar.
O sabor do cominho era intenso. A carne estava macia, suculenta, deliciosa.
— E o encontro de hoje… Como foi? — Perguntou ela em tom baixo, arrastando as palavras com aparente casualidade.

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