“José Miguel”
A Carmem me deixava louco às vezes... quase sempre, na verdade. Ainda bem que a Candinha conseguiu fazê-la ir pra casa, mas ela começou a me ligar insistentemente. O que aquela mulher queria que era tão urgente e importante? Ela não fazia nada além de dar ordens aos empregados e fazer aquelas visitas às quintas feiras.
E, naquela manhã completamente maluca, enquanto eu dava as instruções para a Srta. Sanchez, eu deixei a ligação da Carmem ir para a caixa postal. Eu não tinha a menor condição de atendê-la enquanto estava em frente a Srta. Sanchez, porque eu sabia que ela viria com alguma reclamação doméstica com a qual eu não podia lidar naquele momento. Além do mais, a Carmem era esperta demais e se ela ao menos farejasse a existência da minha nova assessora, eu nunca mais teria paz e eu ficaria em uma situação ainda pior!
- Quer saber, eu preciso falar com o Matheus! – Eu murmurei, peguei o celular e liguei para o meu amigo, mas ele não atendeu e eu enviei uma mensagem.
A mensagem dele chegou dizendo que só poderia me encontrar no fim do dia e marcando em um bar movimentado da cidade. Pelo menos dessa vez ele não estava me arrastando para uma boate. Mas eu teria que dar uma desculpa para a Carmem e dizer que fiquei no trabalho até mais tarde, já que eu precisava muito falar com o meu amigo.
No início da noite, quando eu parei em frente ao bar que meu amigo havia marcado e entreguei as chaves para o manobrista, o Matheus parou atrás de mim.
- Você precisa mesmo falar comigo, pra ter aceitado vir pra cá sem reclamar. – O Matheus comentou ao me cumprimentar.
- É, eu preciso! – Eu bufei. – Vamos entrar, porque eu também preciso de uma bebida.
Mas assim que nós entramos no bar eu vi aquela coisinha, a minha assistente, toda linda num jeans que a deixava ainda mais interessante e usando uma camisa branca que ela amarrou na cintura e deixava uma faixa pequena de pele aparente.
E, para variar, ela estava envolvida em uma confusão. Parecia um b**e boca desagradável e eu reconheci o sujeito da boate, o mesmo pelo qual ela estava chorando. Eu bati as costas da mão no peito do Matheus para que ele me acompanhasse e fui em direção a Srta. Sanchez.
Quando eu me aproximei, ela estava sendo atacada pela outra mulher e o sujeito estava tentando agarrá-la, o que ela tentava evitar. Eu não gostei de ver as mãos dele cheias de dedo em cima dela. Eu a segurei pela cintura e a puxei para mim e a carinha de confusão dela ao me ver ali a abraçando foi a coisa mais linda!
Só que aquele cara estúpido parecia não se tocar e então eu beijei a Srta. Sanchez. Eu não deveria, mas eu a beijei. E o beijo daquela mulher me fazia esquecer o resto do mundo, me fazia sentir vivo, me fazia querer mais. E ela correspondeu, me beijou, passou seus braços em meu pescoço e grudou o seu corpo no meu. E o suspiro de satisfação que ela soltou no final do beijo foi a coisa mais graciosa que eu já tinha visto.
Sem pensar em nada eu perguntei se ela queria ir para outro lugar e bem no fundo da minha mente, o meu subconsciente torcia para que ela quisesse ir para o meu apart de novo.
- Ah, mas de jeito nenhum! Quem tem que sair são eles, nós já estávamos aqui e vamos nos sentar e aproveitar a noite! – A outra mulher falou e eu lamentei que ela tivesse me arrancado da minha expectativa, mas na verdade eu deveria agradecê-la por não permitir que eu fizesse mais uma loucura.
- O que você quer fazer, amorzinho? – Eu insisti com a Srta. Sanchez, que ainda estava nos meus braços me olhando como se eu estivesse louco.
- Ah, qual é, Eva, você está mesmo com esse cara? – O outro sujeito reclamou outra vez.
- Sempre te disse que a Eva é uma qualquer, Leon! – A mulher que aparentemente estava com ele emendou e eu fiquei irritado com aquilo.
- Ah, Carla, pode parar! Você não vai falar isso da Eva, não! Quem você pensa que é? E você sabe muito bem que é o Leon que vive atrás dela. – A moça que parecia estar com a Srta. Sanchez a defendeu.
- O quê que é, hein, Gabriele? Você é o cão de guarda da Eva por acaso? – A outra mulher se agitou.



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