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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 17

“José Miguel”

Depois que o Matheus foi embora eu passei um bom tempo pensando em tudo o que ele me disse. Não era nada de novo, ele me falava as mesmas coisas há muito tempo, basicamente ele vivia dizendo que já tinha passado da hora de eu me livrar da Carmem. Mas não era assim tão simples.

O resto do dia passou com mais tranquilidade, a Eva se manteve na sala dela e nossa comunicação por telefone e e-mail parecia uma boa alternativa para que as coisas funcionassem.

Mas a medida que os ponteiros do relógio se arrastavam para o final do dia eu ficava mais nervoso, sabia que teria outro embate com a Carmem em casa. E foi o que aconteceu assim que eu abri a porta.

- Ah, pelo menos teve a decência de chegar cedo hoje. – Ela parecia ficar plantada no meio da sala me esperando chegar todos os dias.

- Carmem, eu estou cansado, podemos, por favor, pular a parte da discussão hoje? – Eu não estava com ânimo nenhum para brigar, só queria tomar um banho e me jogar na cama.

- Você é um egoísta, José Miguel, só pensa no que você quer, nas suas necessidades! Foi por isso que aquele maldito acidente aconteceu, porque você queria se divertir como um rapazinho solteiro por aí, ao invés de vir pra casa cuidar da sua família! – E ela começou, era pedir muito pra ela ser razoável.

- Carmem, dá pra você não falar daquele acidente pelo menos um dia na vida? Ou pelo menos não falar comigo? – Eu já não aguentava mais aquilo, o tempo inteiro, ela estava sempre falando daquele acidente, como se eu precisasse ser lembrado.

- Não, José Miguel, não dá! Não dá porque no sábado completa mais um ano daquele dia miserável, o dia que mudou nossas vidas para sempre, mais um ano que nós os perdemos e você parece não dar a mínima!

- Eu não dou a mínima, Carmem? – Eu dei uma ridsada sarcástica. – Eu me sinto morto desde aquele maldito acidente! Aquilo corroi o meu coração todos os dias. E você não precisa me lembrar, está gravado na minha alma, na minha pele!

- Você tem que se lembrar mesmo. Foi tudo culpa sua! Tudo culpa sua! Se você só tivesse vindo pra casa. Mas não, você tinha que ir beber com os amigos, com aquele estúpido do Matheus! Você os matou, José Miguel! Você os matou! – Ela gritou, como sempre fazia e eu desabei no sofá.

- Você está certa, foi minha culpa, eu os matei. – As lágrimas banhavam o meu rosto, o arrependimento martelava a minha consciência dia e noite e a culpa me consumia. – Eu os matei! E fui condenado a morte em vida, a viver com a culpa do que aconteceu, com as imagens do horror que foi aquele acidente, com o vazio de tudo o que eu perdi.

- José Miguel, me escuta! – Ela se sentou ao meu lado, com a voz mais mansa, e passou a mão nos meus cabelos. – Se afasta do Matheus, ele não te faz bem, ele faz você se afastar das suas promessas, ele te afasta da única coisa que pode te dar paz, ele te afasta da sua família.

- Carmem, o Matheus é meu amigo e ele não me afasta de nada. Meus erros são meus.

- Mas é ele quem te leva para a tentação. Ele quem te faz ser infiel.

- Você não pode fazer isso! Você precisa de mim! Só eu posso te ajudar a ter um pouco de paz. E você me deve isso, José Miguel, você me deve, por tudo o que você me tirou, por aquele acidente, pelo juramento que você fez sobre o túmulo deles.

- Eu sei de tudo isso e eu só estou te pedindo uma coisa simples. Mas se você não puder fazer, eu vou ser exatamente o egoísta que só pensa nas próprias necessidades como você vive dizendo e vou colocar um ponto final em tudo. E não vai adiantar você ameaçar se matar!

- O que é isso, José Miguel? O que está acontecendo com você?

- Você está avisada, Carmem! Eu não te quero nem passando em frente ao prédio onde eu trabalho!

Eu virei as costas para ela, subi as escadas e me tranquei no meu quarto. Mas pela primeira vez em anos eu não busquei conforto nas lembranças que eu guardava na gaveta do meu criado mudo. Dessa vez eu apenas me joguei na cama e deixei as lágrimas saírem. Eu havia sido infiel e eu estava pensando na Eva mais do que deveria e isso estava me matando, porque eu não podia.

Eu acabei adormecendo e as imagens daquele maldito acidente permearam meu sono outra vez, como todas as noites nos últimos anos. Era tão nítido, tão real, que eu sentia o cheiro do sangue, o sangue deles que estava em minhas mãos. As sirenes das ambulâncias, os primeiros socorros, aquele médico no hospital, outra vez repetindo aquelas palavras.

- NÃÃÃOOO! – Eu acordei gritando outra vez, banhado em suor, com o corpo trmendo. Aquele pesadelo nunca teria fim, ele me perseguiria a vida inteira.

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