“Eva”
Eu entrei na sala do meu chefe e ele estava tão distraído com o que fazia que eu pude admirá-lo por mais um segundo, seu rosto perfeito, de traços marcantes, com a barba feita e o nariz reto, cada traço naquele rosto parecia ter sido talhado por um artista detalhista. Os seus cabelos pretos bem penteados e os olhos escuros que pareciam guardar algum mistério, lhe conferiam um charme ainda maior.
- Ai, como é lindo! – Eu murmurei enquanto soltava um suspiro e os olhos dele se viraram para mim, me encontrando parada ali na porta da sua sala.
- Bom dia, Srta. Sanchez, o que temos pra hoje? – Ele me cumprimentou com a voz rouca e meio baixa e o semblante austero que ele usava nesse escritório.
Por um momento eu cogitei colocar alguma bebida alcóolica no café dele, ele ficava tão fofo bêbado, sorridente, expansivo, beijoqueiro… aff, Eva, para sua louca! Eu me xinguei mentalmente, talvez eu precisasse de um psiquiatra para analisar essa minha propensão a atrair homens problemáticos e me impedir de induzir o meu chefe ao alcoolismo.
- Hum-hum! – Eu limpei a garganta e caminhei até a mesa dele. – Bom dia, chefe!
Eu fiquei diante da sua mesa repassando a agenda do dia e ao final eu lhe entreguei uma pasta com uma ordem de serviço que eu havia recebido. Quando ele pegou a pasta das minhas mãos, por um momento, os seus olhos encontraram os meus e eu vi o mesmo brilho que eu tinha visto no domingo de manhã, quando acordei ao seu lado. Mas foi uma fração de segundo e ele voltou a colocar a máscara de chefe sério e mal humorado. Ele pegou a pasta, abriu e conferiu as informações.
- Eu verifiquei e encontrei uma inconformidade. – Eu avisei e ele levantou os olhos pra mim.
- Me mostre!
Ele colocou a pasta sobre a mesa e eu dei a volta, parando ao lado dele e me curvando para lhe mostrar a inconformidade no documento, explicando o que eu havia encontrado, mas eu senti os seus olhos sobre mim, como se queimassem minha pele. Eu virei a minha cabeça para encará-lo.
- Entendeu, Sr. Rossi? – Eu perguntei e ele piscou, parecendo confuso.
Ele não tinha prestado atenção em nada que eu disse. Eu dei um pequeno sorriso e pensei que talvez eu pudesse me divertir só um pouquinho. Eu aproveitei sua confusão, virei sua cadeira de frente pra mim, apoiei minhas mãos nos braços da cadeira e aproximei a minha boca do seu ouvido.
- Conseguiu esquecer? Está pronto para cumprir o nosso acordo? Ou precisa que eu volte depois? – Eu falei baixo, resvalando os meus lábios no lóbulo da sua orelha.
Mas a reação dele foi mais rápida do que eu pensei. Ele se ergueu da cadeira em um pulo e me puxou pela cintura me prendendo em seu peito e tocando o meu rosto com a ponta do nariz.
- Como eu vou esquecer se você é uma tentação ambulante desfilando no meu escritório? – Ele falou no meu ouvido e eu me arrepiei inteira.
Ele inspirou profundamente o meu perfume, deu um beijo no meu pescoço e me abraçou forte de repente, pressionando os seus lábios mais uma vez na curva do meu pescoço.
- Eu não posso! – Ele sussurrou. – Não basta querer… eu não posso! – Ele repetiu, como se estivesse angustiado, até atormentado.
E sem mais nem menos ele me soltou e saiu apressado da própria sala, me deixando ali totalmente confusa e sem entender o que estava acontecendo. Não era possível que esse homem levasse tão a sério a regra de não se envolver com funcionárias da empresa.
Eu olhei para o relatório sobre a mesa e balancei a cabeça, talvez eu tivesse ido longe demais. Eu peguei a minha agenda e voltei para a minha sala. Eu me sentei e tentei trabalhar por alguns minutos, mas a minha cabeça estava no meu chefe e o que ele quis dizer com “não posso”.


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