“José Miguel”
Eu não queria, mas eu fui puxado de volta para a realidade e precisava soltar a Srta. Sanchez. Eu tirei os meus braços da sua cintura, mas esqueci de tirar os meus olhos dos dela, ela deu de ombros e se virou, indo até a porta.
Tudo o que eu não precisava era do Matheus me pegando trancado com a Srta. Sanchez! Ele ia me atormentar pra sempre com isso e começar a tentar colocar idéias na minha cabeça. Idéias que eu já tinha muitas e não deveria ter.
No dia anterior, depois de deixar a Srta. Sanchez em casa, eu precisava de um tempo sozinho, para descobrir como eu manteria aquela mulher longe, porque bastava olhar para ela para que eu ignorasse que eu não podia. Então eu voltei para o apart e me tranquei lá e quando a mensagem do Matheus chegou, com um novo convite, eu respondi que estava de ressaca apenas.
- Evita! – O Matheus a abraçou rapidamente como se fossem amigos de infância e foi entrando enquanto falava: - Evita, eu preciso da sua ajuda, a sua amiga… - Ele parou de repente, finalmente me vendo ali. – Rossi? – O olhar confuso dele desapareceu em um segundo e deu lugar a um olhar divertido acompanhado de um grande sorriso. – Vocês dois trancados em uma sala? Ah, mas isso é melhor do que abrir presente no natal!
- Matheus, não é por aí! – Eu o alertei, mas ele me ignorou completamente, deu uma risada alta e se jogou na cadeira em frente a mesa.
- Você e a Evita! Meu melhor amigo e a melhor amiga daquela peste! Ah, agora eu quero ver a Gabriele fugir de mim! – Ele deu outra gargalhada. – E então, meu casal, me contem como foi isso?
- Fala baixo, Matheus! – Eu pedi e o encarei, mas ele não tirou o sorrisinho convencido do rosto. – Não tem nenhum casal aqui! A Srta. Sanchez é minha assessora apenas.
- Hã-hã, sei! E você agora mente para o seu melhor amigo, Rossi? – Ele me encarou com uma sobrancelha levantada e eu revirei os olhos.
- Matheus, vamos para a minha sala. Eu vou te explicar as coisas e depois você conversa com a Srta. Sanchez. – Eu o chamei, eu precisava esclarecer as coisas para ele.
- Ah, não, eu estou bem aqui e eu preciso falar com a Evita! – Ele sorriu.
- Ah, meu deus! Você é pior do que criança! Srta. Sanchez, se importa de nos dar licença um minuto? – Eu olhei para a Eva e só então percebi que ela acompanhava a cena com um ar de divertimento.
Ela saiu da sala e fechou a porta, então eu me sentei na cadeira ao lado do Matheus, que me encarava como se tivesse recebido a melhor notícia do mundo.
- Presta atenção, Matheus, a Eva e eu, nós não estamos juntos.
- Sei, e a sala estava trancada porque vocês estavam discutindo os arquivos secretos do governo? Tá bom, José Miguel. Desembucha, o que aconteceu no fim de semana?
- Você e eu bebemos demais! – Eu o lembrei.
- Ah, disso eu sei, assim como eu sei que você saiu daquele bar com a sua Srta. Sanchez!
- Ela não é minha, Matheus!
- Não é não, né?! Quer dizer que eu posso sair daqui agora e convidar a Evita pra sair e você não vai se importar? – Ele me olhava com um sorrisinho desafiador.
- Você não pode se meter com ela, Matheus! Ela está proibida para você! – Eu respondi mais irritado do que deveria e totalmente possessivo, o que fez meu amigo rir.
- Nem consegue disfarçar! – Ele balançou a cabeça. – Você transou com ela de novo? – Ele me olhou com aquele sorrisinho debochado.
- Sim e isso não vai mais acontecer. Não pode mais acontecer. – Eu o encarei e ele estava me analisando, eu não conseguiria esconder sobre o beijo. – E aqui, hoje, eu só dei um último beijo nela e foi só! Nós temos um acordo, Matheus, ela trabalha pra mim e nós esquecemos o que aconteceu fora daqui e não vai se repetir. Não pode se repetir.

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