“José Miguel”
Eu estava deixando o Matheus me convencer a coisa demais! Agora ele tinha me convencido a ir atrás da Eva porque a Gabriele aprontou com ele. Era até engraçado, geralmente era ele quem fugia das mulheres. Claro, depois que passava uma noite com elas. Mas agora, a Gabriele estava fazendo o meu amigo ir atrás dela.
E só porque assistir ao Matheus correndo atrás de uma mulher era engraçado que eu concordei em ir atrás da Eva naquela cafeteria. Mas quando eu vi aquele babaca daquele moleque falando com ela eu já fiquei bem irritado e quando eu me aproximei e ouvi o que ele dizia, eu fiquei enlouquecido. Como ele ousava falar com ela daquele jeito?
Eu parti pra cima dele sem pensar e eu teria matado aquele moleque se não estivesse tão preocupado com a Eva. Ela estava chorando. Eu não tinha visto essa mulher chorar ainda e eu já tinha visto essa mulher de muitas maneiras. Mas eu ainda não a tinha visto tão fragilizada, tão vulnerável, e aquilo me quebrou.
Eu dei o aviso para aquele babaca e a tirei de perto dele. E eu nem me importei que estava em frente a empresa ou sob os olhares do Julio e do Matheus, eu só queria deixar claro para aquele moleque que não voltasse a se aproximar dela.
E quando nós voltamos para a empresa eu chamei o Julio e pedi que fosse discreto. Eu sabia que ele seria. Não era à toa que o Julio era o segurança que ficava bem na entrada da empresa, ele era leal e ele não era o tipo que se envolvia em fofocas. E, além disso, ele parecia gostar da Eva, não iria querer que ela fosse alvo das fofoqueiras de plantão.
- Você está bem, Srta. Sanchez? – Eu perguntei quando chegamos a sala dela, percebendo que ela mantinha a cabeça baixa e não tinha dito uma palavra ainda.
- Sim, Sr. Rossi. Humilhada e envergonhada, mas eu estou bem. O senhor não precisava ter se colocado naquela situação. Eu vou falar com o Julio para não comentar com ninguém, acho que ele não fará, mas alguém pode ter visto e interpretado mal o que… – Ela começou a falar sem parar, mas eu tinha parado no fato dela se sentir humilhada e envergonhada.
Eu me abaixei e virei a cadeira dela de frente pra mim, então eu segurei o seu queixo e a fiz levantar a cabeça e me encarar, mas ela desviou o olhar e eu pude ver a vergonha estava estampada nos olhos marejados dela e eu tive vontade de ir atrás daquele moleque e dar uma lição nele.
- Eva! Olha pra mim? – Eu pedi gentilmente e ela me olhou, mas eu vi o quanto custou a ela me encarar. – Você não tem que se sentir humilhada ou envergonhada! Aquele idiota não pode te atingir assim. Ele não merece nem que você se importe com o que ele diz.
- Vocês homens, quando querem, sabem diminuir uma mulher a nada. – Ela comentou com tristeza, o choro rompendo a barreira dos seus olhos, e eu tinha que concordar que o mundo estava cheio de babacas.
- Nem todos nós! – Eu toquei o seu rosto e a abracei. – Você não é nada do que ele falou. – Eu sussurrei no ouvido dela, enquanto acariciava suas costas para que ela se acalmasse. – Você é uma mulher linda e incrível. Qualquer homem que tenha uma oportunidade com você deve se sentir um privilegiado. – Ela respirou fundo e eu abaixei a voz um pouco mais. – Eu me sinto um privilegiado.
E foi aí que ela passou os braços pelo meu pescoço, me abraçando e me mantendo ali, preso a ela. E eu só me lembrei que nós tínhamos um espectador quando eu ouvi a sua risada.
- Isso é melhor do que final de novela! – O Matheus estava rindo sentado do outro lado da mesa, obsevando atentamente a minha interação com a Eva.
- E desde quando você assiste novela? – Eu resmunguei e ele riu ainda mais.
- Eu gosto de novela! E vocês dois ficam fofos juntos! Como o Enzo diz, eu shipo esse casal… “Joeva”! – O Matheus estava se achando.
- Idiota! Para de palhaçada! A Srta. Sanchez e eu temos um acordo.
- Sei, sei. Um acordo que nenhum dos dois vai cumprir, mas vai ser divertido vê-los tentando. – O Matheus riu outra vez e eu olhei para ele chocado. – Quê? Foi ela mesma que te desafiou a esquecer! – Ele me lembrou e se curvou sobre a mesa, baixando um pouco o tom da voz. – E aí, já esqueceu, Sr. Rossi?
Eu estava pronto para chutar o Matheus para fora daquela sala, mas ouvi a risadinha dela e olhei para o lado. Percebendo que o sorriso dela estava de volta ao rosto bonito, eu relevei a indiscrição do meu amigo. E olhando pra ela eu acabei me delatando.
- Não, não esqueci, porque a Srta. Sanchez é um tipo de mulher que não se esquece. – Eu respirei fundo e desviei os meus olhos dos dela. – Mas nós temos um acordo e você, Matheuis, sabe melhor do que ninguém que ele precisa ser cumprido.
- Rossi, vai pra terapia! – O Matheus respondeu.
- Matheus, vai trabalhar! – Eu o encarei.
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