"Eva"
Enquanto eu abria o portão a Gabriele contava empolgada sobre os dois olhos roxos do Leon e o quanto ela ficava feliz que alguém o tratasse como ele merecia.
- Rossi, eu sou sua fã! você coloca o Leon no lugar dele! - A Gabi sorriu para o José Miguel.
- Gabi, almocei com o Carrapato hoje? - Eu comentei já querendo ver a reação dela, porque eu tinha certeza que o Matheus não perderia o jantar.
- Ai, nem me fale desse Carrapato, Evita! Fica no meu pé, mas sai pegando todas por aí! - A Gabriele falou irritada, ela ainda não tinha superado as fotos do fim de semana.
- Gabi, dá uma chance para o meu amigo, ele está interessado em você de verdade. E aí nós podemos sair juntos, os quatro. - O José Miguel sorriu e deu um beijo no meu rosto.
- Espera aí, vocês dois estão...? - A Gabriele perguntou e o José Miguel deu um sorriso.
- Estamos, amorzinho? - Ele perguntou enquanto caminhamos até a porta de entrada.
- Ainda não sei, mas nós podemos sair juntos. - Eu respondi com um sorriso e abri a porta. - Mãe, chegamos! - Eu chamei e ela veio da cozinha para cumprimentar os convidados.
- Marta, é um prazer vê-la outra vez! - O José miguel deu um beijo no rosto da minha mãe e entregou as flores e o vinho.
- Ah, que gentil, José Miguel! - Minha mãe aceitou a gentileza com um grande sorriso. - Espero que você não se importe que eu sirva o jantar na cozinha, mas você sabe, a Eva está ocupando a minha sala de jantar.
- Na verdade eu prefiro a cozinha mesmo, Marta! - Ele ofereceu um sorriso e parecia de fato que ele preferia a cozinha.
- Você já é de casa, Gabizinha! - Minha mãe abraçou a Gabi carinhosamente. - Eu realmente acho uma pena que um dos meus filhos não tenha conquistado você! - Minha mãe sempre lamentava que a Gabi não tinha se tornado a sua nora, elas se davam bem como se a Gabi fosse filha dela também, claro que eu teria adorado ter a minha melhor amiga como cunhada, mas os meus dois irmãos mais velhos já estavam casados e a Gabi não era mesmo o tipo do Érico.
- De qualquer jeito, Martinha, você é como minha segunda mãe! Vamos, vou te ajudar com o jantar. - A Gabriele saiu puxando a minha mãe para a cozinha.
Não tinha muito o que fazer na cozinha, o jantar estava praticamente pronto e a mesa posta com a elegância que refletia a D. Marta. O José Miguel se ofereceu para abrir o vinho e nos serviu, enquanto elogiava o cheirinho da comida que pairava no ar, o que fez a minha mãe ficar ainda mais fã do convidado para o jantar, ela se orgulhava de ser boa na cozinha. E enquanto estávamos rindo os meus irmãos chegaram.
- Boa noite! - O mais velho cumprimentou entrando na cozinha seguido pelos outros.
- Evita, você disse que eles não viriam. - A Gabriele me perguntou baixinho enquanto meus irmãos cumprimentavam a minha mãe e o José Miguel.
- Gabi, querida, há quanto tempo! - O Érico se aproximou antes que eu respondesse e abraçou a Gabriele. Ele era sempre o mais efusivo dos irmãos, o mais relaxado.
- Oi, Érico! - A Gabriele retribuiu o abraço com um sorriso.
- Oi, Gabi! - O Edson se aproximou e deu um beijo no rosto dela.
- Oi, Gabriele. - O Elias apenas resmungou do outro lado da mesa e a Gabriele fez um aceno de cabeça. Meu irmão do meio era muito mal humorado, parecia viver com cólica!
Nós nos sentamos e começamos a conversar sobre trabalho, estranhamente os meus irmãos não estavam interrogando o José Miguel e isso só podia ser obra da minha mãe, ela deveria ter dado instruções específicas aos meus irmãos. Enquanto eu escutava os rapazes conversando, eu notei o José Miguel muito à vontade com eles, falando sobre negócios como se ainda estivesse no escritório e sem me tocar.
Eu olhei a Gabriele ao meu lado, completamente muda e girando a taça de vinho como se buscasse nela alguma resposta. Eu ia perguntar se ela estava bem, porque a Gabriele não era o tipo que ficava calada, mas a camapainha tocou e eu me levantei para atender. Eu abri a porta e vi um Matheus sorridente no portão, vestinso jeans e uma camisa azul claro, segurando um arranjo de flores elegante e chocolates.
- Cheguei, musa maravilhosa! - Ele anunciou cheio de graça.
- Pontualidade de um relógio suíço! - Eu sorri e abri o portão, recebendo um abraço carinhoso do Matheus. - Os chocolates pelo menos são pra mim?

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