“José Miguel”
Eu fui para o apartamento da Gabriele o mais rápido que pude depois de mandar a Carmem ficar longe da Eva. Eu precisava vê-la. Eu tive medo que a Carmem pudesse confrontá-la, mas a verdade é que eu não queria acreditar que ela fosse capaz de ser tão traiçoeira e fosse atrás da Eva daquela forma. E o que ela realmente tinha contado para a Eva? Eu não acreditava que a Carmem tivesse me dito a verdade, então porque ela teria dito a verdade para a Eva?
Por precaução eu liguei para o Matheus e pedi a ajuda dele, eu sabia que ele tinha o que eu precisava. E quando eu alcancei o portão do prédio, a Gabriele estava chegando.
- Rossi? Está perdido? - Ela me olhou confusa, parecia não saber que a Eva estava ali.
- Gabi, a Eva está na sua casa e eu preciso falar com ela. - Eu falei agitado e ela parecia não se mover.
- Vocês brigaram? O que você fez com a minha amiga, Rossi? - A Gabriela parecia não ter pressa para me deixar entrar.
- Gabi, nós não brigamos. Por favor, me deixa entrar. - Eu pedi.
- Se a Evita está aqui e você está assim, parecendo que fez uma grande merda, eu não sei se ela vai querer falar com você! - A Gabriele cruzou os braços no peito.
- Gabriele, é importante! - Mas a Gabriele não parecia disposta a ceder.
- Cheguei, Rossi! Está tudo aqui! - O Matheus parou atrás da Gabriele me oferecendo uma pasta e deu um beijo no pescoço dela. - Oi, Peste!
- Sai pra lá, Carrapato! Você não vai subir! - A Gabi deu uma cotovelada no Matheus.
- Peste, desculpe ferir seus sentimentos, mas eu estou aqui pela Evita! - O Matheus a provocou.
- Por favor, Gabi! - Eu supliquei. - O meu único erro foi demorar a contar uma coisa pra Eva e ela descobriu de um jeito errado. - A Gabriele pensou por um momento e então ela me olhou como se tivesse tido uma revelação.
- Rossi, se você for casado eu vou... - A raiva estava nítida no rosto dela.
- Eu sou viúvo, Gabriele! - Eu falei alto e ela piscou algumas vezes, como se assimilando a informação. E eu também estava assimilando o que eu disse. Foi a primeira vez que eu disse a palavra em voz alta, a primeira vez que eu aceitava o significado dela em minha vida e não insistia em um laço conjuga que foi desfeito pela morte da Cora.
- Viú... ele disse que ele é viúvo? - Ela perguntou ao Matheus, que tirou as chaves das mãos dela e me entregou.
- Vai, Rossi, eu vou dar uma situada na Peste. Vem, Peste. - O Matheus pegou a mão da Gabriele e tentou puxá-la, mas ela agarrou o meu paletó.
- Me solta, Carrapato! Eu não vou com você!
- Ah, vai! - O Matheus sorriu e tentou puxar a Gabriele, mas ela não se moveu, continuou agarrada a mim.
- Não tenho tempo, Gabi! - Eu tirei o paletó e ele ficou pendurado na mão dela, que me olhou em choque, e enquanto o Matheus a jogava sobre o ombro, eu abria o portão e entrava correndo no prédio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe