"Eva"
Eu estava em meio a escuridão, sentindo braços me esmagarem num aperto forte e ouvindo os gritos do José Miguel. Que tipo de pesadelo era esse? Era tão real!
- NÃO, EVA! EU NÃO POSSO FICAR SEM VOCÊ! NÃO... CASADO NÃO... EVA... EVAAAA! - O grito foi alto demais, aquilo não era o meu pesadelo.
Mas onde eu estava? Como ele estava comigo? O que estava acontecendo? Eu me lembrei vagamente que ele me falou de pesadelos. Eu precisava acordá-lo antes que ele me sufocasse e os gritos dele me chamando eram tristes, como se ele estivesse com dor.
- José Miguel! Acorda! - Eu chamei, enquanto ele continuava me apertando e me chamando.
Meu corpo estava sendo esmagado contra o dele, meu rosto estava no seu peito e, com dificuldade, eu consegui segurar em seus ombros e puxar o meu corpo para cima o suficiente para que o meu rosto ficasse na altura do dele.
- José Miguel, acorda!
- Não me deixa, Eva! - Ele choramingava e me apertava.
- Eu estou aqui, acorda! - Eu tentei sacudi-lo, mas ele era grande demais.
Como eu ia acordá-lo? Eu poderia dar um ta-pa nele, era uma opção. Mas ele chamou por mim de novo, desesperado, e eu não suportava a tristeza na voz dele, então eu cobri os lábios dele com os meus, para não ouvir o seu lamento. O seu aperto no meu corpo mudou, afrouxou um pouco e eu fui virada na cama, seu corpo ficando sobre o meu e a sua boca reivindicando a minha desesperadamente.
- Amorzinho, você está aqui! - Ele sussurro nos meus lábios. - Não me deixa, Evita, nao me deixa!
Ele me beijou outra vez, um beijo quente, profundo, que despertava os sentimentos mais profundos em mim, um beijo que me fazia ansiar por ele, que me fazia querer dizer que eu não o deixaria. E quando o beijo foi diminuindo o ritmo e seus lábios salpicavam sobre os meus como gotas de chuvas, ele esticou a mão e acendeu o abajur ao lado da cama. Depois acariciou o meu rosto e sorriu.
- Oi, amorzinho! - Ele falou com a voz sexy e profunda de quem tinha acabado de acordar e o meu corpo inteiro tremeu por ele.
- José Miguel, me deixa levantar, por favor! - Eu pedi, com a garganta quase fechando com o nó da dor de me lembrar que ele era casado.
- Não! Nós precisamos conversar amorzinho. - Ele falou docemente e eu fechei os meus olhos, tentando não chorar.
- Você é casado! - Mesmo com os meus olhos fechados as lágrimas escaparam e a minha voz saiu cheia de dor.
- Não, eu não sou. Eu fui casado, Evita. Eu sou viúvo. Deixa eu te explicar tudo.
- Ela me disse que você mentiria, que você ia me dizer que é viúvo, ela diz que você conta essa mentira para todas. Ela me disse que a sua esposa está numa cadeira de rodas e que seus filhos precisam de você... - Eu comecei a falar e vi a expressãod e choque no rosto dele. Talvez ele não esperasse que eu soubesse de tudo.
- Até onde aquela louca foi? - Ele sussurrou e secou as lágrimas no canto dos meus olhos. - Eva, olha pra mim! - Ele pediu firme e eu abri os meus olhos devagar, os olhos dele capturaram os meus. - Eva, eu sou viúvo e eu posso provar. Só me deixa te contar como tudo realmente aconteceu. Por favor, Eva, me escuta, não termina comigo sem saber a verdade. Não é possível que você tenha escutado uma mulher que eu sei que você não suporta, mas não esteja disposta a ouvir a mim, que sou louco por você.

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