"Josè Miguel"
Eu acordei sozinho na cama. O cheiro dela estava ali. Ela foi embora! Por que ela nunca ficava? Eu afundei a cabeça no travesseiro e esfreguei os olhos. Era tão bom dormir sem pesadelos, eu queria isso pra sempre, mas queria mais ainda acordar com ela. Eu me sentei na cama e olhei em volta, a minha calça estava cuidadosamente dobrada sobre a banqueta no canto do quarto, o meu celular estava sobre a mesinha de cabeceira.
Eu precisava devolver o apartamento da Gabriele e enquanto eu vestia a calça, eu pensei que precisava enviar um presente de agradecimento e desculpas a dona da casa. Eu procurei a minha camisa, mas ela não estava em lugar nenhum no quarto. Eu comecei a rir com a idéia de que a Eva tivesse me deixado ali sem a minha camisa. Eu ia precisar da ajuda do Matheus de novo.
Eu peguei o celular, abri a porta do quarto e quando saí para o corredor fui atingido pelo cheiro de café e pão torrado. Um barulho seguido de um murmúrio chegou aos meus ouvidos e então mais um barulho. Eu cheguei a cozinha e vi a Eva, usando a minha camisa que ia até o meio das suas coxas e num debate acalorado com uma faca e um pote de geléia.
- Mas que merda, por que esses potes nunca abrem? Precisa ser a porra de um doutor em física pra abrir isso? Eu só quero um pouco de geléia nas torradas. - Ela praguejava baixinho com os utensílios e eu me segurei para não rir.
Eu me aproximei devagar, colei meu peito as costas dela e deslizei minhas mãos sobre as dela. Eu pressionei as mãos na tampa do pote e depois o abri, enquanto deixava um beijo atrás da sua orelha.
- Bom dia, amorzinho! - Eu conduzi suas mãos até o balcão para que soltasse o vidro e a face e depois a virei pra mim. - Pensei que você tivesse roubado minha camisa de novo.
- Se está em mim, é minha! - Ela sorriu.
- Fica linda em você, mas eu não posso sair por aí sem camisa. - Eu fechei os olhos sentindo os dedos dela traçarem a tatuagem no meu peito.
- Realmente não pode, mas é uma visão boa demais pra se ter. - Os dedos dela deslizaram pelo meu abdomen causando arrepios no meu corpo e ela me deu um beijo suave no canto dos lábios. - Bom dia, paixão! Você não teve pesadelos.
- Na verdade tive um, acordado. - Ela me observou com a confusão estampada no rosto. Eu coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. - Eu acordei e você não estava na cama, pensei que tivesse ido embora, como costumava fazer.
- Isso foi quando você não admitia que me queria. Não vai acontecer mais! - Ela deslizou os dedos contornando a minha cintura e suas mãos subiram pelas minhas costas.
- Agora você está se aproveitando de mim. - Eu brinquei.
- É, estou! E estou pensando que tem lugar melhor pra essa geléia do que a torrada. - Ela insinuou e o meu corpo inteiro respondeu aquela provocação.
- Vamos voltar pra cama? Você, eu e a geléia entre nós! - Eu sugeri e ela riu.
- Você não vai ignorar o café da manhã que eu preparei. Torradas, café, ovos mexidos e geléia. - Ela sorriu.
- Vamos deixar a geléia pra depois. - Eu ri e a beijei.
Nós levamos o café da manhã para a mesa e ela se sentou no meu colo, dividindo comigo uma torrada com ovos e uma caneca de café. E entre uma mordida na torrada e um gole de café, ela salpicava beijos no meu rosto, no meu pescoço e até no meu peito, enquanto seus dedos acariciavam os cabelos na minha nuca. Era um momento íntimo e repleto de um carinho que eu nunca tinha experimentado antes dela.
Isso era algo que eu realmente adorava nela, ela me tocava sempre, toques leves, às vezes uma carícia no braço, um raspar de polegar na minha mão, as pontas dos dedos se emaranhando no meu cabelo, a palma da mnão aberta sobre o meu peito.
E isso me pegava completamente desprevenido, porque seus toques nem sempre eram sexuais, mas era algo gentil e delicado, como se ela afagasse o meu coração e dissesse com aqueles pequenos toques que eu era importante para ela, como se seus toques declarassem que ela gostava de mim.
Isso era tão novo pra mim, nenhuma mulher nunca tinha demonstrado esse tipo de carinho antes, a Cora era fria, distante e seus toques eram com a nítida intenção de obter sexo e as outras namoradas que tive na juventude não eram táteis como a Eva era, não eram desinibidas com o que sentiam.
- O que foi? - Ela perguntou ao me pegar olhando pra ela encantado.
- Estou pensando no quanto eu gosto dos seus toques. Não pare! - Eu pedi.
- Não vou parar. Minhas mãos não conseguem ficar longe de tanta gostosura! - Ela revirou os olhos me fazendo rir.
Meu celular tocou no bolso da calça e eu a levantei pela cintura para alcançar o aparelho.
- Bom dia, Cachorrão!
- Rossi, eu sei que você deve estar ocupado com a Evita, mas a peste precisa entrar em casa para se arrumar para o trabalho. Eu não consegui segurá-la na cama!
- Está tudo bem? - Ele perguntou calmamente.
- Sim! - Eu sorri. - Eu contei tudo pra ela, inclusive sobre a Bittencourt. Ela me disse tudo o que você vive me dizendo.
- Porque eu te digo as verdades que só você não vê! Como ela reagiu?
- Melhor do que eu esperava. Ela quer enfrentar a Carmem. Um jantar na minha casa amanhã. E você e a Gabi estarão lá, exigência dela.
- Ah, mas a Evita é maravilhosa demais! - Ele sorriu. - Eu, sendo convidado para sentar a mesa com a invocação do mal! Esse jantar vai ser épico!
- Matheus, não vai aprontar! Por favor, as coisas já estão difíceis, eu não quero que a Carmem destile ainda mais amargura sobre a Eva. Eu nem acho isso uma boa idéia, mas ela colocou como condição. - Eu expliquei.
- Se você acha que esse jantar não vai ser um desastre, você está se iludindo. Mas a Peste e eu estaremos lá para cuidar da Evita. - O Matheus não me tranquilizou, pelo contrário.
- Como foi a sua noite? Você nunca levou uma mulher para a sua casa, achei que você fosse para o apart. - Eu perguntei e ele riu.
- Não... - Ele brincou com a xícara. - Eu não sei, eu só a levei pra lá e ela se encaixa tão bem naquele lugar, ela se encaixa tão bem em mim na minha cama... - Ele suspirou. - Ela é diferente. Talvez ela não seja para levar pra cama, talvez se torne uma amiga.
- Sei. Amiga? E você a levou pra cama e sentiu que ela é só uma amiga? Está mentindo para si mesmo! - Eu sabia muito bem que ele queria muito mais dela do que ele estava dizendo.
- Ah, Rossi, não fode comigo! Eu passei a noite em claro, excitado, fingi que estava dormindo só pra abraçar essa Peste delícia, mas eu não quero transar com ela e perder o resto. Ela é divertida, é inteligente, é a melhor amiga da Evita, é uma excelente companhia, sabe ser parceira... porra! - Ele se debruçou sobre a mesa. - E se a gente transar, você sabe, já era! Eu não sou o tipo que namora, Rossi!
- Você não era! Mas eu acho que isso mudou. - Eu apontei, mas ele descartou a idéia com a mão. - Continua mentindo para si mesmo até que outro a roube de você!
- Às vezes eu te odeio, José Miguel! E isso aí é um cachorro! - Ele falou como uma criança emburrada, me fazendo rir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...