"José Miguel"
Eu não estava confortável com a idéia da Eva confrontando a Carmem, porque a Eva não tinha a menor idéia de onde estava se metendo. A Carmem era uma pessoa muito difícil e aquela mania dela de gritar era muito irritante. Mas eu disse a Eva que faria e se eu estava convencido de uma coisa, era que eu não poderia perder a Eva, ainda que toda aquela culpa pesasse ainda mais nos meus ombros depois, eu não conseguia me afastar dela, eu não queria.
- Candinha, minha querida, como estão as coisas por aí? - Eu perguntei assim que a Candinha atendeu a ligação.
- Um inferno! A possuída já fez um escândalo porque você não dormiu em casa. Eu tranquei o seu quarto e o seu escritório, porque ela ameaçou entrar lá e quebrar tudo se eu não explicasse onde estão os seus ternos que estão faltando no closet.
- Desde quando a Carmem conhece os meus ternos? - Eu achei estranho que ela tivesse notado a ausência das minhas roupas.
- Ela conhece até as suas cuecas, querido! - A Candinha usou o tom de voz amoroso que usava para me explicar as coisas desde que eu era criança.
- Tá, fez bem em trancar. Algo mais?
- Ela está irritada porque você não está atendendo as ligações dela. Ela quer sair, mas a Berta disse que vai com ela e se ela tentar escapar vai conseguir uma algema e prendê-las juntas. Maqs a Berta está preocupada, porque e Carmem é esperta.
- É, o fogo do inferno está queimando outra vez nesse casa! - Eu desabafei e respirei fundo. - E as coisas ainda vão piorar.
- O que aconteceu, José Miguel?
- A Carmem descobriu a Eva, contou muitas mentiras para ela e eu quase a perdi. Mas eu consegui resolver as coisas e por algum milagre a Eva quer enfrentar o fogo do inferno comigo.
- Já gosto dessa moça!
- Ela quer te conhecer. - Eu sorri pensando que a Candinha e Eva se dariam bem. - Mas ela quer jantar aí amanhã, confrontar a Carmem, deixar claro que ela não vai se meter entre nós.
- Corajosa! O que você vai fazer quanto a isso?
- Vou fazer tudo o que ela quiser, Candinha, eu suporto menos a idéia de perdê-la do que a culpa que eu sinto pela morte da Cora e dos meus filhos. - Eu confessei, tendo me dado conta disso na noite passada.
- Então eu vou preparar um excelente jantar. Quanda será?
- Minha namorada vai jantar aí amanhã e o Matheus e a Gabriele também foram convidados. Tudo bem pra você?
- A Peste? - A Candinha me fez rir.
- É, Candinha, a Peste do Matheus é a melhor amiga da Eva.
- Eu sei! Esperta a Eva, vai vir enfrentar a megera com um pequeno exército! Isso vai ser divertido! Quero só ver a cara da Carmem quando vir o Matheus se sentando à mesa.
- Ai, querida, eu acho que vai ser desagradável, mas eu prometi à Eva. Candinha, façam o possível para manter a Carmem sob vigilância, as coisas vão ficar piores depois desse jantar. E porque eu não vou dormir em casa de novo.
- Diz pra Eva que eu estou do lado dela.
- Você ainda nem a conhece. - Eu ri.
- Eu estou do lado de qualquer um que está contra a megera do inferno! Vou caprichar no jantar.
Eu me despedi da Candinha e olhei para o telefone por um momento. A minha consulta com o Nelson era só na semana seguinte, mas ele me disse que eu poderia ligar a qualquer momento.
- José Miguel! Como vai? Não me diga que já sente a minha falta? - O Nelson atendeu com aquele jeito tranquilo e gentil. Ele era realmente como um oásis no deserto.
- Não vou mentir, Nelson, se eu pudesse falaria com você todos os dias! Já te disseram que a sua voz é um calmante poderoso? - Eu falei e ouvi a sua risada.

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