A gargalhada de Teri ainda ecoava pelo quarto quando ela segurou a barriga, como se estivesse se recuperando do que considerava a melhor piada do século. O riso dela foi diminuindo aos poucos, até que, por fim, ela balançou a cabeça, os olhos ainda brilhando com diversão.
— Ayla, sério, você tem certeza de que não inalou fumaça demais? — disse, com um tom sarcástico, enquanto enxugava uma lágrima de tanto rir. — Nicolas disse que te levaria ao hospital. Ele fez isso, não fez?
Eu não consegui sorrir. Na verdade, não conseguia sequer esboçar qualquer reação que não fosse seriedade. Respirei fundo e a encarei diretamente.
— Não, Teri. Me escuta. — Minha voz saiu urgente, como se aquelas palavras fossem minha única chance. — Você precisa acreditar em mim. Você é a única pessoa para quem eu posso contar isso sem parecer louca
A expressão dela mudou. Os traços relaxados se transformaram em algo mais tenso, uma mistura de confusão e preocupação. Claramente eu tinha falhado na parte de não parecer louca. Ela balançou a cabeça devagar, tentando processar o que eu havia dito.
— Ayla… — murmurou, hesitante, como se não soubesse como lidar com aquilo. — Por que você está falando isso agora? Que história maluca é essa?
— Porque é verdade! — exclamei, inclinando-me para frente e segurando as mãos dela. — Eu preciso que você acredite em mim. Por favor.
Teri piscou algumas vezes, claramente desconfortável. Ela parecia estar ponderando se o incêndio e o que havia acontecido tinham me afetado de uma forma que ninguém esperava. Com um suspiro pesado, ela retirou as mãos das minhas e passou-as pelos cabelos.
— Amiga, olha… você tá exausta. Dá pra ver nos seus olhos. Talvez você precise descansar um pouco. — O tom dela era cuidadoso, como quem tenta consolar uma criança. — Amanhã a gente conversa melhor, tá?
— Não! — gritei, com a voz embargada pela frustração. Senti os olhos queimarem, e lágrimas ameaçaram cair. — Não, Teri, você precisa me ouvir. Precisa acreditar em mim! Por favor. Nós somos amigas há anos. Você sabe que eu nunca brincaria com algo assim. Não depois de você me contar que perdeu todo o dinheiro. Não com algo... Não com algo que envolvesse meus filhos.
Ela me olhou fixamente, o rosto marcado por uma mistura de dúvida e preocupação. Por um momento, achei que ela fosse se levantar e encerrar a conversa ali mesmo, mas, em vez disso, ela cruzou os braços e inclinou a cabeça para o lado.
— Tá bom. — A voz dela saiu relutante. — Vamos supor que eu acredite em você. Por que você não falou nada sobre isso antes? Tipo, dois meses atrás?
Eu suspirei profundamente, tentando reunir forças para explicar.
— Porque eu não lembrava. — As palavras saíram mais firmes do que eu esperava. — Eu não fazia ideia. Não tinha nenhuma memória disso. Mas hoje… quando achei que ia morrer de novo… tudo voltou. Como se estivesse esperando por aquele momento.
Teri franziu a testa, claramente ainda cética. Ela cruzou os braços com mais firmeza, como se estivesse tentando proteger a si mesma da ideia de que eu pudesse estar falando a verdade.
— Mesmo que essas memórias tenham voltado, Ayla, como você pode ter certeza de que é real? Que não é só… sei lá, a sua cabeça pregando uma peça? Um trauma do incêndio, talvez?
Respirei fundo novamente e levei a mão ao pescoço, puxando a corrente que estava escondida sob minha roupa. O relicário brilhou suavemente à luz do abajur, sua superfície perfeitamente polida.
— Olha isso. — Minha voz saiu quase em um sussurro.
Teri se inclinou para frente, pegando o pequeno objeto com delicadeza. Seus dedos passaram pela superfície, explorando cada detalhe com uma expressão confusa no rosto.
— Quando você conseguiu consertar isso? — perguntou, com um tom curioso e cético.



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