Os raios de sol entravam suavemente pelas cortinas do quarto, me despertando aos poucos. Espreguicei-me, sentindo a suavidade das roupas de cama embaixo de mim. Do outro lado do quarto, Teri já estava acordada.
— Vamos lá, preguiçosa, temos um plano para colocar em ação...
Rolei os olhos, mas acabei rindo enquanto me levantava. Seguimos juntas até a antessala do quarto. A área era ampla e impecavelmente organizada, com um sofá de couro macio e uma mesa posta com uma bandeja de café da manhã. Tudo estava tão cuidadosamente disposto que parecia até uma cena de filme. Mas o que mais chamou nossa atenção foram algumas roupas dobradas cuidadosamente sobre o sofá.
— Uhhh... — Teri começou, segurando um biquíni em uma das mãos e examinando o tecido com atenção. — Alguém quer ver você de biquíni.
Soltei uma risadinha, balançando a cabeça.
— Não seja boba, tem dois — respondi, apontando para outra peça. — Teri riu, mas eu logo acrescentei, num tom mais sério: — Além disso, acho que deveríamos ir logo embora.
Ela deu de ombros, já se servindo de um café, como se não tivesse ouvido o que eu disse.
— De jeito nenhum. Ontem à noite, você me convenceu de que tá tudo bem o fato de eu ter perdido todo o dinheiro do apartamento porque você pode mudar o passado, o presente e o futuro, o sei lá o quê... Então, o mínimo que você me deve é um dia divertido nesse lugar.
Bufei, mas acabei deixando pra lá. Li o bilhete em voz alta:
— "Quando quiserem, podem subir para o bar na piscina. PS: Espero que gostem dos presentes."
— Presentes? — Teri repetiu, arqueando uma sobrancelha. Antes que eu pudesse reagir, ela soltou um palavrão e puxou uma sacola que estava ao lado da bandeja de café da manhã. Dentro, havia duas caixas de iPhone de última geração. — Caramba, Ayla! Você realmente se deu bem com esse cliente.
Revirei os olhos, mas senti um sorriso pequeno e involuntário se formar em meus lábios.
— Comentei com ele ontem que perdi meu celular no incêndio. Mas vou devolver.
— Nem pensar! — Teri exclamou, já abrindo a caixa dela. — Você nunca devolve um presente de cliente.
— Ele não é mais meu cliente, Teri — retruquei, cruzando os braços.
— Pode até não ser, mas se você quer colocar seu plano de "salvar Nicolas de si mesmo" em ação, precisa se aproximar dele. E devolver seus presentes não é um bom começo.
Suspirei, admitindo para mim mesma que ela tinha razão.
— Tudo bem, mas não sei exatamente como fazer isso. Sempre foi Nyx quem esteve com ele. Eu... não sei como ser eu mesma com ele.
Teri deu de ombros.
— Segunda-feira de manhã e o cara está esperando você no bar da piscina ao invés de estar no trabalho. Já é um excelente começo. Agora, coloca esse biquíni e vai logo.
— O bilhete está no plural. É para você ir também — apontei, tentando incluir minha melhor amiga na equação.
Ela exibiu um sorriso travesso enquanto levantava um pequeno bilhete que veio dentro da caixa do celular dela.
— Meu cliente também quer me ver.
— O que tá escrito aí? — perguntei, desconfiada.
— "Vamos finalizar nossos negócios." — Teri leu, piscando de um jeito que eu sabia o que significava.
Arqueei uma sobrancelha.
— Você vai?
— Claro. Tenho dinheiro para recuperar — respondeu, jogando os cabelos para trás e sorrindo.
Ri enquanto ia para o quarto me trocar. Vesti um dos biquínis e uma saída de praia leve. Com a ajuda de um dos funcionários, encontrei o caminho para a piscina. O lugar era tão luxuoso quanto eu imaginava: espreguiçadeiras estrategicamente dispostas, uma piscina reluzente, e um bar impecável.
Logo avistei Nicolas encostado no balcão, completamente vestido de terno e gravata. Soltei uma risadinha involuntária enquanto me aproximava.
— Desculpa, acho que errei o código de vestimenta — brinquei, apontando para minha roupa de banho.
Ele sorriu, balançando a cabeça.
— Não gostaria de misturar negócios com o nosso relacionamento.
Soltei uma risada amarga.
— Relacionamento? Pensei que o nosso "relacionamento" fosse apenas negócios.
Ele se aproximou, sua voz carregada de firmeza e algo mais.
— Que outro cliente entraria em um prédio em chamas para te salvar, Ayla?
Não soube o que responder. Ele me desarmava, cada vez mais.
Fiquei sem palavras. Desviei o olhar, fixando-o no copo em minhas mãos, tentando encontrar uma resposta que não me deixasse ainda mais vulnerável.
— Claramente não é só sobre negócios para mim — ele repetiu, sua voz firme, mas com uma ponta de suavidade que me fez tremer por dentro.
Olhei para ele de relance, meu coração batendo descompassado. Havia algo no jeito que ele me olhava, algo que parecia despir todas as camadas de proteção que eu construí ao longo dos anos. Era sufocante e, ao mesmo tempo, irresistível.
— Então prove — deixei escapar antes que pudesse me conter.
Os olhos dele brilharam, e antes que eu pudesse recuar, ele se inclinou na minha direção, suas mãos segurando minha cintura com firmeza. Não houve tempo para dúvidas ou hesitações. O toque dele era avassalador, como se estivesse tentando transmitir em um único gesto tudo o que não conseguia dizer com palavras.
Minha mente gritava para que eu o afastasse, que aquilo era perigoso, mas meu corpo parecia ter vontade própria. A proximidade, o calor, a intensidade... era demais para resistir. Eu sentia cada fibra do meu ser se render àquele momento, como se toda a luta interna simplesmente desaparecesse.
Mas então, uma voz fina e infantil cortou o ar como uma faca.
— Papai, papai, a senhorita Lacerda queria falar com o senhor antes da aula e...
Nos afastamos tão rapidamente que quase nos derrubamos. Meus olhos se arregalaram enquanto meu coração disparava. Virei para encarar a voz e vi uma garotinha adorável, com cabelos escuros e olhos cheios de curiosidade.
Mas ela não estava sozinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário
Como vários livros desta plataforma nao6twm o final...
Libera todos os capítulos...