Laura
Eu ainda sentia o gosto do beijo dele nos meus lábios.
Aquele beijo que parecia ter acendido alguma coisa antiga, profunda e perigosa dentro de mim. O corpo dele ainda colado no meu, quente demais, forte demais, me envolvendo inteira como se fosse impossível existir espaço entre nós.
E então… tudo simplesmente desandou de um jeito delicioso.
Enoch me pegou no colo como se eu não pesasse nada e me guiou para a cama com uma suavidade que não combinava com o tamanho dele. Parecia que cada músculo havia sido esculpido para me carregar e ao mesmo tempo não deixar nenhuma marca na minha pele.
"É assim que você quer?", ele perguntou, a voz grave demais, rouca demais, enquanto meus dedos escorregavam pela barra da camiseta dele.
"Quero que você continue exatamente o que estava fazendo…" murmurei, puxando a camiseta dele para cima.
Ele soltou um riso baixo. Um daqueles que vibram direto no ventre da gente.
"Então vem."
Ele me puxou de volta para o beijo e, quando me dei conta, minha blusa já estava em algum lugar indefinido do quarto. O ar gelado do hospital tocando minha pele contrastava com o calor absurdo das mãos dele passeando pelas minhas costas.
O corpo dele cobriu o meu quando deitei na cama, e a sensação era tão boa, tão certa, que eu praticamente esqueci onde estávamos. Esqueci de tudo, menos dele.
"Laura…" Ele arrastou meu nome no meu ouvido. Quase uma oração. Quase um pedido. "Se eu passar do ponto, você me para."
"Só continua, garoto."
Minha voz saiu fina, tremida, totalmente entregue.
Ele beijou minha clavícula, o pescoço, o contorno dos meus ombros. Meu corpo inteiro reagia como se soubesse exatamente para onde aquilo ia. A respiração dele batia quente na minha pele, e eu sentia, claramente, o lobo abaixo da superfície. Quente. Feroz. Querendo.
Mas Enoch mantinha um controle absurdo.
Eu via isso nos olhos dele.
No jeito que ele me tocava.
No cuidado.
As mãos dele desceram pela minha cintura e eu arfei, puxando ele mais para perto, como se minha vida dependesse disso.
Foi quando ouvi o som.
A porta.
Girando.
Abrindo.
O instinto de Enoch explodiu antes que eu conseguisse piscar.
Ele virou o corpo inteiro, me cobrindo como um escudo humano.
Um escudo quente.
Um escudo musculoso.
Um escudo que, infelizmente, bloqueava minha visão e o avanço delicioso que estava prestes a acontecer.
"Enoch, o que...?"
Ele rosnou.
Alto.
Bravo.
Intimidante.
Mas o tipo de som que faria qualquer pessoa repensar suas escolhas de vida.
E então a porta abriu por completo.
O médico entrou primeiro.
E atrás dele…
os pais de Enoch.
O inferno abriria com mais delicadeza.
A mãe dele parou na porta, congelada.
O pai dele arregalou os olhos num nível que deveria constar em algum prontuário.
O médico deixou cair a prancheta.
Eu quis morrer.
Eu quis evaporar.
Eu quis que a cama me engolisse como um colapso de matéria escandalizada.
Mas eu continuei onde estava.
Sem blusa.
Ele ainda me cobria, o corpo tenso, o lobo rangendo dentro dele para não aparecer e traumatizar mais alguém naquela família.
"Eu sinto muito", ele murmurou, finalmente levantando, para eu pegar minha blusa caída no chão.
"Por quê?" Eu puxei o tecido, tentando recuperar alguma dignidade. "Foi você quem foi flagrado no papel de… cobertura protetora."
Uma risada curta escapou dele.
"Eu tinha esquecido completamente do mundo", ele admitiu, pousando a mão na minha cintura. "Meu lobo também."
"Eu percebi", murmurei, corando até a alma.
Enoch inclinou o rosto, os olhos ardendo daquele jeito que fazia minha pele inteira pedir por mais.
"Laura… você tem algum lugar onde a gente possa ter privacidade?"
A voz baixa, promissora.
Quente.
Eu engoli seco.
"Privacidade?"
"Eu ainda quero você, humana."
A resposta veio rápida.
Quase um insulto ao destino.
"Então… talvez a gente devesse…"
"Sim. Deveríamos...", ele concordou.
E me beijou.
Um beijo rápido, afiado, como promessa de guerra sensual adiada.
"Vou conseguir minha alta", disse ele, roçando meu queixo com o polegar. "E vamos embora juntos, para onde você quiser."
Meu corpo vibrou inteiro.
"Minha casa está disponível", murmurei.
O sorriso dele foi criminoso.
"E quando chegarmos lá… " ele roçou a boca na minha "…ninguém vai nos interromper.”

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