Riuk
O chão vibra antes mesmo de eu perceber que a energia está escapando do meu controle.
Minhas mãos brilham num tom azul-escuro, como luz e sombra se chocando. Veias saltadas, ardência subindo pelo braço, um zumbido tomando meus ouvidos. Só quando Rubi dá um passo para trás, o medo estampado em seu rosto, é que a realidade me acerta como um soco no estômago.
“R-Ryuki…?” A voz dela falha.
Merda.
Eu estou perdendo o controle.
Meu peito sobe e desce rápido demais. Meu lobo uiva, ensandecido, tentando se libertar de algo que está me comprimindo por dentro. Ele sente o Eron perto demais. Sente o medo da Rubi.
Sente que eu estou falhando.
E é isso que quebra a minha sanidade.
A energia explode ao meu redor como um anel pulsante, fazendo todos darem passos largos para trás. Alguns levantam os braços por reflexo. Outros arregalam os olhos como se estivessem vendo um pesadelo ganhar vida. Eron trava o maxilar. Ragnar se aproxima devagar.
Mas… é Rubi quem me salva.
Ela dá um passo à frente. Tremendo. Mas vem.
“Ei… olha pra mim.”
A mão dela toca a minha, quente, suave e toda aquela força perigosa se contrai, como se estivesse sendo puxada de volta pra dentro.
"Eu tô aqui… se acalma, Riuk."
Fecho os olhos com força, puxando o ar, tentando sufocar o lobo que arranha minha consciência.
“Desculpa…” minha voz sai rouca. “Eu… eu não queria assustar ninguém.”
“Você não me assustou.” Ela murmura, mas sei que é mentira. Uma mentira necessária. “Só mantém o controle, tá? Eu tô aqui. E sua família também. Vamos resolver isso.”
Quase caio de joelhos.
Ela é meu elo. Meu centro.
Quando finalmente abro os olhos, a energia já se dissipou. Mas a tensão no ar permanece. Densa. Quase sólida.
A família começa a comentar, cada um soltando uma frase nervosa, e meu lobo rosna baixo, tentando agarrar o pouco de controle que resta.
Ragnar ergue as mãos.
“Respirem. Ele está assim porque foi sugado, está instável, e eu avisei que aconteceria. Vamos todos nos acalmar.”
Minha mãe surge logo em seguida:
“As crianças não precisam ouvir sobre isso. Levem Riuk e Rubi ao escritório. Lá é melhor. E vocês, todos para fora. Vão para o jardim, para os quartos, mas deem o fora daqui.”
“Vem, filho. Vamos conversar.” Meu pai diz, mas é a mão da Ruby que eu seguro e foda-se o que a família acha. Ou eu seguro ela, ou eu desabo ali mesmo.
Ela aperta de volta, firme. Sorri de leve enquanto caminhamos.
Mas os passos do Eron atrás nos seguem como uma ameaça.
“Ele precisa mesmo fazer parte disso?” rosno baixo.
“Espera para ouvir o que eles vão dizer…” ela sussurra no meu ouvido, e eu bufo.
“Não gosto dele perto de você.”
“Agora não, Riuk. Temos problemas maiores do que o seu ciúme.”
Ela está brava.
E meu lobo abana o rabo pra isso.
Entramos na sala. Meu pai e Ben primeiro. Depois eu e Rubi. E por fim, Ravenna e Eron.
Não tem nada do que eu esperava.
Tem culpa.
Culpa antiga.
“Eron.” minha voz sai grave. “Olha pra mim, porra.”
Ele levanta os olhos.
E eu vejo.
Vejo exatamente a expressão de alguém que acha que merece morrer.
“O que você fez pra estar com essa cara de que sabe que eu vou te matar?”
Ele sorri de lado. Triste.
“É bom ter meu irmão de volta.”
“Fala. Agora.”
“Riuk…” Ele respira fundo, como se tirasse um peso do peito. “O que eu fiz pode acabar com tudo que a gente construiu.”
Do um passo à frente.
Sinto Rubi prender a respiração.
“Fala de uma vez.”
E então ele j**a a bomba:
“Eu te afastei dela.”
E o silêncio que cai na sala é pior do que qualquer explosão que eu poderia causar.

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