Libby
Eu odeio esse tipo de merda.
Mesas quadradas, luzinhas românticas, sininho tocando a cada dois minutos. Parece leilão de loba, não teste de afinidade.
Rubi está três mesas à minha direita, tensa como corda de arco, olhando pro chão. Riuk está na fila dos machos, na mesma reta que ela, olhos mortais pra qualquer um que ouse respirar errado na direção da minha sobrinha.
Eron está logo atrás dele, braços cruzados, cara de quem tá contando os segundos pra acabar com alguém.
Eles nem deveriam estar aqui. Nenhum dos dois. Essa caçada inteira é uma palhaçada desnecessária depois do que aconteceu ontem.
Mas aqui estamos. Tendo que conviver com lobos que não gostamos. Com egos e orgulhos feridos. Temos que permanecer por que somos a referência do alfa supremo.
O ancião b**e no microfone:
“Podem começar!”
Primeiro lobo senta na minha frente: um ruivo simpático da alcateia do Leste, a mesma de onde a mãe de Riuk era. Conversinha fiada, sorriso educado, dois minutos voam.
Depois outro. Depois outro. Vários lobos sem graças e uns até simpáticos, mas nada com a pegada do Eron.
Até que Dreyt Davison para na minha frente.
Meu estômago revira.
Cabelo loiro impecável, sorriso de comercial de pasta de dente, cheiro de ego inflado.
“Quanto tempo, Libby.” ele se senta, como se fossemos íntimos.
“Não o suficiente.”
Ele ri, como se eu tivesse feito piada.
“Sempre tão ácida. Continua linda, aliás.”
Eu o encaro, fria.
Ele tenta o papo de sempre: alcateia, posição, futuro, blá-blá-blá.
Eu respondo monossilábico.
Ele insiste:
“Sinceramente, não sei por que terminamos. A gente se dava tão bem…”
Dou risada seca.
“Você transar com a minha secretária na minha cama foi um ótimo motivo, Dreyt.”
Ele tem a cara de pau de dar de ombros.
“Foi um deslize. Acontece. Olha só os Peyton aí, se revezando entre a sem lobo… sendo que tem opções muito melhores.”
Minha loba rosna tão alto que a mesa treme.
“Cala a boca.”
Ele levanta as mãos, falso inocente.
“Não quis ofender. Só tô dizendo que uma sem lobo não é exatamente material de Luna Suprema, né?”
Eu me inclino pra frente, voz baixa e mortal:
“E você não é material pra nada além de lixeira, mas aqui estamos.”
Ele estreita os olhos.
"Ainda ressentida. Devo ter deixado uma marca muito profunda em sua alma." Dou risada, para não avançar nele e arrancar sua garganta.
"A única marca que deixou foi a de eu não me iludir com palavras bonitas. Alias você é muito bom com elas, pena que não tem consistência alguma. Será apenas um alfa vazio."
"É isso que pensa? Sei que sua família é famosa por ter os alfas mais importantes da Aliança, e por isso que eu queria uma segunda chance. Sei que podemos nos acertar."
"Ainda achando que isso vai me convencer?"
"Prefere ficar sozinha para sempre? Por que de verdade Libby, você é a loba mais velha aqui, e ninguém quer uma loba que não possa gerar herdeiros saudáveis. Eu sou uma das poucas opções que você tem."
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