Rubi
O jato aterrissa em Sidney quando o sol já tá se pondo. Eu, Libby e meu pai descemos em silêncio. A cidade que antes era meu lar agora parece estranha. Falta um pedaço. Falta ele.
Kevin, o chefe de segurança de Riuk, tá na pista, o carro pronto para nos levar direto para a empresa.
“Bem vindos, senhoritas Reynolds. E senhor Reynolds.” Ele aperta a mão do meu pai com respeito. Todo mundo sabe quem ele foi antes de virar Alfa do Sul: CEO da Construtora Jones-Reynolds, a empresa que a Libby comanda hoje.
Entramos no carro direto pra sede da RP.
No caminho, Libby e eu já estamos debruçadas no notebook. Meu pai senta na frente, mas vira pra trás de vez em quando.
“Vocês vão ter que fazer melhor do que isso,” ele diz, sério. “O cliente não vai aceitar uma justificativa rasa, e não podemos falar abertamente o que está acontecendo. Vocês precisam ter uma base de dados sólida, para que ele se acalme.”
Libby aperta meus dedos.
“Então é isso que vamos fazer.”
Chegamos na empresa. Funcionários param no corredor quando veem Libby Reynolds entrar de salto alto, cabelo preso, olhar de quem vai salvar o dia. Ela é lenda viva na arquitetura. Todo mundo sabe.
Laura corre e me abraça forte.
“Graças à Deus vocês vieram. Não sabia mais o que fazer. O cliente liga de 5 em 5 minutos perguntando se vocês já tinham chegado, mesmo eu dizendo que era uma viagem de quase 20 horas.”
Brenda aparece com a agenda.
“O senhor Peyton vem depois?”
Nego.
“Riuk está resolvendo um problema maior. Me deixou no comando desse projeto. Qualquer coisa que precise, é só me perguntar.”
Sussurros. Minha loba ouve tudo agora: “Ela tá no comando?”, “Mas ela não era só…?”, “Casada com o Eron Peyton antes, né?” "O que eles têm agora?"
Eu ignoro e sigo pra sala de reuniões.
Passamos três horas fechando o plano perfeito:
- relatório comparativo de 48h
- três opções de fundação reforçada
- simulação 3D com o software da Libby
- proposta de perícia independente especializada em solos instáveis.
"O cliente chegou." Brenda anuncia ao abrir a porta.
Ele está puto, com uma pasta cheia de papéis, bem maior que os nossos. Mas eu sei o que fazer.
"Olá senhor, por favor, sente-se." indico a cadeira para ele, que me olha estreitando os olhos, antes de ver as outras pessoas que estão comigo.
“Espero que possa me explicar esses erros e mais erros que estão acontecendo, ou nosso contrato está cancelado.”
Eu respiro fundo, sorrio profissional.
“Senhor Hargreaves, eu entendo que o senhor está chateado, assim como nós também estamos. Mas o que está acontecendo não é um erro nosso, nem do senhor. É um problema de solo.
Libby toma a frente, abre o 3D.
“Veja: afundamento cirúrgico em três pontos críticos. Nenhum canteiro de obra normal faz isso em 24h. Algo ali não está suportando o peso das primeiras demarcações. Propomos três soluções imediatas, perícia independente, paga por nós. Paralisação da obra, até as devidas conclusões, com os custos sendo absorvidos também pela RP. E readaptação de projeto assim que a verificação de solo for concluída, também sem nenhum custo para o senhor.
Ela desliza o tablet com a assinatura dela no fim do relatório.
Hargreaves lê, franzindo a testa.
Quando vê o nome “Libby Reynolds” no rodapé, relaxa um centímetro.
“Achei mesmo que conhecia a senhorita. Então a RP está mesmo interessada em resolver o meu problema."


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