Francine entrou na cozinha ainda mordendo a unha e arrancou o avental como se isso fosse suficiente pra aplacar o desespero.
Malu, que estava calmamente untando a forma do bolo, levantou os olhos devagar, com aquela cara de “o que foi dessa vez?”.
— Ele pediu uma lista, Malu. Uma lista atualizada de funcionários.
— Ele quem? — perguntou só por protocolo. A resposta era óbvia.
— Quem mais? Dorian Villeneuve. O próprio. Foi até a sala da governanta, com aquele ar de quem vai abrir uma investigação federal.
Malu largou a colher.
— Ai, Francine…
— Ai nada! — rebateu, andando de um lado pro outro como uma leoa enjaulada. — O que esse homem quer com a lista? Será que ele só quer saber o nome da fulaninha da noite do baile? Ou será que ele tá montando um relatório completo com CPF, tipo sanguíneo e última vez que a pessoa tomou vacina?
— Eu aposto na segunda opção — Malu zombou. — Ele tem cara de quem dorme com planilha aberta.
Francine parou e apoiou os cotovelos na bancada, afundando o rosto nas mãos.
— Será que eu saboto a lista? Ou finjo demência e deixo a bomba estourar? Porque assim… vai ver ele nem lembra mais do rosto da mulher. Vai ver ele desistiu, né?
— Francine, ele foi até a sala da governanta. Três dias depois. Isso não é “desistir”, isso é quase montar um mapa investigativo com linha do tempo e conexões.
Ela soltou um suspiro pesado.
— Eu sabia. Sabia que aquele sorriso no espelho ia me custar caro. Se eu tivesse escorregado um pouquinho menos naquele salto... Se eu tivesse ficado quietinha...
— Se você tivesse ficado quietinha, a história nem teria começado — Malu rebateu. — Agora aguenta.
— Mas sabotagem é pesado, né? Eu ia estar mentindo oficialmente. Envolvendo outras pessoas... é quase um crime.
— Francine, você já invadiu uma festa particular, enganou o patrão, “pegou emprestada” uma máscara de convidada e ainda saiu antes do café. Agora resolveu se preocupar com ética?
Francine abriu um sorriso torto.
— Malu, às vezes eu acho que você é a voz da minha consciência. E outras vezes... só o eco da minha desgraça.
— Eu não tenho nada a ver com isso — Malu deu de ombros, voltando tranquilamente a untar a forma como se o mundo não estivesse prestes a desabar sobre a amiga.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras