Assim que sumiu da vista de Francine, Natan caminhou sem pressa por algumas ruas estreitas do centro até dobrar em uma viela apertada, escondida entre dois prédios antigos.
Era o tipo de lugar onde qualquer pessoa de bom senso evitava entrar — mas Natan não se importava com sensatez.
Já tinha cruzado muitos becos na vida, tanto figurativa quanto literalmente.
No fim da viela, ele subiu dois degraus de uma escada de acesso metálica, enferrujada, e se sentou. Estava ofegante, mas sorria.
Tirou o celular do bolso e abriu o aplicativo de rastreamento. Um ponto azul piscava em tempo real: Francine.
Ela estava exatamente onde deveria estar. A AirTag escondida discretamente no forro da bolsa era sua garantia.
— Agora você não foge mais de mim, minha bonequinha.
Alguns minutos depois, um homem de jaqueta surrada se aproximou, vindo do lado oposto da rua.
O cabelo desgrenhado e o jeito sorrateiro denunciavam sua profissão informal.
— E aí? — disse o homem, enfiando as mãos no bolso e puxando um maço de cigarros — Conseguiu bancar o herói?
— Claro. Acha que sou algum tipo de idiota? — Natan levantou com arrogância. — Coisa mais fácil do mundo é enganar aquela mulher. Um elogio, um sorriso forçado, uma historinha de que me preocupo... e pronto. Ela nem percebe o quanto está exposta.
O homem riu com desdém e olhou para o celular nas mãos de Natan.
— Então era pra isso que você queria a bolsa dela? Pra rastrear?
— Isso foi só um bônus. O que eu queria mesmo era plantar a dúvida nela. Gratidão é uma desgraça, sabe? Deixa a vítima confusa. É o tipo de coisa que faz ela baixar a guarda. E a Francine sempre teve um coração mole — disse, olhando de relance para o ponto piscando no mapa.
— Certo, certo. Vamos ao que interessa, então.
Natan tirou do bolso um maço de dinheiro amassado, envolto por um elástico azul, e entregou ao homem.
— Confere aí. Acho que tem até mais do que combinamos. Um bônus por seguir as instruções direitinho: só susto, nada de machucar. Eu preciso que ela me veja como o mocinho.
O homem pegou o dinheiro, contou por cima e assentiu com a cabeça, satisfeito.
De onde estava, podia acompanhar a localização de Francine pelo celular — ela ainda andava pelas lojas com a amiga.
“Francine...”, pensou, afundando na poltrona de couro. Ela tinha algo que as outras não tinham.
Lembrou-se da primeira vez que a viu, quando a agência mandou a tal “novata promissora” para acompanhá-lo em um jantar de negócios.
Era só mais um nome no book rosa — mas assim que ela entrou no restaurante, tudo mudou.
Postura elegante, sorriso contido, olhos atentos. Diferente das outras.
— Eu te tirei daquele circuito sujo. Te tratei como uma rainha. A única coisa que você precisava fazer… era me escolher — murmurou, mexendo o café sem pressa.
Mas ela fugiu. Mudou de cidade, cortou o contato, reescreveu a própria história como se ele não tivesse feito parte.
Seu olhar se fixou na tela novamente. O pontinho azul piscava como um aviso: ela estava por perto.
— Uma hora você vai entender, Francine. Você nasceu pra brilhar, e eu pra estar ao seu lado quando isso acontecer. Quer você queira… ou não.

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