Dorian passou a mão pelo rosto mais uma vez, como se o simples ato de contar fosse desgastante.
— Eu mandei ela limpar o meu quarto hoje.
— Até aí, rotina normal de patrão escroto.
— De uniforme novo.
Cássio franziu o cenho.
— Como assim… uniforme novo?
Dorian encostou o copo devagar na mesa, os olhos voltados para o fundo da bebida como se ali estivesse sua dignidade afogada.
— Uma lingerie vermelha. Com cinta-liga.
Cássio não conseguiu segurar.
— Puta merda, Dorian! — Ele gargalhou alto o suficiente pra fazer o garçom olhar. — Você… você obrigou a mulher a faxinar de lingerie?
— Eu não obriguei! Dei duas opções: usar o uniforme ou pedir demissão.
— Aham. O famoso "livre arbítrio" versão 50 tons de vermelho.
Dorian deu um gole mais curto. Estava ficando irritado. Consigo mesmo.
— Ela topou, desde que eu não tocasse nela. Trocou de roupa, limpou tudo mas… provocou. Cada movimento. Cada passo. Ela sabia exatamente o que estava fazendo.
— Claro que sabia. Ela é um gênio do caos. Um fenômeno. Um presente enviado direto do inferno só pra te deixar de quatro. E tá funcionando!
Dorian fechou os olhos por um momento, e a imagem de Francine se abaixando lentamente com aquele maldito espanador voltou como um golpe no estômago.
Cássio ainda estava rindo, batendo a mão na mesa.
— Dorian… você realmente achou que estava no controle?
— Pior que achei. De onde eu tirei que isso tinha alguma chance de dar certo?
— Cara… você precisa erguer uma estátua pra essa mulher. Já pode tirar a máscara da sala de reuniões e botar o retrato dela ali no lugar. Essa sim é a verdadeira lenda da festa.
— Engraçadíssimo.
— Eu tô falando sério. Ela virou o jogo. Você achou que ia punir, e foi punido. O que vem depois? Você servindo café pra ela na cama?
Dorian olhou por cima do copo, sem um pingo de humor.
— Se continuar assim… não duvido.
Cássio parou de rir por um momento, encarando o amigo.
— Eu não tenho um. Ainda.
— Maravilha. O CEO da arrogância não tem um plano, mas quer vencer uma guerra de cabeça erguida contra uma mulher armada com sarcasmo, bunda e inteligência.
— Você vai ajudar ou vai ficar aí vomitando filosofias de gosto duvidoso?
— Vou ajudar. Porque sinceramente, quero ver até onde isso vai.
Dorian se inclinou na direção dele, sério de novo.
— Ela me virou do avesso, Cássio. Me tirou do prumo. Fez do meu quarto um palco. E ainda saiu com o sorriso de quem venceu. Eu preciso dar o troco.
— Então agora você quer fazer o quê? Revidar?
— Não. Quero fazer ela baixar a guarda. Me entregar alguma coisa. Nem que seja a verdade sobre o que ela sente, ou sobre o real motivo dela ter aparecido naquela festa.
Cássio ficou em silêncio por um instante, depois deu de ombros:
— Ok. Você tentou puni-la, ela devolveu com show. Então vamos mudar o jogo.
— Como?
— Em vez de confronto… talvez ela precise de um pouco de confusão.

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