Dorian levantou num pulo, como se o corpo tivesse decidido sozinho.
A poltrona foi deixada de lado com violência e Francine até estremeceu com a rapidez do movimento.
Mas não recuou — porque recuar não fazia parte da personalidade dela.
Ele entrou no banheiro com passos pesados, e bateu a porta com tanta força que o som ecoou no quarto.
Não trancou. Nem pensou nisso. O foco agora era a água. Fria. Muito fria.
Girou o registro no máximo e deixou o jato gelado despencar direto sobre a cabeça.
A respiração estava pesada, os músculos tensionados.
Mas nada disso comparava ao que acontecia mais embaixo, e que só piorava ao lembrar da cena anterior.
Baixou os olhos e soltou um palavrão abafado.
— Mulher desgraçada… olha o que ela fez comigo…
Levantou a cabeça devagar, encostando a testa no azulejo gelado.
"Isso era pra ser uma punição", ele pensou. "Mas quem tá pagando a penitência sou eu."
Foi quando ouviu a batida na porta. Três toques leves. E a voz dela, doce, provocativa — como quem sabia exatamente o efeito que causava.
— Senhor Dorian… eu ainda tenho que limpar o banheiro.
Ele fechou os olhos com força.
Francine.
“É claro que ela ia fazer isso.”
Respirou fundo, mas a respiração saiu pesada.
— Não agora, Francine.
— Mas está na minha escala, senhor. E eu sou uma funcionária exemplar.
A voz atravessou a porta como uma lixa quente.
Ele abriu os olhos, ainda debaixo do jato gelado, os dedos contraídos como se a qualquer momento fosse socar a parede.
— Você quer brincar comigo, é isso?
Silêncio por um segundo. Depois, a maçaneta girou. A porta se abriu devagar.
E ali estava ela, encostada no batente, espanador numa mão, o corpo perfeitamente encaixado na lingerie vermelha, como se tivesse saído de um catálogo proibido.
— Só quero fazer meu trabalho, senhor.
O olhar dele percorreu o corpo dela inteiro. Sem pudor, sem pressa.
— Francine… sai daqui. Agora.
Malu cruzou os braços, desconfiada, mas divertida.
— Tá… o que você aprontou dessa vez, Francine?
Francine deu meia-volta com um olhar teatral.
— Eu? Nada demais. Digamos que apenas dei ao senhor Dorian um pouquinho do próprio veneno.
— O que isso quer dizer?
Com um movimento ensaiado, ela desamarrou o avental, desabotoou o uniforme e deixou a peça escorregar pelos ombros.
Por baixo, a lingerie vermelha brilhava como pecado em forma de tecido.
Malu arregalou os olhos e largou o queixo.
— Você tá brincando.
Francine posou como se fosse capa de revista.
— Ele me obrigou a limpar o quarto dele vestida assim.
— E o que você fez?!
— Fiz exatamente o que ele pediu. Claro que exigi que ele não me tocasse. Enfim, ele precisou tomar uma ducha de água fria antes de eu terminar. Nem pude limpar o banheiro, acredita? — Ela fingiu uma indignação.
Malu caiu na cama, rindo e gritando em silêncio, como se a fofoca fosse grande demais pra ser contida com palavras.

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