Nathália andava tranquila.
Borboletas na barriga.
Já mentalizando a surpresa no rosto de Ricardo, ela tinha uma programação perfeita na cabeça.
Ergueu o olhar.
E parou.
No meio do corredor.
A mulher vinha na direção oposta.
Alta.
Elegante.
Cabelo preto impecável.
Postura ensaiada.
O salto ecoando no piso de mármore.
O cérebro de Nathália levou dois segundos para reconhecer.
Depois… gelou.
A mulher do restaurante.
A que semanas antes se inclinava demais na direção de Ricardo.
Joyce.
Ela vinha… saindo da sala dele.
O coração de Nathália deu um tranco seco.
Mas não acelerou.
Não ainda.
Ela respirou fundo.
Forçou a si mesma a não reagir.
Não tirar conclusões.
Não deixar o instinto vencer a razão.
> Escuta o que ele tem a fala antes de acusar.
A frase ecoou dentro da cabeça como ordem.
Emma.
A lembrança veio clara:
"A Joyce vive atrás do meu pai."
"Nunca significou nada."
Nathália manteve o passo firme.
Queixo erguido.
O corpo inteiro escolhendo confiança.
Joyce também a reconheceu.
E diminuiu o passo.
Um sorriso torto surgiu.
Calculado.
Ela passou a mão pela boca — como quem limpa algo invisível — depois ajeitou o vestido, alisando o tecido na altura da cintura.
Devagar demais.
Teatral demais.
Nathália engoliu seco.
Mas não desviou o olhar.
Não ia dar esse gosto.
Francisca, sentada na recepção, percebeu o clima no mesmo instante.
Levantou-se.
Os olhos indo de uma para a outra.
Tensão pura.
As duas pararam frente a frente.
O corredor inteiro parecia ter ficado mais silencioso.
— Olha só… — Joyce foi a primeira a falar, a voz doce demais para ser real. — Se não é a secretáriazinha.
Nathália deixou o olhar descer lentamente dos saltos caros até o rosto impecável da mulher.
Sem pressa.
Sem pressa nenhuma.
— E olha… — respondeu com calma cirúrgica. — Se não é a herdeira mimada e inútil.
Joyce cerrou os dentes.
O sorriso vacilou.
Por meio segundo.
Foi o suficiente.
Do fundo do corredor, a porta da sala de Ricardo se abriu.
Como se soubesse que ela estava ali antes mesmo de vê-la, foi puxado pela presença dela.
Nathália viu pelo canto do olho.
Joyce também.
Sentiu.
O corpo dela se tensionou quase imperceptivelmente.
Joyce deu um passo para o lado.
Passou por Nathália.
Bem perto.
Próxima demais.
E então falou.
Baixo.
Apenas o suficiente para que só Nathália ouvisse.
— Ele beija diferente quando termina uma reunião satisfeita… — murmurou, venenosa. — Você devia perguntar o que aconteceu naquela sala antes de entrar tão confiante.
Nathália sentiu o estômago afundar.
Mas o rosto…
permaneceu impassível.
Joyce seguiu andando.
Cabeça erguida.
Como quem tinha acabado de soltar uma bomba e saía antes da explosão.
Ricardo caminhou em direção a Nathalia.
O olhar foi direto para ela.
Sempre era.
— Amor? — chamou.
Francisca respirou aliviada.
Mas Nathália ainda estava parada.
O corpo imóvel.
A mente trabalhando rápido demais.
Quase uma hora Depois, atravessava os portões da Fazenda Grande Rocha.
Carlota a aguardava na varanda, impecável.
— Olá… menina. — disse, forçando memória.
Joyce sorriu tenso.
— Joyce, dona Carlota.
Sentaram-se.
— Em que posso ajudar?
Joyce abriu o celular.
Mostrou a foto.
Ricardo.
Nathália.
Rindo.
Mãos entrelaçadas.
Carlota apenas ergueu a sobrancelha.
— Eu já sei.
Joyce piscou.
— A senhora… apoia isso?
— Não.
Seco.
— Aquela mulher não entra para esta família.
Joyce inclinou-se.
— Ela quer o dinheiro dele. Ricardo não percebe isso.
Carlota sorriu.
Lento.
Calculado.
— Com meu filho, ninguém dá golpe.
— Eu vim ajudar. — Joyce disse. — Eu amo o Ricardo. Nossas famílias têm negócios. Eu sou… apropriada.
Carlota avaliou.
Por dentro, achava a garota mimada, inútil.
Mas agora era útil.
— Sim, minha filha… — respondeu doce. — Eu preferia você.
Os olhos de Joyce brilharam.
— Eu faço eles terminarem.
Carlota levou a xícara aos lábios.
— Não precisa se apressar. — disse calma. — Eu já tenho planos.
Joyce sorriu.
Carlota também.
Maria surgiu com a bandeja de café.
E, enquanto mexia o açúcar com elegância, Carlota pensava:
> Uso Joyce.
> E quando ela fizer o serviço sujo… descarto.
> Minha nora não pode ser essa garota mimada.
A guerra tinha começado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...