A sala de monitoramento cheirava a café frio, papel e tensão.
Thomas continuava em pé diante da tela, a imagem congelada no exato momento em que o capuz segurava o pescoço de Sofia e a empurrava para dentro do carro.
A porta se abriu com um estrondo.
O delegado entrou com Alex logo atrás.
O olhar do delegado varreu a sala, pousou na tela… e depois em Thomas.
— Você tá fora do caso, Alves. — a voz veio seca, sem rodeios. — É sua namorada. Você não vai agir com profissionalismo, mais por impulso.
O ar pareceu ficar mais pesado.
Thomas não tirou os olhos da gravação por um segundo.
Só depois virou, devagar.
— Com todo respeito, senhor Mourão — a voz dele saiu baixa, mas firme. — Se eu não for nesse caso com vocês… eu vou sozinho.
Silêncio.
Ele deu um passo à frente.
— Só não me peça pra ficar sentado esperando notícia… enquanto a mulher da minha vida tá em perigo.
A frase caiu como tiro na sala.
Bruna abaixou os olhos.
Alex cruzou os braços, tenso.
Nelson observava, sério.
O delegado estreitou o olhar.
— Justamente por isso você tá fora, Alves. Sentimento demais, cabeça de menos.
Thomas deu uma risada curta, sem humor.
— O senhor me ensinou a vida inteira que policial não abandona quem precisa. — ele rebateu. — E que quando o caso é pessoal… a gente corre dobrado, mas não larga.
O delegado apertou o maxilar.
A veia na têmpora pulsava.
Foram alguns segundos de duelo mudo entre os dois.
Até que ele suspirou, pesado, vencido pela própria consciência.
— Muito bem. — disse, por fim. — Quer j**ar assim? Então j**a certo.
Olhou para todos na sala:
— Alves assume a linha de frente. Bruna e Alex colados nele o tempo todo. Nada de atitude solo. Tudo registrado. Entendido?
— Sim, senhor. — Bruna respondeu.
Alex assentiu com a cabeça.
O delegado então completou:
— Nelson, ache a família da moça e notifique. Eles têm o direito de saber.
Thomas reagiu na hora.
— Não precisa. — cortou, rápido demais. — Os pais dela moram em outra cidade, não tem nada a ver com isso. Vão entrar em desespero e não vão poder ajudar em nada.
O delegado virou lentamente na direção dele.
— Eu ainda sou o delegado aqui, Alves. — a voz ficou mais dura. — Essa ainda é minha delegacia.
Deu um passo à frente.
— E, por mais que doa, você aqui é investigador. Não é namorado. Vai agir como tal.
O olhar dos dois se encontrou — embate de quem se respeita, mas discorda.
Então o delegado concluiu, sem abrir espaço para réplica:
— Nelson, localiza os familiares e notifica. Com respeito e educação, mas notifica urgente.
Nelson assentiu, já pegando o telefone.
— Sim, senhor.
Ele se virou para Thomas uma última vez.
— Quer salvar a sua mulher? — perguntou, frio. — Então pensa como polícia. Não como homem desesperado.
E saiu da sala.
A porta bateu.
O silêncio ficou.
Por alguns segundos, tudo que se ouvia era o ar-condicionado e a respiração presa de todo mundo ali.
Thomas passou a mão no rosto, tentando organizar o que sentia, e guardou tudo num lugar escuro dentro do peito.
Quando levantou o olhar… já não era só o namorado.
Era o investigador.
— Bruna. — a voz dele mudou de tom, voltando ao registro profissional. — Puxa pra mim todos os BMW pretos, sem placa visível, que passaram pelas câmeras da estrada estadual hoje.
Ela se aproximou do computador central.
— Intervalo de horário?
— Das 20h às 23h. Começando pelo entorno da faculdade e seguindo pela Linha Central até a saída da cidade. — ele respondeu sem hesitar. — Quero tudo que tiver rastro desse carro.
Alex já puxava outra cadeira.
— Vou cruzar com as câmeras de pedágio. Se esse filho da puta tentou sair pela rodovia, a gente pega o traçado.
Bruna começou a digitar, dedos rápidos, expressão tensa.
As imagens começaram a surgir em sequência.
Frame.
Após frame.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...