Na MIRA
O estampido ecoou primeiro.
O tiro atingiu o capanga da direita no braço — ele caiu com um grito rouco, a mão pressionando a carne aberta, sangue escorrendo quente entre os dedos.
Antônio reagiu no mesmo segundo.
Girou o corpo, puxou a arma, mirou direto no peito de José.
Augusto manteve Eloise protegida atrás dele — o braço em torno da cintura dela, firme, como âncora e escudo ao mesmo tempo — e ergueu a própria arma, travando mira com o capanga restante.
O capanga também mirava nele.
Duas armas apontadas.
Duas vidas no fio.
Um disparo decidiria tudo.
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Na mata
Entre as árvores, camuflado no alto, o Águia respirava pelo nariz, controle absoluto do corpo.
O dedo no gatilho, sem tremer.
— Alvo central no quadro. — disse no rádio, a voz baixa, milimétrica.
— Se Augusto hesitar, pego o da esquerda.
Outro sniper respondeu:
— No seu comando.
O Águia começou a contagem, quase em sussurro:
— Três…
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No penhasco, Antônio riu.
Não o riso de quem acha graça.
Mas o riso de quem já aceitou o inferno.
— Você acha que venceu, José? — disse, sem piscar.
— Eu não tenho medo da morte.
A morte me deve.
E você? — o olhar dele era faca — consegue olhar para ela sem desviar?
José não respondeu.
Não havia mais argumento ali.
Só destino.
A mão de Antônio apertou o gatilho.
Márcia viu.
Ela viu o dedo mexer.
Ela viu o brilho metálico no cano.
Ela viu o destino escolher.
E então, ela correu.
Não foi um impulso.
Não foi heroísmo.
Foi amor — do tipo que corta.
Ela se lançou entre Antônio e José.
O disparo veio.
O som rasgou o ar.
E, por um segundo, o mundo ficou em câmera lenta.
O impacto acertou abaixo do ombro, perto da clavícula — a carne amassou, o corpo dela girou de leve com a força.
O rosto dela entortou — não em dor — mas em alívio.
Como se dissesse:
Finalmente acabou.
José gritou.
— MÁRCIA!
A vida voltou.
— Dois.
— Um.
O tiro do Águia veio seco, limpo, perfeito.
A bala atingiu a mão de Antônio, estourando o osso entre polegar e indicador.
A arma dele caiu no chão, girando, deslizando pelas pedras.
Ele gritou — um grito cheio de ódio, dor e incredulidade.
E foi esse grito que fez o capanga mirar um milésimo para o lado.
Isso foi tudo que Augusto precisava.
PAAH.
O tiro saiu sem hesitação.
A bala atingiu o capanga no peito, forte o suficiente para derrubá-lo de costas no chão.
Silêncio.
Silêncio de fim.
Só o vento, o rio lá embaixo, e respirações cortadas demais para serem humanas.
Eloise olhou para Augusto.
E pela primeira vez, ela chorou sem desespero.
Mas com vida.
Augusto guardou a arma devagar.
E apenas sussurrou, encostando a testa na dela:
— Acabou.
Mas ali, naquela pedra, com sangue no chão, e Márcia caída —
ninguém tinha certeza se acabou mesmo.
O silêncio depois dos tiros parecia irreal.
A mata ainda tremia — galhos vibrando, eco do estampido preso no ar, cheiro de pólvora misturado com terra úmida.
Thomas e sua equipe surgiram pela floresta, armas erguidas, passos firmes.
O sargento já acionava o rádio:
— Mulher baleada na clavícula, consciente porém instável. Solicito ambulância urgente, repetindo, ambulância urgente.
Márcia estava deitada no chão, o corpo meio virado, o peito subindo e descendo com respirações curtas e doloridas.
O sangue se espalhava pela camisa, quente, insistente.
José estava ajoelhado.
Sua perna tremia, mas as mãos não.
Uma segurava a cabeça de Márcia.
A outra, sua mão.
— Você vai ficar bem — ele sussurrou, a voz quebrada, mas firme. — Fica comigo. Não dorme, Márcia. Fica comigo.
Márcia o olhava — com uma calma que não fazia sentido naquele cenário.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...