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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 260

UM PASSO DE CADA VEZ.

Na MonteiroCorp, o relógio parecia andar devagar demais.

A copa, que sempre foi o coração vivo da empresa — café quente, risadas, fofocas inocentes, histórias do final de semana — agora era um lugar diferente.

O silêncio pesava.

Toda palavra parecia uma ameaça de desabar.

Nathalia mexia uma panela grande no fogão, os olhos fixos na sopa fervendo, como se o movimento circular da concha fosse a única coisa segurando seu peito no lugar.

Cozinhar era o jeito dela não desmoronar.

Emma cortava pão em fatias desiguais, sem perceber que repetia o mesmo movimento.

Sofia lavava os pratos pela terceira vez, mesmo limpos.

Heitor já estava no sexto café.

O copo tremia na mão — não pela cafeína, mas pelo medo.

Thiago comia doce como quem tentava ocupar a boca para o coração não falar alto.

Andava da copa até a recepção, voltava, parava na porta, ia até a sala de reunião onde Laís estava.

— Tem notícia?

— Ainda não.

Dois minutos depois, repetia.

A copa estava quieta.

Quase solene.

Quase luto.

Até que — o celular do Thiago tocou.

O som rompeu o ar como um tiro.

Todos pararam.

Ninguém respirou.

Thiago atendeu de imediato.

— Oi… Augusto? — a voz falhou, só um pouco.

Silêncio do outro lado.

E então — a frase que quebrou o peso do mundo:

— Thiago, avisa todos que Eloise está comigo. Sã. Salva.

— Estamos indo para a delegacia prestar depoimento.

Thiago fechou os olhos.

O corpo dele amoleceu de um jeito que parecia que ele ia desabar — mas ele se segurou.

— Entendido. — respondeu, quase sem voz.

A ligação encerrou.

Foi um segundo de silêncio.

E então —

— A ELOISE ESTÁ BEM!!! — Thiago gritou, já correndo, já rindo, já chorando, já abraçando Emma com força suficiente para levantá-la do chão.

Emma chorou com o rosto escondido no ombro dele.

Sofia soltou o prato na pia e correu para Nathalia.

Nathalia parou de mexer a sopa — e só respirou.

Fundo.

Fundo como quem estava voltando ao corpo.

— Ela quase me matou do coração… — ela riu e chorou ao mesmo tempo.

Heitor puxou Sofia e Nathalia num abraço apertado.

— Graças a Deus… — Emma sussurrou nos braços de Thiago.

Aquele alívio não era simples.

Era ombro despencando.

Era coluna soltando.

Era mundo voltando ao eixo.

Thiago respirava rindo, ainda abraçado na Emma:

— Eles vão para a delegacia, prestar depoimento…

Heitor passou a mão nos olhos, fungou e — como era típico dele — voltou a ser o alívio do grupo:

— Deu até fome essa notícia. — disse. — E essa sopa aí tá cheirando como se fosse cura de trauma.

Nathalia, com os olhos ainda úmidos, soltou o ar e… congelou.

Uma ideia acendeu.

— Sim.

— A sopa.

Ela virou para os outros, já andando rápido pela copa:

— Aqui tem marmitas descartáveis em algum lugar. Me ajudem a encontrar. Agora.

Thiago piscou.

— Pra quê?

— Pra levar sopas para todos os policiais na delegacia.

— Eles ainda estão no meio da operação… ninguém comeu nada.

— E Augusto e principalmente Eloise vão precisar comer algo quente.

Sofia já estava abrindo armários.

Emma correu para pegar papel-alumínio.

Heitor foi atrás de colheres e talheres.

Thiago riu, enxugou o rosto com a manga da camisa:

— Tá bom, então.

— Operação Sopão da MonteiroCorp.

— Nome oficial.

Nathalia empurrou ele pelo ombro:

— Nada de nome ridículo. Anda, me ajuda.

Thiago sorriu grande.

Eles estavam voltando.

Não totalmente.

Mas um passo de cada vez.

___

A pista de decolagem estava silenciosa naquela hora da noite.

A luz branca refletia no casco do jato particular, fazendo-o parecer mais imponente do que realmente era — ou do que aqueles dois lá dentro imaginavam ser.

Lorenzo tamborilava os dedos no joelho, inquieto.

Thamires servia champagne em taças de cristal, como se o mundo estivesse perfeitamente sob controle.

— Salut, mon amour. — ela brindou, sorrindo largo, o batom impecável. — À nova vida.

Lorenzo não levantou a taça.

— Não comemora ainda.

O voo atrasou.

Demorou demais.

Se pegaram o Lucas…

E se eles descobri—

Thamires colocou a taça na mesa e subiu no colo dele com a leveza de alguém que nunca enfrentou consequências.

— Calma, chéri. — murmurou contra a boca dele. — Eu já sinto até o frio de Paris.

— Lorenzo Mello, você está preso por:

• Lavagem de dinheiro

• Falsidade ideológica

• Associação criminosa

• E cumplicidade na tentativa de homicídio

Thomas apertou o metal no pulso dele.

— Tem o direito de permanecer calado.

Se não tiver advogado… bem, você sabe como funciona.

Ele nem olhou Thamires.

Ainda não.

Outro policial algemou Thamires, que torceu o pulso como quem se achava acima da lei.

Thomas só então virou para ela.

— Sua carruagem, mademoiselle Santana. — disse, abrindo o camburão.

Um sorriso pequeno — e perfeitamente calculado — apareceu no canto dos lábios dele.

— Eu não vou entrar aí. — Thamires rosnou. — Você sabe com quem está falando?!

— Sei. — Thomas respondeu. — Com alguém que vai passar um bom tempo olhando para azulejo branco.

Ela se debateu.

Se sacudiu.

Tentou se soltar.

Um policial se aproximou para ajudar.

E foi então— sem aviso—

Thamires vomitou nele.

Na farda.

No braço.

No peito.

Silêncio.

Um segundo inteiro de silêncio.

O policial olhou para o próprio peito, sem reação.

— …eu juro por Deus que não podia ficar pior hoje. — ele murmurou, mortificado.

Thomas começou a rir.

Não riso alto.

Riso de exaustão.

Riso de quem sobreviveu a um inferno e agora o corpo simplesmente decidiu reagir.

Outros policiais riram também.

Não por deboche.

Por alívio.

Por fim de ciclo.

Enquanto isso, Thamires ainda cuspia e chorava e gritava que tudo aquilo era um erro — que ninguém tocava nela — que seu pai ia acabar com todos ali.

Lorenzo só encarava o chão.

Porque ele entendeu.

O império acabou.

O jogo virou.

Não havia mais para onde correr.

E o avião — que deveria levá-los para longe — ficou parado na pista.

Como um monumento silencioso do fracasso.

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