SALA DE ESPERA
O hospital cheirava a álcool, desinfetante e silêncio pesado.
José estava em pé, depois sentado, depois em pé de novo — repetindo o mesmo ciclo desde que chegara.
Não havia relógio que contasse aquele tempo.
Só o coração batendo errado.
A porta automática se abriu e uma residente — jaleco claro, crachá balançando — se aproximou, procurando alguém com o olhar.
— O senhor é o responsável pela paciente Márcia Mello? — ela perguntou.
José demorou um segundo para responder.
Um segundo onde tudo travou.
— S-sim… sim, sou. — Ele deu um passo à frente. — Onde ela está? Ela está bem? Eu posso ver ela?
A médica ergueu as mãos em um gesto calmo, treinado.
— Senhor, respira.
Ela está no centro cirúrgico neste momento.
José engoliu seco.
— Cirurgia?
A residente assentiu.
— A bala entrou pela região da clavícula, desceu e ficou alojada entre o tórax e a parte superior do pulmão. Ela perdeu bastante sangue e precisamos controlar a hemorragia antes de remover o projétil. A equipe está trabalhando para estabilizá-la.
José apenas olhou.
Como se o corpo tivesse esquecido como mover qualquer coisa.
A médica continuou com cuidado:
— A cirurgia não é simples, mas ela chegou consciente, e isso é um bom sinal.
Eu volto com notícias em cerca de uma hora. Prometo.
Ele assentiu, mas não disse nada.
As palavras não cabiam.
A médica saiu.
E José sentou.
Depois levantou.
Depois sentou de novo.
Márcia havia entrado na frente do tiro.
Ela colocou o corpo dela no lugar do dele.
Sem hesitar.
Se não fosse ela, ele poderia estar no necrotério agora.
Ele olhou para o relógio — 19h08.
Foi até a máquina de café, colocou moedas, e o barulho mecânico encheu o silêncio.
Pegou um expresso quente demais, amargo demais — mas o amargor combinava com o dia.
Precisou respirar.
Então empurrou a porta de vidro e saiu.
A chuva estava fina primeiro, depois mais forte.
Daquelas que não fazem barulho — só lavam.
José ficou ali, parado, mãos no bolso, deixando a água bater no rosto e no cabelo, sem se importar.
Era como se o céu tivesse esperado ele para desabar.
Ele pensou em Márcia.
No jeito que ela segurava a xícara com duas mãos quando estava nervosa.
No riso curto dela quando ele contava piadas que nem eram engraçadas.
No fato de ela ter atravessado fogo hoje… e fogo antes disso.
Ela sempre atravessava.
José fechou os olhos.
— Ela está fora de perigo. — Aguinaldo disse sem rodeios.
A respiração de José parou no meio do caminho.
Depois voltou — devagar — como quem reaprende a respirar.
— A cirurgia foi complicada — o médico continuou. — A bala entrou por baixo da clavícula e atingiu tecido muscular profundo. Perdeu muito sangue. Tivemos que conter a hemorragia e fazer reconstrução na região. Mas conseguimos estabilizar.
José fechou os olhos.
A mão que antes tremia… agora só soltou o peso.
— Graças a Deus… — ele sussurrou.
Aguinaldo colocou uma mão leve no ombro dele.
— Agora ela precisa de descanso, e de um ambiente calmo. Nada de estresse. Nada de pressão. É isso que vai garantir a recuperação.
José assentiu, devagar, como quem finalmente toca chão de volta.
— Obrigado. De verdade. — disse, com uma sinceridade que vinha do lugar onde se guarda amor antigo e culpa que pesa.
— Vá se descansar um pouco. Respira. — o médico orientou.
Aguinaldo se afastou pelo corredor.
José ficou ali por um instante… sem saber exatamente para onde olhar.
Depois se sentou na cadeira da sala de espera.
As mãos pousaram sobre os joelhos.
Os ombros, finalmente, cederam.
Ele deixou o corpo descansar.
E pela primeira vez desde que tudo começou…
Ele respirou.
De verdade.
Profundo.
Como quem acabou de ganhar uma segunda chance que achava que nunca teria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...