A MANHÃ QUE COMEÇA DIFERENTE
O apartamento estava silencioso quando a luz invadiu pelas cortinas.
Eloise dormia profundamente — um sono pesado, daqueles que o corpo pega por necessidade, não por descanso.
Augusto acordou primeiro.
Não rápido. Não alarmado.
Apenas… acordou.
Olhou para ela.
Os cabelos espalhados no travesseiro. A respiração tranquila. Uma mão ainda segurando o tecido da camiseta dele — como se tivesse dormido certinha ali, colada nele, sem perceber.
O peito dele aqueceu numa coisa que parecia simples, mas que sempre foi o maior pedido silencioso da vida inteira:
Paz.
Ele saiu da cama com cuidado para não acordá-la.
Caminhou pelo corredor devagar. Pés no piso frio. Casa silenciosa. A cozinha o recebeu com o aroma da madrugada ainda fresca.
Acendeu a cafeteira. Colocou água. Separou o pó, medindo sem pressa.
Era estranho pensar que, há poucas horas, ele estava com uma arma na mão, apontando para o homem que podia ter arrancado ela dele para sempre.
Agora estava ali.
Fazendo café.
É assim que a vida muda — sem aviso, sem cerimônia.
Ele pegou uma caneca de porcelana branca. Lembrava o toque das mãos dela — delicado, mas firme.
Serviu o café. Separou torradas. Fruta.
Foi até o quarto.
Eloise dormia ainda, mas virou de lado com um resmungo baixinho.
— Bom dia, amor. — ele disse suave, colocando a bandeja no criado.
Ela abriu os olhos devagar.
Primeiro confusa. Depois lembrando. Depois sorrindo — pequeno, ainda cansado, mas real.
— Você fez café… pra mim? — a voz saiu rouca, baixa.
— Fiz. — Augusto sentou na beira da cama. — Agora você tem dois corações batendo aqui.
Eu vou aprender a cuidar de vocês.
Eloise riu fraco.
Mas então — muito rápido — o nariz dela franziu.
O corpo congelou.
Ela tentou engolir a saliva.
— Augusto… — ela avisou, já pálida — acho que eu vou—
Ele entendeu na hora.
Nem perguntou.
— Vai. — ele disse, quase rindo, já levantando.
Eloise correu para o banheiro em passos rápidos, cabelos voando.
Barulho de torneira. Respiração. A náusea anunciando a gravidez da forma menos poética possível.
Augusto ficou apoiado no batente da porta, braços cruzados, e uma expressão que misturava preocupação e uma alegria quieta.
Quando ela terminou, lavou o rosto, respirou e olhou para ele no espelho.
— Desculpa. — ela murmurou, envergonhada.
Ele caminhou até ela. Puxou seu queixo com a ponta dos dedos.
— Você está criando um ser humano. — ele disse, com aquele meio sorriso que era quase um beijo. — Se você quiser vomitar na minha camisa também, eu deixo.
Eloise bufou uma risada, empurrando o ombro dele de leve.
— Não começa.
— Tarde demais. — ele respondeu, beijando a testa dela. — Eu já comecei ontem quando prometi a vida inteira.
Ela fechou os olhos.
Encostou a testa no peito dele.
E ali, entre o cheiro de café e sabonete, com o corpo ainda trêmulo e o coração tão cheio, ela soube:
Não era só sobrevivência.
Era recomeço.
A manhã estava clara, calma.
O sol apareceu devagar, ainda meio tímido depois da chuva da noite passada.
No céu, um arco-íris fraco se formava — daqueles que nem todo mundo percebe —
mas para quem olha, ele diz tudo:
Hoje é um dia novo.
Augusto dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a de Eloise, os dedos entrelaçados, como se se soltasse ela pudesse desaparecer outra vez.
No hospital, a recepção era tão branca que doía.
A médica chamou:
— Eloise Nogueira?
Os dois levantaram juntos.
O tipo de paz que aparece depois que alguém quase perde tudo.
Antes que qualquer outro pudesse falar, o celular de Augusto vibrou.
Thomas.
Augusto atendeu.
— Augusto, desculpa interromper. Para fechar o caso e dar andamento ao processo, eu preciso que você e a Eloise venham prestar depoimento.
Principalmente ela.
— Entendido. — Augusto respondeu. — Estamos indo.
Ele guardou o celular e respirou fundo antes de falar:
— Pai… precisamos ir à delegacia. Depois voltamos. Quero ver ela também.
José assentiu, tocando o braço dele com leveza.
— Vão. Façam o que precisa ser feito. E… obrigado.
Por voltar.
Por não abandonar.
Augusto segurou o olhar dele.
— A gente tá bem, pai.
Eloise sorriu para José:
— Depois… a gente volta para contar uma coisa.
Uma coisa boa.
José não perguntou o quê.
Só deixou que o sorriso descansasse no canto da boca.
— Eu espero vocês.
No carro, a chuva fina recomeçava.
Eloise encostou a cabeça no ombro de Augusto enquanto ele dirigia, o mundo passando devagar pela janela molhada.
Mas a delegacia não seria apenas o fim de um processo.
Lá dentro estava Thamires.
A mulher que tentou acabar com o futuro que Eloise agora carregava no corpo.
Eloise fechou os olhos, respirou fundo, e sentiu o próprio nome assentando dentro dela.
Hoje não era dia de silêncio.
Era dia de acerto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...